Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
Eu sou padre Michel. A minha família é constituída dos meus pais, já falecidos, e tenho uma irmã mais nova. Nasci em Centenário do Sul, norte do Paraná. A minha comunidade de origem é a Paróquia Nossa Senhora das Graças.
Chamado vocacional...
A minha família sempre foi muito católica. Desde recém-nascido, os meus pais me levavam à missa. A minha paróquia foi fundada pelos Xaverianos e eu frequentei toda a catequese ali. Com sete anos de idade entrei no grupo dos coroinhas e todos os dias frequentava a missa. Nas quintas e sextas-feiras, junto com os Padres da paróquia, eu ia às fazendas para a missa. Esse fato foi muito importante para despertar a minha vocação, pois via que as pessoas das fazendas esperavam com muita alegria os padres, e como tinha a missa somente uma vez por mês, o padre ministrava também outros sacramentos na ocasião.
Fui coroinha dos sete aos catorze anos de idade. Nós éramos um grupo de 40 crianças. Nesse tempo trabalhavam na paróquia os padres Pietro Lamana, Flavio Cossu, Giuseppe Chiarelli e Giovanni Femminella. Era uma comunidade muito bem animada, e dava para perceber que os padres gostavam de trabalhar juntos. Até os catorze anos de idade, nenhum deles falou nada sobre a vocação sacerdotal missionária comigo. Como eu estava terminando a 8ª serie do ensino fundamental, e tinha que pensar o que fazer como ensino médio, o meu pároco, padre Flavio Cossu, que me conhecia muito bem, me convidou para fazer um Encontro vocacional no Seminário de Londrina. Esse encontro durou um final de semana.
Durante esse encontro, eu deixei que Deus pudesse me falar através das palestras e das orações que nós fizemos. Eu conhecia muito bem os Xaverianos, pois fui batizado por um Xaveriano, padre Renato Gotti. Fiz a minha primeira confissão e comunhão com um Xaveriano, padre Flavio, e fui crismado pelo Bispo Dom Geraldo Majella Agnelo, Bispo de Londrina, mas tinha os Xaverianos ao lado dele.
No final desse encontro, o Reitor do Seminário, padre José Maria Ribeiro dos Santos veio falar comigo e me convidou para entrar no próximo ano no Seminário. Movido pelo Espírito Santo, disse sim, e em 02 de fevereiro de 1992, entrei no Seminário Xaveriano de Londrina. Eu tinha 14 anos de idade quando entrei. Nunca tinha passado mais de três dias fora de casa.
No início, a maior dificuldade foi por parte da minha família, principalmente para a minha mãe, pois era muito difícil para ela não ter mais o filho por perto. Também para o meu pai foi difícil, pois ele tinha o sonho que eu seria advogado. Mas os anos se passaram, e eles se convenceram que a minha estrada era aquela missionaria, e ficaram muito felizes por isso. Eles deixaram com que Deus pudesse chamar o filho deles para seguir a Jesus na vocação consagrada xaveriana.
Decisão de viver a vocação...
Acredito que não foi somente no dia 02 de fevereiro de 1992 que eu decidi de viver a vocação missionária xaveriana. Tanto antes, como depois, tiveram vários fatos que fizeram com que eu renovasse essa decisão. O meu processo de formação começou em Londrina, mas depois de quatro anos, os outros quatro da minha turma desistiram e eu fiquei sozinho. Mesmo assim, fui para Curitiba e comecei a Filosofia.
Nesse primeiro ano, no dia 01 de setembro de 1996, minha mãe morre de repente de enfarto do coração. Eu estava em Curitiba e ela em Centenário do Sul. Esse fato foi muito importante para novamente decidir de viver a vocação xaveriana, pois tanto meu pai como a minha irmã ficaram muito abalados com essa morte, e com o apoio dos meus formadores e da comunidade, pude continuar a formação. Depois, no final da etapa da Filosofia, também ali fiquei sozinho mais uma vez. Como deveria fazer o Noviciado, foi decidido que fosse para a Itália, fazer o noviciado em Ancona. Acredito que esse momento também foi uma renovação da decisão.
Ter feito o noviciado internacional em Ancona ajudou muito na minha vocação, pois foi a primeira vez que experimentei a realização do sonho do nosso Fundador: que o mundo seja uma só família. Pois, éramos três italianos, dois espanhóis, um dos USA e eu de brasileiro, como noviços. Mas todos nos sentíamos na mesma família. Também durante o período de Teologia na Itália tiveram vários fatos que me ajudaram a fortalecer a decisão tomada tantos anos atrás. Ali também nós éramos 25 estudantes de oito países diferentes. Essa experiência foi desafiadora, e ajudou muito a moldar a minha vocação.
Fui ordenado no dia 29 de abril de 2006 em Centenário do Sul. Depois de um mês, no dia primeiro de junho de 2006, morre meu pai, depois de ter lutado contra um câncer no cérebro por cinco anos. Também esse fato me ajudou a amadurecer na decisão. Na vida existem tantos fatos, pessoas, situações que Deus coloca para que a decisão vocacional, assim como o ouro é forjado no fogo, seja purificada.
Finalmente a missão...
Depois de um ano nos Estados Unidos para o estudo da língua, fui destinado para o Japão, onde fiquei por 12 anos. A primeira missão onde fui mandado, depois dos dois primeiros anos de estudo da língua, foi na cidade de Miyazaki, na ilha do Kyushu, sul do Japão. Ali eu tive a primeira oportunidade de entrar em contato com um dos meios de apostolado que os Missionários Xaverianos utilizam no Japão, que é o trabalho nas creches. Além do trabalho na creche, fui pároco de uma paróquia.
O trabalho nas creches é um importante meio para o nosso trabalho missionário, mesmo que os resultados não se veem em curto prazo. Um dos pontos mais positivos que este trabalho nos dá, consiste nos contatos que temos com as famílias das crianças. Esses contatos são mais ou menos longos, de acordo com quantos filhos o casal tem, e por quantos anos eles colocam as crianças na creche. A creche trabalha com crianças que vão dos três aos cinco anos de idade. Depois disso, as crianças entram na escola normal japonesa. O objetivo principal do nosso trabalho na educação é aquele de anunciar Jesus Cristo. As famílias das crianças conhecem melhor a Igreja e assim, o campo é pronto para “jogar a semente da Palavra de Deus”. Nós apenas semeamos a Palavra de Deus, mas temos a fé que essa Palavra um dia vai dar muitos frutos, pois quem faz germinar e crescer é Deus. E nós somos apenas humildes semeadores.
Volta para o brasil
Depois de 12 anos de missão, os meus superiores me pediram para voltar para o Brasil. Voltei no ano de 2019. Primeiramente estive na comunidade de Londrina, onde por cinco anos tive a função de coordenador da comunidade, assistência aos nossos padres anciãos e ajuda na paroquia Nossa Senhora de Fatima. No ano de 2024 fui destinado para a paroquia Sagrado Coração de Jesus, na periferia de São Paulo, onde estou atualmente. Aqui ajudo na paroquia como vigário. É uma realidade muito viva e animada, com 12 comunidades. Queremos caminhar juntos para que cada vez mais Jesus seja conhecido e amado por todos.
Mensagem...
Sempre gostei de pensar que antes da criação do mundo, antes mesmo que cada um de nós existisse, Deus nos escolheu pessoalmente para entrar em uma relação de filhos com Ele. Jesus morrendo por nós nos colocou no mistério de amor de Deus Pai, através do Espírito Santo.
Cada um de nós é chamado por Deus a viver como irmãos e irmãs de Jesus, nos sentindo filhos de um mesmo Pai. Esse é um dom que destrói qualquer projeto exclusivamente humano. Não podemos cair na tentação de nós sentir autossuficientes até o ponto de fechar o nosso coração ao plano de Deus para cada um de nós. O amor de Deus, através do seu filho Jesus, pela força do Espírito Santo nos chama. Para responder a esse chamado de Deus não precisa ser perfeito.
A fragilidade e os limites humanos não são um obstáculo, porque contribuem para nos fazer entender que precisamos da graça de Deus. Devemos nos lembrar da recomendação de Jesus: “A messe é grande, mas poucos são os operários! Orai para que o dono da messe mande operários à sua messe! ”. (Mt 9, 37). Não surpreende que, onde se reza com fervor, as vocações florescem.
A santidade da Igreja depende essencialmente da união com Cristo e da abertura ao mistério da graça que opera nos corações das pessoas. Gostaria, portanto, de convidar todos os fiéis a cultivar uma íntima relação com Cristo, Mestre e Pastor do seu povo, imitando Maria, que guardava no seu coração os divinos mistérios e os meditava assiduamente (Lc 2, 19).
E se Deus estiver te chamando para se consagrar totalmente a Ele, não feche o seu coração!





















