Fazer do mundo uma só familia
Fazer do mundo uma só familia
Xaverianos
Xaverianos
Os teólogos da vida consagrada chamam de Keritma, da Karis, graça; o Vaticano II, simplesmente “proprium”, pessoalmente prefiro a imagem do marca-texto.
Ninguém jamais viu Deus (Gv 1,18); Mora em luz inacessível (1 Tm 6,16). Mesmo quando o mistério é revelado (Cfr. 1 Cor2,6-9), fica sempre além das nossas compreensões. Mil aspectos e novos rostos podem ser descobertos, conhecidos e vividos: “Revelados a nós pelo Espírito”.
Solenidade da ressurreição, mistério infinito... O Fundador da minha família missionária em suas meditações evidenciou uns mistérios no Mistério infinito da Páscoa! Provavelmente este é o Keritma que o Espírito lhe doou para enriquecer a Comunidade Cristã.
Para conseguir enxergar o evidenciado, o “proprium”, talvez seja útil lembrar que Guido Maria Conforti viveu sua vida adulta quase sempre em clima de guerra. Entra em Parma quando fervia a luta entre camponeses e proprietários. No discurso da posse (1908) adverte: “Vocês, ricos e proprietários, capitalistas que considero, igualmente, como meus filhos caríssimos em Jesus Cristo, nunca se esqueçam de que os operários de suas oficinas, os trabalhadores de seus campos são seus irmãos, porque filhos de um mesmo Pai, redimidos a um mesmo preço e destinados a uma mesma glória, portanto, vocês devem considerá-los e tratá-los como tais”.
Segue a primeira guerra mundial que de fato não termina com o Tratado de Versalhes (1919), mas continuou numa competição, subterrânea mas real, entre as diferentes nações da Europa. Pretendiam dividir o mundo e cada uma ficar dominando uma parte. Preparou-se deste modo a segunda guerra mundial. Também a Itália, privada de colônias, as queria: guerras em Eritrea (1882-1941), Somália (1890-1960), Líbia (1911-1943) ... Brigando conseguiu um atracadouro até num porto da China! Quanto Inglaterra e França humilharam o Império Chinês e seu povo!
Páscoa em guerra como em nossos dias. Solenidade da Ressurreição com rivalidades e contraposições geopolíticas.
O bispo de Parma não tem medo em afirmar: “As nações europeias agarram as terras conquistadas com a rapacidade dos abutres que se aventam sobre a preda”... “São os triunfos gotejando sangue de todos os conquistadores da terra”.
Bem diferente do triunfo de Cristo! Não um território, uma colônia, um povo para o próprio domínio, mas “uma soberania universal sem limites de lugar e de tempo”.
Páscoa, nesta perspectiva confortiana, é a entrega do universo ao Filho: Isso mesmo, irmãos, o mistério escondido pelos séculos, hoje é revelado em todo a sua luminosidade. O Condenado e morto pregado a um patíbulo infame se torna o conquistador do mundo.
Entretanto... “Ele não reina com a força das armas e com o terror dos exércitos, mas com a persuasão e com o amor oferecido às inteligências e aos corações. Seu reino é reino de verdade e de justiça, reino indestrutível das almas”. Aliás: “Deus reinava da árvore”.
“Foi obediente até à morte na cruz. O Eterno agora glorifica seu Unigênito com um triunfo inigualável. Lhe deu um nome que está acima de qualquer outro nome, uma autoridade frente à qual se dobra todo poder, no céu, na terra e nos abismos. Ele recebeu a herança de todos os povos”.
Pela ressurreição Jesus se torna o soberano universal. Sua realeza chega até os últimos confins da terra. Seu triunfo nunca acaba.
Evidenciando este mistério o Santo da fraternidade universal recebeu do Pai a herança de todos os povos, é Rei imortal dos séculos é legislador dos povos. Por isso, uma sociedade guiada pelas leis do Evangelho é possível. Nos é permitido sonhar uma convivência humana iluminada por uma fulgurante luz celeste. Uma fraternidade humana repleta de vida, de criatividade, de alegria, de esperança.
Apesar de sermos em tempo de rivalidades, Conforti nos convida a “esquecer por alguns instantes a tristeza do momento em que vivemos”. A glória e a soberania de Jesus Cristo nos ajudam a “ignorar de estarmos vivendo nesta terra”. Cabe-nos, no entanto, “continuar a missão divina do Redentor”.





















