Fazer do mundo uma só familia
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Xaverianos
Xaverianos
Quarenta e dois anos sacerdote e bispo. Ao menos por quarenta e duas vezes o sacerdote e bispo Conforti deve ter meditado o mistério do Natal em suas homilias. Ano após ano, deve ter meditado os múltiplos aspectos e mensagens deste mistério. Achei por bem revisitar as meditações de São Guido sobre o Natal como celebração da esperança, tendo em conta que estamos iniciando um ano jubilar cuja mensagem central é a esperança, conforme a bula de proclamação: «A esperança não engana» (Rm 5, 5).
Para São Guido o Natal nos anuncia que a esperança não enganou e não engana.
- A esperança não decepcionou!
Ainda que consciente e até lamentando a situação de erros e pecados em que se encontra a humanidade, são Guido prefere ver nela uma ardente sede de Deus. O povo de Deus e toda a humanidade deseja e espera. Depois do pecado ecoa a promessa do Pai: “Voz do Pai que ama e que promete um Salvador. Mesmo com olhar em pranto os progenitores olham para o céu e entre nuvens enxergam num ângulo de céu sereno, aproximar-se o Libertador de longe, bem de longe” (FCT 17, p. 69).
O bispo Guido em várias catequeses descreve a espera dos patriarcas, dos profetas e de todo povo de Deus: “Surpreendidos pela morte não acreditam terem sido enganados, mas adormecem na doce esperança que chegará o dia em que o mandado por Deus, o libertador, visitará os túmulos, tocará os seus ossos áridos e as suas cinzas esquecidas”.
São Guido acredita que toda a humanidade espera um salvador: “Não acreditem, irmãos e filhos caríssimos, que essa espera pertença somente ao povo de Israel. Todos, do oriente ao ocidente, invocam um Salvador”.
E pretende provar sua crença enumerando os povos com suas histórias, tradições e lendas nas quais se deslumbra a eventual chegada de um libertador: Chineses e egípcios, mexicanos e escandinavos, gregos e romanos.
São Guido é um contemplativo: “Certamente Deus é em todo lugar. Preenche a natureza com suas harmonias e suas ternuras. Esta presença não preenchia os desejos humanos. A pessoa humana sentia necessidade de ouvir a voz de Deus, de vê-lo, de aproximar-se dele e conhecer suas perfeições. Desejo que era o eco da promessa do futuro Libertador vindo do céu, promessa formulada quando da saída do Éden”.
Natal! Agora pode vê-lo, Deus é um recém-nascido: agora se pode escuta-lo chorar, é verdadeiro homem com as fragilidades de qualquer ser humano. Hoje a esperança é realizada, os anjos comunicam a notícia: “O anjo disse-lhes: “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa-Nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor.” (Lc 2,10-11).
- Natal, esperança que não decepciona.
O Verbo se fez carne! Deus se apresentou ao mundo como recém-nascido, como pessoa humana convocada a crescer carregando em si a semente da esperança. Contemplando o presépio São Guido vê Aquele que “realiza plenamente todas as coisas”; ouvindo os anjos cantar se entusiasma e experimenta a “mesma alegria da humanidade quando contemplará o Rei subir ao trono e o Cordeiro terá salvado o mundo”; vendo a pobreza do berço e da roupa descobre a decisão do menino de nos sanar, nos salvar e nos tornar felizes: “Sobre o berço de Belém, hoje os anjos cantam exultante: glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade. Em um dia futuro como eco a este hino de júbilo repetirão com o mesmo entusiasmo e com igual alegria: ao Rei elevado ao trono, ao Cordeiro, Salvador do Mundo, bênçãos, honras e glória ao longo de todos os séculos. (...). Aproximemo-nos daquele berço sem nos escandalizar pela pobreza em que é colocado, escutemos os ensinamentos que o divino menino nos ensina. Os seus pequenos membros, os seus choros, aquela palha, as suas roupas surradas nos falam que nos quer sarar, salvar, fazer felizes”.
Natal é um alvorecer que reacende em nós a esperança gloriosa e segura, do dia pleno em que a lâmpada será o Cordeiro, hoje criança. São Guido define o Natal “A grande aurora da nossa libertação”.


















