O oásis ao fim do deserto

  • Wagner Gonçalves
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Neste período de quaresma, a Igreja nos convida a refletir sobre os caminhos que tomamos no dia a dia. Desde a quarta-feira de cinzas, somos chamados a nos associarmos ao próprio Jesus no deserto.

No entanto, podem existir diferenças em como trilhar esse ambiente, ora árido, ora solitário. Como fazer brotar do seco deserto água da vida?

“Tempo de conversão”, assim nos é definido esse tempo. Deveríamos seguir ao pé de letra este termo? Se tomarmos literalmente, conversão é o ato de mudar de direção, tomar outro rumo. Podemos ir além, conversão também pode ser conceituada como dar um passo a mais. Ora, se caminhamos em direção ao Reino de Deus, logo devemos continuar neste sentido.

Contudo, nos são oferecidas novas rotas, novos caminhos e, por isso, devemos manter os olhos atentos às sinalizações que o Cristo nos propõe. Se em uma rodovia desejamos ir em direção ao norte, porque ‘converter’ em direção ao leste? É preciso reconhecer, também, quando não se está na estrada adequada e encontrar o retorno mais próximo.

As sinalizações nos são dadas a partir de exercícios que nos preparam para a conversão. Reduzir a velocidade, trocar a marcha, ou mesmo as sinalizações, como as setas, tendem a preparar para a mudança de direção, para outra via. Dessa mesma forma, a oração, o jejum e a caridade podem nos preparar para a mudança espiritual.

Quando não se tomam esses cuidados, o caos impera no trânsito: as buzinas, os xingamentos e, mais gravemente, os acidentes. No campo espiritual isso não é diferente, pois sem oração estamos propensos a fazer barbeiragens. No livro do Êxodo (16, 35), os hebreus abandonaram diversas vezes os bons hábitos para enfrentar o deserto e, por isso, se tornaram descrentes e desobedientes.

Apesar das muitas provas que o Senhor deu ao povo sobre o amparo e amor, os antigos escravos do Egito olharam apenas para seus próprios interesses e se esqueceram de orar, jejuar e praticar a caridade. Quando não se tem esses artifícios, pode cair maná do céu, o mar se abrir ou jorrar água de pedra: o coração continuará cerrado.

Era preciso mudança de hábito e entrega total à nova vida, ter em mente o novo destino para, então, sinalizar. A falta de confiança não deixava que aquele povo enxergasse a riqueza que lhes era proposta. Diferentemente de Jesus quando enfrentou o deserto e as tentações pessoalmente. Encarando-as de frente, Ele se fundamenta nas Sagradas Escrituras para rebatê-las.

A conversão também consiste em dizer não aos novos caminhos propostos, por isso Jesus também foi convidado a viver o deserto e, por conseguinte, a essa conversão. Tomemos por exemplo essa fidelidade extrema para também encontrar, mesmo em campo estéril, uma fonte de amor, que se revela na Páscoa da Ressurreição.

(Por: Wagner Gonçalves, seminarista Xaveriano)