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Fazer do mundo uma só familia

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Xaverianos

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Revista Digital N. 5 dezembro 2025

Vida xaveriana

Olhos fixos no crucificado a esperança

  • Pe. Alfiero Ceresoli s.x.
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Acredito, embora possa estar enganado, que em nossa família missionária estamos dando pouca atenção ao tema fundamental do XVIII Capítulo Geral. Por mais de quarenta vezes sentimos ecoar a palavra carisma... carismático, família carismática xaveriana. Os documentos capitulares afirmam a presença, na Igreja, de um carisma nosso, próprio, com um estilo e uma espiritualidade inspirada a São Guido. Carisma único, mas que pertence a toda a Igreja. Os capitulares chegam a pensar numa “cultura Xaveriana” com capacidade de construir uma “gramática” missionária atualizada.

O XVIII capítulo alcançou uma meta fundamental se lembramos a história da nossa família. Paradoxalmente nos reconduz ao Vaticano II: “Reverte em bem da Igreja que os Institutos mantenham a sua índole e função particular” (LG 43). O nosso capítulo afirma: “Nosso carisma pertence a toda a Igreja”. Aparecem, nos documentos de nosso último capítulo, linguagens propostas com força pelo Concílio: “A Igreja defende e favorece a índole própria dos vários Institutos religiosos”. O documento Perfectae Caritatis recomenda o retorno às “fontes” e a fidelidade à inspiração do Fundador (primigeniam institutorum inspirationem ) e à função própria, “função necessária” pela construção da Igreja. As famílias de consagrados “vêm aumentar as riquezas espirituais, tanto em proveito dos seus próprios membros como no de todo o Corpo de Cristo”.

É um desfio! A Igreja defende e favorece a “minha índole”, o meu carisma, mas eu, xaveriano, que tijolinho, original, próprio, carismático ofereço à Igreja para o seu crescimento?

Quero recordar que o Fundador da minha família missionária inicia um discurso sobre a paixão de Jesus pedindo insistentemente de não fixar a atenção sobre os sofrimentos cruéis e reais, mas na mensagem evangélica primária. Na contemplação confortiana a paixão revela um amor, “exagerado”, “sem medida”, uma “caridade que aconselha” o Filho do homem a acolher o caminho da cruz. Contempla nella a revelação do rosto do Pai.

O Papa Leão me ajudou a descobrir esta dimensão carismática da nossa vocação, ao dizer comemorando os mártires: Aos pés da cruz de Cristo, nossa salvação, descrita como a “esperança dos cristãos”.

Palavras que despertaram a memória de uma belíssima página confortiana, escrita em seu retiro do 1913, quando celebrava o 25º aniversário de sua ordenação sacerdotal.

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Contempla o Crucificado e escuta Jesus que se faz advogado defensor dos que estão pregando seus pulsos no madeiro: “Eles não sabem o que estão fazendo”. Guido continua ouvindo: a segunda palavra é a de conforto ao bom ladrão: “hoje estarás comigo no paraíso”. Tinha oferecido tudo, nota São Guido, faltava ainda um presente, tinha mais uma herança a nos deixar. De fato, escuta um “testamento”: “Mulher eis aí o seu filho... Eis aí a sua mãe”.

O bispo Guido, agora com 25 anos de sacerdócio, continua ouvindo o Filho entregar-se nas mãos do Pai e um militar confessar: “De fato, esse homem era mesmo filho de Deus”. A escuta se torna oração: “Esse homem, um filho de Adão, nosso irmão segundo a carne, é Deus. Sim, sim, vamos repetir nós também: Ele é Filho de Deus, nossa vida, nosso refúgio, nossa esperança”.

Um homem, amaldiçoado por Deus, pois morreu pendurado ao lenho da cruz, morto no suplício mais cruel e mais tetro, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, este homem é esperança.

Na cruz reconheço um Irmão que no momento das minhas falhas se coloca no meio, entre eu e o Pai, e intercede: “perdoa, por favor, não sabe”! Como não se colocar em suas mãos com plena e total esperança? Na cruz contemplo um “deus humanado” que recebeu do Pai todo poder e que por essa força me abre as portas do Paraíso. Ali chego acompanhado e abençoado por uma Mãe.

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Fortaleço minha esperança pelas palavras de Jesus Cristo Crucificado. Entre elas uma é fundamental e ilumina todo o dramático “espetáculo” da cruz: Pai. Mesmo quando o Filho se sente abandonado, o Pai continua sendo Pai. São Guido medita:  Esta palavra Pai encerra o sentimento no qual deve se inspirar a alma cristã quando ora: amor de filho para Deus, que é nosso Pai. Quanta paz, quanta alegria, quanta esperança deve encerrar para nós! Quanta preocupação inútil, quantos medos extirparia, se bem compreendido este nome santo e suave. A sua contemplação continua e se aprofunda. Talvez escuta entre as tantas palavras que o grande Crucifixo lhe havia dito, palavras não pronunciadas pelo Crucificado, mas escutada pelo seu espírito extasiado: Do alto de sua cruz no Gólgota, fez ecoar o grito: “Glória a Deus, ao Pai Celeste, que veste os lírios do campo e nutre os pássaros no ar”. Palavras de confiança e esperança, certamente não pronunciadas por Jesus crucificado, mas “todos os ensinamentos contidos no santo Evangelho são compendiados no Crucifixo. Ele nos fala com uma eloquência que não tem igual; com a eloquência do sangue”.

São Guido e com ele o xaveriano pode cantar a esperança, no tempo de paixão assim como no tempo da ressurreição:

Ó Cruz, salve, única esperança,

nesta glória triunfante!

(neste tempo de Paixão!)

aumenta a graça aos piedosos,

e apaga os crimes dos culpados.