Cresçamos na fraternidade

O Pe. Augustin Mukamba Bahige sx, após o serviço no Brasil Sul, a partir de outubro de 2020, está em Parma (IT) como formador da Teologia Internacional . A seguir escreve o seu testemunho, lê os acontecimentos de sua vida, destes 11 anos de consagração definitiva, 10 anos de ordenação sacerdotal, 8 anos como missionário no Brasil, agora o novo começo com formador na Itália... “O Senhor não poderia ter sido mais bondoso conosco” (CT 1).
“Dai graças ao Senhor porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia” (Sal 117); porque eterno é a sua bondade, porque eterno é o seu amor por mim e por minha família religiosa. É com essas palavras do salmista que gostaria de começar esse pequeno testemunho sobre a Carta Testamento escrita por nosso pai fundador cem anos atrás. De fato na Carta de indicção do ano jubilar xaveriano 2020- 2021, a Direção Geral nos convidava ao agradecimento a Deus pelo dom do carisma xaveriano na Igreja, à verificação da nossa resposta a esse belíssimo dom recebido e ao comprometimento em vista de oferecer uma resposta, uma contribuição adequada ao Projeto de Deus.
Pela providência divina nesse ano jubilar estarei celebrando os onze anos da minha consagração definitiva dentro da família xaveriana, os dez anos de sacerdócio ministerial, concluindo uma experiência missionária de oito anos no Brasil Sul e iniciando outro ciclo da experiência missionária no país do nosso pai fundador. Tudo isso é fruto da providência, da bondade e da misericórdia divida porque “o Senhor não poderia ter sido mais bondoso para conosco” (CT 1). Permitem-me expressar alguns sentimentos depois da leitura da Carta Testamento. Lembrando que propositalmente usarei, nesse testemunho, o “me e o nós” porque é uma carta que convida a uma interiorização pessoal e comunitária.
1. O grandioso coração do pai
“Aos caríssimos Missionários presentes e futuros” assim inicia a Carta Testamento. São palavras que oferecem sentido a tudo aquilo que vai ser falado depois para o fundador ao longo da carta. Sinto que eu já estava no coração do fundador antes mesmo de nascer, antes de sonhar entrar na família xaveriana. Nesse momento me vem na mente a vocação do profeta Jeremias “antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jr 1,50). É a carta escrita por um pai de um coração grande, no coração dele cabia já os seus filhos presentes naquele momento e futuros que hoje sou um deles! Sinto-me importante portanto para o nosso fundador, sinto-me filho de fato da família. Que bonito fazer parte de uma família, deste projeto de Deus gravado no coração do nosso fundador. Sinto pessoalmente que o “caríssimo” usado pelo fundador no inicio da carta é mais do que uma palavra formal como pode ser usada em muitos outros contextos. Para mim ressoa como uma palavra muito carregada de sentido; a importância de cada filho diante dos olhos do pai. Cada filho é muito amado, muito querido pelo pai, nada pode substituir o lugar do filho no coração de um pai. Esse sentimento me faz pensar que Conforti conhece o nome de cada missionário xaveriano, inclusive o meu nome! Bonito demais esse sentimento de filho amado pelo pai.
2. A beleza de um projeto
A Carta Testamento desperta em mim cada vez mais a admiração pelo projeto de Deus confiado ao fundador e depois a cada um de nós. Na Carta testamento o fundador expressa claramente essa realidade dizendo: “cada um de nós esteja pois intimamente convicto que a vocação, à qual fomos chamados, não poderia ser maior nem mais nobre” (CT 1). Fazer parte desse projeto enche o meu coração de alegria. Quero continuar dando a minha pequena contribuição para fazer do mundo uma só família em Cristo, essa é a beleza desse projeto: “levando assim nossa pobre contribuição para a realização do vaticínio de Cristo, que deseja a formação de uma única família cristã que abrace a humanidade” (CT 1). Nascido dentro de uma família simples, humilde e numerosa, é com humildade e simplicidades que continuo acolhendo na minha vida esse projeto de Deus. O tema da família é muito precioso para mim, acredito firmemente na família. Quando o fundador fala de uma família cristã que abrace a humanidade isso mexe comigo sempre, essa fraternidade universal. O mundo é uma família e todos nós somos irmãos; é somente nesse sentido que podemos rezar o verdadeiro Pai nosso!
3. Em cima de tudo o Amor fraterno
“Oh, como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos” (Sal 132,1). Eis um outro elemento da carta testamento que fala muito alto para mim depois de falar da família e da beleza do projeto: o Amor fraterno. É claro que esse último é de suma importância por isso o fundador expressa na carta dizendo: “Nós também com amor por Deus, devemos alimentar em nossos corações a caridade para nós e para os irmãos e sobretudo para aqueles que formam conosco uma mesma família religiosa” (CT 9). Na minha vida experimentei muito o amor de Deus desde o nascimento, na minha família natural e hoje na minha família religiosa. Acabo entendendo que vale a pena sacrificar a vida pela fraternidade. “Tudo deve ser sacrificado generosamente no altar da harmonia fraterna, que torna a convivência feliz, consolida e faz florescer as instituições”. A nossa instituição, a nossa família só se solidifica quando conseguimos viver da melhor forma possível a fraternidade. Alegro-me de ter retomado a leitura da Carta Testamento nesse momento especial para a nossa família, o ano Jubilar.
Venho aqui expressar a minha gratidão à Direção Geral que me deu essa oportunidade de expressar o que eu sinto lendo a Carta Testamento. É claro que tenho muita coisa para dizer sobre essa carta mas nesse momento precisava limitar-me às duas páginas indicadas pela Direção Geral. Quero terminar esse momento fazendo um pedido para meus irmãos da família xaveriana: acreditemos mais na fraternidade, cresçamos mais na fraternidade, penso esse ser o profundo e maior desejo do nosso pai fundador expresso na Carta Testamento. Deus abençoe a nossa Família religiosa pela intercessão de Nossa Senhora, de São Guido Maria Conforti, nosso pai fundador, e de São Franciso Xavier nosso padroeiro.
Pe. Augustin Mukamba Basubi sx
