Mãe de Guadalupe navega em águas amazônidas

Na tarde de 15 de outubro de 2025, um rio de fé e emoção tomou conta das águas do Rio Tucumanduba, no município de Abaetetuba (PA). A Comunidade de Nossa Senhora de Guadalupe abriu oficialmente a festividade de sua padroeira com o tradicional Círio Fluvial, um momento de profunda devoção e identidade amazônica.
Com o tema “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia”, a romaria começou na Comunidade de Nossa Senhora de Lourdes. De lá, a imagem carinhosamente chamada de “Lupita” como os devotos locais chamam sua Mãe de Guadalupe, foi conduzida em uma bela berlinda sobre as águas, acompanhada por dezenas de embarcações enfeitadas e cheias de fiéis emocionados.
O espetáculo da fé se desenhou no rio: casas coloridas, bandeirinhas tremulando ao vento, barcos pequenos e grandes navegando juntos, e um povo vibrante, que expressava sua devoção em louvores, cantos e lágrimas de gratidão. Era impossível não se arrepiar ao ouvir os gritos que ecoavam pelas margens:
“Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Viva, viva, viva!”
Entre orações e cantorias, muitos fiéis se aproximavam da imagem para pagar promessas e agradecer bênçãos alcançadas. Era comovente, olhar pessoas simples, de fé firme, tocando a berlinda e deixando as lágrimas caírem como preces silenciosas sobre o rio.
A alegria também se fez dança: coreografias espontâneas, ‘olas’ nas embarcações lembrando as ondas amazônicas, e um coral de jovens que entoava cânticos com vigor e ternura. Um dos momentos mais marcantes veio da voz pura de um menino de sete anos, que cantou o Magnificat com tamanha devoção que fez muitos se emocionarem, especialmente sua mãe, que chorava, dançava e agradecia a Deus pelo dom da fé.
Quando uma chuva repentina ameaçou ninguém desanimou, ao contrário, os devotos ergueram as mãos e cantaram juntos “Chuva de graças pedimos a Ti”, transformando o momento em símbolo da perseverança e da confiança em Maria. Logo, o céu se abriu e um clima ameno acompanhou toda a procissão, como um sinal das bênçãos derramadas.
Ao cair da tarde, já na chegada da imagem à comunidade, fogos de artifício iluminaram o céu e o povo, tomado pela emoção, entoava: “Louvado sejas, meu Senhor!”. Era hora do tradicional hasteamento do mastro, com a bandeira de Nossa Senhora de Guadalupe subindo ao alto, colorindo o ar e marcando o início oficial da festividade.
Em seguida, a imagem foi levada em procissão até a igreja, onde os fiéis participaram da Santa Missa, em sua homilia, o sacerdote refletiu com sabedoria sobre a missão de Maria e o significado da oração “Salve Rainha”, que guia este ano jubilar da comunidade.
O Círio de Guadalupe 2025 ficará na memória e no coração de quem viveu esse dia: uma experiência de fé viva, comunitária e profundamente amazônica, onde Maria continua navegando pelos rios e pelos corações de seu povo, levando consigo a ternura e a misericórdia de Deus.












