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“Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.” (Jo 10,14)

Todo ano, o quarto domingo da Pascoa é dedicado ao Bom Pastor e à Oração pelas vocações.

Para compreender melhor a figura do Bom Pastor temos que voltar ao antigo Testamento especialmente no capítulo 34 de Ezequiel. Nesse capítulo Deus repreende seus pastores por não terem cuidado de suas ovelhas. A profecia começa com a palavra “Ai” que é conhecido por ser uma repreensão forte. Depois o profeta enumera as acusações de Deus contra os pastores:

  • Terem se apascentado em vez de apascentar as ovelhas;
  • Não tem fortalecido as ovelhas fracas;
  • Não terem curado a doente;
  • Não terem ligado a quebrada;
  • Não terem buscado a perdida;
  • Apesar de tudo isso dominaram sobre elas com rigor e dureza.

A consequência dessa falta de cuidado e mau tratamento foi que, de acordo com o Profeta Isaias, as ovelhas de Deus se espalharam e viraram presas de lobos de todo tipo. Por isso Deus decidiu tirá-las das mãos dos pastores corruptos para confiá-las a um só pastor, Davi (mas que para nós prefigura Jesus Cristo como Bom Pastor).

Um outro texto sagrado que nos ajuda a compreender a figura do Bom Pastor é o Salmo 23. É um salmo muito famoso e amado pelo povo. Me lembro que na primeira paróquia onde trabalhei, visitava famílias e na maioria das casas que entrei tinha uma bíblia aberta num altarzinho e quase sempre a página da bíblia aberta era no Salmo 23. “O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo".

Celebrando essa festa do Bom Pastor, queremos renovar essa consciência que temos um Pai, um Deus, um Bom Pastor que cuida de nós de uma maneira especial. Especialmente nesses momentos difíceis de pandemia, precisamos mais do que nunca sentir a presença e a proximidade do nosso Bom Pastor.

Me lembro de umas das frases mais famosas nos caminhões, NÃO SOU DONO DO MUNDO, MAS SOU FILHO DO DONO. É isso mesmo, não somos qualquer pessoa, somos filhos de Deus, somos ovelhas do bom Pastor. São Pedro na sua carta diz; “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1Jo 3,1). Podemos dizer: - Olha que grande presente de amor e cuidado que o Pai nos deu! ter o seu filho como nosso Bom Pastor e sermos suas ovelhas.

Esse Bom Pastor é capaz de deixar noventa e nove ovelhas na montanha para ir atras de uma só ovelha perdida (Lucas 15, 4-7). Essa ovelha perdida pode ser cada um de nós e é bom saber que Jesus nos ama de uma maneira particular. Em seu coração, cada um tem um lugar único, insubstituível, especial. Cada ovelha é única.

Esse amor é como o amor de uma mãe com muitos filhos. Ela tem um amor igual para todos os filhos, mas no caso de ter um filho doentio, a atenção e o amor da mãe vão ser dobrados para aquele filho que precisa de mais atenção, mas ao mesmo tempo, ela não se esquece dos outros filhos. É isso que faz o Bom Pastor quando ele vai a procura da ovelha perdida, ele a encontra fraquinha, magra, machucada por ter ficado muito tempo longe da Vida. Ele a recolhe, faz curativos nas suas feridas e depois carrega-a nos seus ombros para voltar para a segurança do rebanho.

O Bom Pastor fala que ele dá a sua própria vida pelas ovelhas. Essas não são palavras vazias, porque sabemos que na cruz, Jesus não poupou a sua própria vida pelas suas ovelhas, que somos nós.

Celebrando essa festa do Bom pastor é uma oportunidade também de nos lembrarmos que somos pastores, de uma maneira ou outra, cada um nas situações que Deus o colocou, seja como mãe de família, pai, padre, religioso, religiosa, enfim, a real pergunta é como cada um de nós lida com as pessoas que Deus colocou sob o nosso cuidado. Cuido com paciência, solicitude e amor ou só domino sobre eles com muito rigor e dureza que nem faziam os pastores encontrados na profecia de Ezequiel capítulo 34?

Essa festa nos lembra também que somos ovelhas. A pergunta é, que tipo de ovelhas somos? Num mundo cheio de falsos pastores querendo roubar ovelhas do Bom Pastor, será que sabemos escutar a sua voz e o seguir com prontidão, sem arrumar desculpas ou fugir para longe Dele? Será que não somos ovelhas desobedientes ou teimosas nos nossos pecados? A verdade é que longe Dele viramos presas de todos os lobos do mundo. Longe Dele não temos nenhuma segurança, amor e cuidado. Longe Dele, enfraquecemos, adoecemos até com perigo de morte. Hoje é o momento talvez, de revermos a nossa relação com Ele, e, se por acaso quebramos a nossa afiliação com Ele, ainda dá tempo de nos levantarmos e voltarmos ao rebanho, para perto do nosso Bom Pastor.

Rezemos também pelas vocações para que Deus escolha muitos homens e mulheres, leigos e leigas, sacerdotes, religiosos e religiosas comprometidos com a construção do Reino de Deus, homens e mulheres discípulos-missionários. O Papa Francisco, na sua mensagem dedicada a esse dia de oração pelas vocações, cita São José, nesse ano jubilar dedicado a ele, dizendo que temos três elementos a aprender de são José: SONHO, SERVIÇO E FIDELIDADE. 

OREMOS. Deus eterno e todo-poderoso, conduza-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Pe. Elvis Ndihokubwayo, sx


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