Festa da Epifania do Senhor

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A festa da Epifania do Senhor é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo.

Essa é, no fundo, a expectativa de Deus que transparece em toda a Bíblia. Mas é em Jesus que ela toma corpo e forma, aparecendo como proposta oferecida a todos.

A ganância e o desejo de poder, presentes no Herodes do tempo de Jesus e nos Herodes de todos os tempos, tentam sufocar essa esperança. Porém, os homens de boa vontade têm uma “estrela”, não cessam de “sonhar” um caminho alternativo, que não passa pelos poderosos, mas nasce do menino-pastor. Essa caminhada é cheia de dificuldades, mas é Deus quem a ilumina, gerando forças e vida nova.

Os dois primeiros capítulos de Mateus são a porta de entrada do evangelho e podem ser resumidos numa frase: Jesus é o Rei que vai fazer justiça. O Evangelho quer mostrar a missão de Jesus, o mestre da justiça. Essa missão se concentra na salvação dos pagãos, representados pelos magos.

Mateus põe em cena as principais personagens do drama dos magos (Mt 2,1-12). Jesus contra o rei Herodes; Belém contra Jerusalém. Os magos (pagãos), indo a Jerusalém entrevistar-se com Herodes e dirigindo-se depois a Belém para adorar Jesus, funcionam como resposta, como modelo de discernimento dentro desse drama, pois são eles os que chamam Jesus de “rei dos judeus”, ao qual desejam adorar. Os magos reconhecem o poder alternativo nascido em Belém que é Jesus. Portanto, o poder de Herodes, aliado dos dominadores romanos, não tem mais vigência.

O verdadeiro rei dos judeus não é o violento, prepotente e politiqueiro, estrangeiro idumeu, lacaio do poder romano opressor. A sede desse poder está em Jerusalém, onde o poder religioso com os chefes dos sacerdotes e escribas do povo, contemporizado com Herodes, servindo-lhe de suporte ideológico. Herodes e a cidade inteira se agitam com o anúncio de novo rei.

O verdadeiro rei dos judeus é um recém-nascido, que tem suas raízes no poder popular alternativo que se forma a partir do descontentamento e das necessidades básicas do povo, ou seja, é rei à semelhança do pastor Davi. Sabe-se que Davi começou sua campanha política e militar junto aos descontentes.

magos 2O Evangelho de Mateus afirma com força que a salvação não vem de Jerusalém, onde está o tirano Herodes, mas de Belém, cidade do pastor Davi. Portanto, situando em Belém o nascimento do rei dos judeus (Mq 5,1; 2Sm 5,2), e caracterizando a função desse rei, ele é um chefe que apascentará o povo de Israel. Assim, de Belém, da periferia de Jerusalém vai sair o líder alternativo, o chefe-pastor, aquele que vai defender o povo da ganância dos exploradores. A salvação vem através do pequeno da periferia de Jerusalém.

Os magos são os primeiros a intuir isso, e seu desejo é adorar esse novo poder que nasce do pobre. Eles são guiados por uma estrela, que exprime as intuições mais puras e os anseios mais profundos da humanidade sedenta de paz, justiça, fraternidade. Herodes, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei têm as Escrituras. Por meio delas sabem onde nascerá a esperança do povo, mas sua ambição e febre de poder procuram ardilosamente eliminá-la, como o rei Saul pretendera eliminar Davi (cf. 1Sm 18,11).

Os Magos guiados pela estrela chegam a Belém e encontram o menino. Nesse “menino da periferia” reconhecem o Rei que faz justiça, e se prostram diante dele. De fato, os magos veem “o menino e a mãe”, prostram-se e oferecem tributos. Os magos reconhecem a nova maneira de exercer a realeza e o poder. Aderem ao projeto de Deus que salva as pessoas a partir do pequeno e do pobre, e não a partir dos poderosos e violentos como Herodes.

O reconhecimento do menino é acompanhado da oferta do que há de melhor em seus países: ouro, incenso e mirra. (cf Gn 49,10; Nm 24,17; Mq 5,1-3; Is 49,23; 60,1-6). Para os Padres da Igreja, os presentes simbolizam o ouro a realeza, o incenso a divindade e a mirra a paixão de Jesus. Os magos, símbolo dos que aceitam a Deus manifestado no menino Jesus, doam-se a serviço do Salvador ao se prostrar e põem à disposição de Jesus o melhor do que possuem, seus dons.

O caminho da salvação não passa por Jerusalém, e menos ainda tem algo a ver com o aparato político e repressor do despótico Herodes. Os magos voltam para casa por outro caminho, que o discernimento lhes indicou. (1Rs 13,9-10.) Romperam de uma vez por todas com Herodes e Jerusalém.

O sonho dos magos é a inspiração de que do poder opressor nada nasce de bom para a sociedade. Eles souberam mudar suas perspectivas e sonhar um mundo novo…

Adorando o menino Jesus, pondo-se a serviço dele, saberemos nós também sonhar um futuro melhor, sem voltarmos aos Herodes de hoje?

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