São Guido, um bispo com coração missionário

Nos alegramos o 05 de novembro ao celebrar a festa de São Guido María Conforti. O Pe. Rino Benzoni, que foi superior geral dos Missionários Xaverianos, após  a canonização de São Guido dizia “Se a raíz é santa o fruto é santo”.

Das leituras da liturgia própria se podem recolher três ideias:

1.- O horizonte da missão que olha para o mundo inteiro. Em São Guido, podemos olhar para o seu coração, ele olha para toda a humanidade, ele não se limita a Parma, ele é bispo de uma diocese e quer levar o Evangelho a todos, mas ele olha para a humanidade, em direção àquela montanha para a qual as pessoas virão de todos os lugares, lemos em seu coração o desejo de compartilhar o melhor que temos com a humanidade: Jesus Cristo e seu Evangelho. Em seu coração, a missão era muito clara, ele deseja apoiar prontamente seu chamado e se deixará guiar por Deus em confiança e abandono, para se deixar fazer por ele.

2.- A fraqueza e manifestação do poder do Espírito. São Guido, como São Paulo, parece fraco e amedrontado, e a manifestação e o poder do Espírito o invadem. Os missionários xaverianos são filhos de um pai que confiou e abandonou o Senhor, que olha para sua humanidade e ouve a vontade de Deus.

Em São Guido vemos que a confiança e abandono nascem desse encontro com o crucifixo, o que lhe diria muitas coisas, também sugeriu confiança e abandono que se tornarão duas características confortianas. São Guido é de caráter doce, mas determinado e não se inclina para apoiar o que vê como a vontade de Deus. Pe. Manfredi o define: "o homem de recomeçar", porque sua vida não era como ele a imaginara ou desejava; passará por becos sem saída, retornos, falhas e decepções; e, no entanto, São Guido chegou aonde estava dirigindo sua experiência inicial. Ele se vira para Jesus e de lá nasce de novo.

Ele se sente missionário e não pode participar de missões por razões alheias ao seu controle; será pai e professor de missionários. São Guido é um professor para nós, percebemos como sua fé foi conquistada através de uma profunda luta interior. Sua capacidade de lidar com falhas e transformá-las em oportunidades de crescimento é surpreendente. Sem dúvida, o poder do Espírito age e ele se torna o mestre da vida; Ele nos ensina e nos acompanha, sabendo que Cristo é o melhor dos treinadores e sempre nos leva a bom termo.

3.- O bispo com um coração missionário para toda a humanidade. "Ainda tenho outras ovelhas que não estão nesta dobra". Sim, em São  Guido, como dirá São João XXIII, encontramos o pastor com dois rebanhos, um missionário para sua diocese e outro para o mundo inteiro. Seu coração bate como o de Cristo, olha para toda a humanidade e nos faz olhar para o futuro.

A esse respeito, citamos algumas palavras referentes a ele e aos missionários xaverianos: “A noite desta humanidade em que vivemos nos dá uma possibilidade única de nos encontrarmos, como Santa Guido Maria Conforti, frente ao crucifixo. Foi diante do crucifixo que o Fundador ouviu e aprendeu muitas coisas; O crucifixo foi para ele "o livro" no qual, como muitos santos, ele aprendeu. E a partir dessa contemplação e diálogo todos nós nos tornamos crianças. Reconhecê-lo e "confortá-lo" nas infinitas situações em que ele sofre na humanidade será a inspiração de nossas ações. E, entre todas as suas dores, privilegiamos a ausência de Deus, para revelar a face da misericórdia do Pai” (XVII Capítulo Geral dos Missionários Xaverianos, n.34).

Pe Rolando Ruiz Duran, sx