Fazer do mundo uma só familia
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Xaverianos
Xaverianos
Congregação dos Regulares: impossível aprová-las
O exame das Constituições, ou seja, a descrição constitucional do carisma xaveriano passa, então, para a S. Congregatio super consultationibus regularium, dicástero ao qual compete a aprovação das Constituições dos religiosos. Aqui, a reprovação é total, não cabendo apelação. Os consultores dizem que as Constituições escritas por Guido M. Conforti se distanciam, em muitíssimos pontos, das “Normas” e, se fossem aprovadas, ocorreriam “não uma, mas muitas e graves exceções”. Um consultor escreveu:
“Sobretudo, eu diria que não é possível aprová-las segundo os critérios das Normas. Seria inteiramente uma exceção”.
Indiscutivelmente, as Constituições Xaverianas não poderiam ser adequadas às normas vigentes, de fato “algo novo estava germinando”! Radicalmente evangélica, não podia ser constrangida nas regras canônicas!
Celebremos esta soleníssima recusa em aprová-las. Sinal claro de que São Guido sentiu-se livre das normas e distanciou-se das “regras”, seguindo apenas sua “experiência no Espírito”. Foi preservado, no texto da Constituição, “todo o estilo (no que) diz respeito à alma de seu Fundador”. O mesmo consultor relata que “abundam as exortações aptas a formar as almas dos missionários”. Por esse motivo, não podiam ser aprovadas. Ainda bem, celebremos esta reprovação! Era exatamente isto que São Guido desejava. Formar as almas dos missionários!
Depois desta derrota, o Fundador retira-se para La Verna, durante mais de um mês, (julho/agosto de 1918) consagrando todo o tempo à oração e à correção minuciosa do texto, que mais uma vez, foi encaminhado à Congregação dos Regulares, em 1920.
Intervenção do Papa Bento XV
Um fato extraordinário e inexplicável acontece. O cardeal Prefeito, ao invés de entregar as cópias das Constituições Xaverianas aos consultores para examiná-las, pede audiência ao Papa em 15 de junho, e pede e obtém que, em derroga do Código e Direito Canônico, a Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras passe totalmente, mesmo naquilo que diz respeito à vida religiosa, para a jurisdição da Propaganda Fide.
O que levou o Cardeal Teodoro Valfrè di Bonzo a apresentar tal pedido ao Papa? O padre Teodori s.x. diz que a Congregação dos religiosos desejava, como Pilatos, “lavar suas mãos”. Já padre Ballarin s.x. escreve que a Congregação dos regulares “preferiu livrar-se do problema”.
Esses dois autores acrescentaram uma observação. O consultor Mauro Serafini, que havia reprovado, sem dar espaço a apelação, essas mesmas constituições, tornara-se secretário da Congregação dos religiosos, portanto, mais uma vez, elas não seriam aprovadas. Comemoremos este indeferimento também.
As Constituições dos missionários xaverianos, do modo como foram desejadas e redigidas pelo Fundador, São Guido Maria Conforti, não foram aprovadas pela congregação competente, a “Congregatio super disciplina regolarium”. Por esta congregação não podiam serem aprovadas pois: “Tudo era uma exceção”. Devem ser lidas e meditadas não com as regras mesmo ótimas do jurista, mas aos pés do crucificado.
Depois de décadas, nós finalmente devemos reconhecer que o diálogo amoroso com o Jesus Crucificado, iniciado quando Conforti era adolescente, e que continuou por toda sua vida, levava-o a fazer propostas fora do comum, não em harmonia com os costumes e as leis vigentes, mas com as lógicas aprendidas aos pés da cruz. Pelo “critério das regras”, não era possível perceber que “algo novo estava germinando”.
Então, pode-se dizer que elas foram acolhidas e aprovadas pela intercessão direta do Papa ou (talvez melhor dizer) por uma misteriosa presença da Providência divina.
Uma vez na mesa da Propaganda Fide, as Constituições Xaverianas finalmente puderam ser aprovadas da forma como o Fundador desejava: não um árido documento jurídico, mas um texto capaz de:
Fazer conceber um elevadíssimo conceito da vocação apostólica, de dar unidade de espírito e de governo à nossa Sociedade, de prescrever tudo o que for necessário à formação e manutenção de tal Espírito.
Acredito que tudo isso tenha sido influenciado pela amizade existente entre o Bispo de Parma e o Bispo de Bolonha (1908-1914), Giacomo Della Chiesa, eleito Papa com o nome de Bento XV. Durante seis anos, eles tinham sido bispos de dioceses da mesma região, e os dois encontravam-se frequentemente, para reuniões regionais.
Não interessam os caminhos que o Espírito escolheu para que o algo novo, que estava germinando, entrasse na Igreja, talvez sem o perceber; importa finalmente tomar consciência das novidades que são propostas.
Cabe a mim, xaveriano, o compromisso de descobrir a novidade que o Espírito inspirou a Conforti e comprometer-me a amá-la, vive-la e difundi-la!





















