INTEGRIDADE DA JUSTIÇA

  • ELIZETE DA APARECIDA TOLEDO
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Todos os meses, o Papa confia à sua Rede Mundial de Oração, o Apostolado da Oração, intenções que exprimem as suas grandes preocupações pela humanidade e pela missão da Igreja

Sua intenção de oração mensal é uma convocatória mundial para transformar a nossa oração em "gestos concretos". Resume o seu plano de ação para nos mobilizar, cada mês, através da oração e da ação, por um objetivo tendo em vista construir um mundo mais humano e solidário. Neste mês de julho o pedido do Papa Francisco é pela Integridade da Justiça:  para que todos aqueles que administram a justiça operem com integridade e para que a injustiça que atravessa o mundo não tenha a última palavra.

O pedido de oração é pelos que administram a Justiça para que a injustiça nunca tenha a última palavra. Francisco pede a todos os católicos que rezem pelos magistrados, tribunais, juízes e advogados envolvidos no exercício da Justiça pelo mundo inteiro, para que o seu trabalho se guie sempre por uma reta intenção e critérios íntegros. O Santo Padre realça que a Justiça tem de estar sempre ao serviço das pessoas, respeitando a sua dignidade em todos os momentos. Pede, inclusivamente, que sigam o exemplo de Jesus, “que não negoceia nunca com a verdade”.

O fenómeno maligno da corrupção na Justiça afeta a coexistência pacífica e próspera entre as pessoas e as nações. O Papa preocupa-se sobretudo com as feridas que isto provoca no tecido social. Segundo a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Nova Iorque, 2004), a integridade da Justiça é severamente ameaçada pelo flagelo da corrupção. Além disso, tem um impacto muito forte na vida dos mais pobres, já que alimenta a desigualdade.

Quando o contexto social é marcado pela pobreza, pela fome e pelo sofrimento, os profissionais da Justiça emergem como atores indispensáveis para que estas condições não dêem lugar àquilo que o Papa denomina de “um caldo de cultivo da ilegalidade”. Unicamente o valor irrenunciável da Justiça pode garantir o correto funcionamento da vida pública.

Para o Santo Padre, a Justiça não pode ser meramente um “traje ocasional”, um disfarce que somente se utiliza para ir a festas. Por isso, neste mês de julho, Francisco pede especialmente que se reze para que os responsáveis pelo exercício judicial sejam capazes de trabalhar com integridade, sem interesses mesquinhos, nem intenções ocultas, num registo de transparência e imparcialidade.

Nas palavras do Santo Padre: “Dos juizes dependem decisões que influenciam os direitos e os bens das pessoas”. Isto acarreta uma responsabilidade muito grande, sobretudo para manter uma posição afastada do “favoritismo e das pressões que podem contaminar as suas decisões”.

O P. Frédéric Fornos, sj, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, que inclui o Movimento Eucarístico Juvenil, recorda as palavras do Papa na Pan America Judges Summit (3-4 de junho de 2019), sobre a batalha assimétrica e erosiva com a qual se confrontam muitas vezes os juizes: "a defesa ou priorização dos direitos sociais sobre outros tipos de interesses, levar-vos-à a confrontar-vos não só com um sistema injusto mas também com um poderoso sistema comunicacional do poder, que distorcerá frequentemente o alcance das vossas decisões, colocará em causa a vossa honestidade e integridade e podem inclusivamente julgar-vos”.

Através do Papa Francisco temos um desafio, através da sua Rede Mundial de Oração, sobre um tema que, para a maioria de nós, parece distante ou relativamente ao qual pouco temos a fazer. Muitos dos problemas do nosso mundo, em particular os relacionados com a administração da justiça, despertam alguma sensação de desânimo e impotência, ao darmo-nos conta das estruturas injustas presentes nesta área da vida social, colocando sérias dúvidas quanto à verdade de tantos processos, pelos interesses políticos e económicos que neles têm influência e pelo flagelo da corrupção ao mais alto nível. Para combater o desânimo e a falta de esperança, devemos rezar muito e oferecer as nossas ações quotidianas por aqueles que administram a justiça, pela sua imparcialidade e integridade. Mas devemos também dar-nos conta, com gratidão, que muitos procuram exercer a justiça com verdade, buscando soluções, apesar das muitas pressões que podem sentir.

Como cristãos o que podemos tirar como consequência para as nossas vidas, a partir deste desafio do Papa Francisco? Nossa resposta deve ser sempre a opção pela transparência, a integridade e a verdade.

Como é a nossa relação com a lei? Que 'excessões' fazemos àquilo que nos parece "pequeno" e sem consequências, mas constitui verdadeira injustiça? Nas regras de trânsito, no pagamento dos impostos, nas relações laborais, no juízo que fazemos uns dos outros, tantas vezes precipitado e sem fundamento, somos agentes de justiça ou pactuamos com interesses pessoais e de grupo que não dignificam a verdade do agir cristão?

A injustiça não tem a última palavra, e devemos ser nós, os cristãos, e como Igreja, a ser os primeiros a dar exemplo de integridade e verdade nas nossas relações pessoais e institucionais.

Oração:  Pai de bondade, o teu Filho Jesus foi vítima de uma tremenda injustiça, no desejo de morte que os seus adversários tinham para com Ele. Hoje, tantos irmãos e irmãs nossos são vítimas da injustiça, de falsos julgamentos. Tantos procuram ser favorecidos por causa do seu poder e influência. Senhor, converte o nosso coração à verdade e a uma vida íntegra, à semelhança de Jesus. Pedimos-te que o teu Espírito Santo seja o guia de todos os que administram a justiça, para que esta seja um reflexo da tua verdade no mundo. Pai-Nosso...

Desafios para este mês de julho:

– Estar atento a boas práticas de administração da justiça, divulgando-as através dos próprios meios, como um modo de salientar a importância da justiça feita com integridade e verdade.

– Fazer um exame de consciência sobre o modo como compactuamos com a injustiça, nas nossas relações pessoais, laborais, na relação com a lei, etc.

– Promover na comunidade um tempo de reflexão e oração pelos que administram a justiça e refletir sobre situações injustas que acontecem no próprio meio e os modos de as superar.

Assista ao vídeo do Papa Francisco deste mês de julho/2019: https://youtu.be/mCufDb11zxI

FONTES: www.popesprayer.va, https://rededeoracao.com.br/www.redemundialdeoracaodopapa.pt