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Os Missionários Xaverianos não dispõem de nenhuma receita a não ser o nosso trabalho evangelizador e as doações dos amigos benfeitores. O nosso Fundador, São Guido Maria Conforti, quis que confiássemos na Providência de Deus que nunca deixa desamparados seus filhos. Invocamos sobre você e sua família, por intercessão de São Guido Maria Conforti, as bênçãos de Deus.
Atenciosamente,

Redação da Família Xaveriana


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A seguir o Pe. Arnaldo De Vidi conta sua vocação e história vocacional como Missionário Xaveriano a luz do centenário da Carta Testamento. Ele trabalha há muitos anos no Brasil. Atualmente ele é pároco do paróquia-santuário do Perpetuo Socorro em Abaetetuba (PA).

Uma família

Aos 20 anos eu estava no Seminário de Treviso e decidi acolher o convite do Senhor de sair da minha terra (Leik leikà, que nem Abraão) e ser missionário. Fui ter uma conversa com meu Diretor Espiritual que me sugeriu de pesquisar sobre os quatro Institutos Missionários Italianos, mas recomendou-me o Instituto de Parma, porque de bom nível e “com ar de família”. Eu fui em Parma num domingo e fui recebido com alegria pelos estudantes de teologia. Havia uma festa que não lembro, motivo para ter um copinho de licor no almoço e uma representação teatral à noite. Foi amor à primeira vista. Nossa vida é feita de pormenores, quem não sabe?

Pois bem, no noviciado me deparei com a Carta Testamento que é um hino à família religiosa. “Além da caridade para com Deus, devemos alimentar em nosso coração a caridade (...) para  com aqueles que formam conosco uma mesma família religiosa e com os quais temos em comum a vida, o ideal, o trabalho, os merecimentos, a direção, tudo, na espera de ter também em comum... a própria gloria celeste” (9).

Em particular, no último parágrafo da Carta, o Fundador se revela como pai-e-mãe. “E neste momento em que sinto toda a suavidade da caridade de Cristo, muitíssimo mais forte de que todo afeto natural e dominado pela grandeza que nos une numa só família, abraço com efusão do coração, como se aqui estivessem presentes, todos quantos deram o nome ao nosso Sodalício e a quantos irão dá-lo no futuro” (11). Que emoção: eu me senti abraçado pelo Fundador, junto com os demais xaverianos.

Com os confrades sempre me sinto em família. Sei tantas coisas dos padres mais velhos, dos coetâneos e dos um pouco mais novos do que eu. Lamento não ter boa memória para gravar o nome dos mais recentes. Por todos rezo, em particular nas Laudes. Tive a alegria de trabalhar em pequenas comunidades xaverianas muito unidas. Me foram confiados e acompanhei com afeto uns confrades em dificuldades; sofri por uns dramas.

Considero como vontade de Deus (de acordo com o Fundador) que a nossa congregação seja um ícone para a humanidade a fim que “se faça do mundo uma só família”. 

abaeteA vida religiosa

Na Carta o Fundador reserva muito espaço aos votos. Ele resume numa frase: “A vida apostólica, unida à profissão dos votos religiosos, constitui por si o que de mais perfeito se pode conceber, segundo o Evangelho” (2). Então a profissão é um valor em si, mas para nós e orientada à vida apostólica.

Na minha cidade havia o Instituto do PIME, no qual não entrei porque não é Instituto Religioso. Trata-se de vocação e trata-se de desejo de “radicalidade”. Especialmente na juventude se entende que Jesus pede de deixar tudo, apostar tudo, até cantar (no Noviciado) de suspirar a palma do martírio. E o Fundador diz que a profissão dos votos é uma espécie de martírio.

A profissão é dar a Deus não só os frutos, mas também a planta; é um segundo batismo, início de uma nova vida. O Fundador nem acena à renúncia de formar uma família com esposa e filhos. O missionário é tão empolgado com sua missão que chega logo ao “ponto sem retorno”; é “ad vitam”, é ter vida doada, sem carreira, sem segundas finalidades. Eu experimentei que com os votos tudo fica simplificado (importante, para mim que, como poeta, não gosto de complicações); a gente se sente livre: só Deus basta!

Vida missionária

A vocação do xaveriano é vocação a “trabalhar com ardor sempre crescente na propagação do Evangelho em terras infieis,...  para a formação de uma única família cristã que congregue a humanidade toda” (1). Nas entrelinhas da Carta Testamento eu li o nome de um país imenso, a China. Preparei-me e prontifiquei-me para ser missionário na China. Tive a sorte de viver com os chineses por três anos, dialogando e testemunhando. Até escrevi um livro sobre a cultura chinesa que tinha impressionado o Fundador.  No Brasil entendi que evangelizar é um “processo”, para todos e para a vida inteira.  “Me consumo do desejo de dar almas a Cristo” (8). 

Cristocentrismo

Aos sacerdotes diocesanos que me pediam qual seja a espiritualidade xaveriana, eu respondia sem tergiversar: a espiritualidade xaveriana é cristocêntrica. Dir-se-á que todo o cristianismo coloca Cristo e o Reino de Deus no centro. Então acrescento com o Fundador que é “intimidade e totalidade de Cristo Crucifixo com os cristos crucifixos do mundo”. O encontro de Guido criança com o Crucifixo, foi experiência “fundante”. O Fundador nos pede de ter Cristo “diante dos olhos da nossa mente e ele nos acompanhará por toda parte, na oração, no altar, no estudo, nas múltiplas atividades do ministério apostólico, nos frequentes contatos com o próximo, no sofrimento...” (7). Esta espiritualidade é alta e profunda. O xaveriano não precisa procurar outra mais recente: neopentecostal, neocatecumenal, neo...

Um famoso verbita brasileiro lembrava que a espiritualidade que recebeu de sua congregação bebia do devocional dos camponeses alemães. Nossa espiritualidade tem água do próprio poço, ou seja, Jesus e os que viveram mais perto dele: Maria, José e os apóstolos. (8) Nada de uma pletora de santos. É espiritualidade adulta. Em particular, aqui no Brasil, entendi a graça de uma espiritualidade que coloca Cristo em tudo e em todos. Cristo continuou sua missão de estabelecer o Reino de justiça , paz e festa no Espirito Santo (Rm 14,17), mesmo quando mandavam recados que ele se retirasse, calasse, senão... (senão teria morrido jovem de morte matada). Ele continuou fiel à sua missão. Por isso foi morto e o Pai o ressuscitou!

Num mundo marcado pela injustiça, armamentismo, desigualdade, tristeza, a nossa evangelização só tem sentido trilhando o mesmo caminho de Cristo. Graças a Deus, as Constituições evidenciam o que na Carta Testamento está nas entrelinhas: o evangelho é boa nova aos pobres: a opção pelos pobres, não virtual, mas real, concreta, é dever do missionário.

Pe. Arnaldo De Vidi sx


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Sou padre Paulo, missionário xaveriano, italiano. Comecei a minha caminhada xaveriana com 11 anos d…