
“Os leigos encontram-se na linha mais avançada da vida da Igreja. Demos graças pelos leigos que arriscam, que não têm medo e que oferecem razões de esperança aos mais pobres, excluídos e marginalizados” (Papa Francisco)
Quando me solicitaram o testemunho de pessoas engajadas nos diversos espaços de missão, para que o mesmo promova a oração e o convite vocacional, pensei mais a respeito do que é ser Leiga Missionária. Na mente surgiu algumas questões: Quem é a Leiga Xaveriana? Onde surge a Missionária? Eu sou natural de Tupã, SP, tenho 53 anos. Sou Professora da Rede Estadual da Educação do Estado de São Paulo, Leiga Missionaria Xaveriana. E há 38 anos moradora da cidade de Hortolândia, SP.
A experiência do chamado enquanto cidadã e mesmo enquanto leiga nasce da formação e da tomada de consciência de classe que foi construída ao longo dos anos. Caminhada esta que passa pela mudança do interior do Estado de São Paulo (Tupã) para a cidade de Hortolândia, em 1985, numa Paróquia acompanhada pelos Missionários Xaverianos (Pe. Arnaldo de Vidi, in memoriam).
Foi participando nos grupos de jovens, onde a orientação e caminhada prezava sempre a formação religiosa (retiros e curso de agente pastoral), social e sócio-política-econômica, que o meu chamado foi se dando. E a resposta fica mais evidente em 1993, com a presença do Pe. Leão Ochio e padre Alberto Panichella. Com eles, continuei pautando minha formação e vivência nas atividades da Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Jardim Rosolem, cultivando uma fé encarnada em Jesus Vivo e participando na PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular). Foram anos de trabalhos junto a juventude a nível paroquial, estadual e nacional.
Compreendo que o meu aprendizado como missionária é contínuo, pois faço, ainda hoje, um movimento de passar do olhar individualista para um olhar que procura alcançar o mundo inteiro e seus diversos povos. Esse olhar amoroso de Jesus com os excluídos aprendi com os Missionários Xaverianos. E isso eu procuro alimentar: na leitura da bíblia encarnada na vida do povo de Deus; na consciência de classe da qual pertenço; no trabalho com a juventude excluída e do meio popular; na escolha de minha formação acadêmica (sou professora da Rede Estadual); na militância social-política por um país onde todos tenham qualidade de vida.
Os anos passaram e acabei indo morar numa área de Paroquia Diocesana. Porém, cinco anos atrás, fui convidada pela Iracilda (Nega) à participar do grupo dos Leigos Missionários Xaverianos da Paróquia São Guido Maria Conforti, cidade de Hortolândia, SP. Compreendo que os desafios da missão enquanto Leiga Missionária Xaveriana são aqueles de ser fermento na massa, no ordinário da vida: na família; na igreja; no trabalho; no mundo da política e da cultura; nos movimentos populares; nos meios de comunicação. O cotidiano é o espaço para testemunhar, com a palavra e a vida, a mensagem de Jesus Cristo.
Enquanto Leiga Missionaria Xaveriana, sou chamada a colaborar também com os Missionários Xaverianos na Animação Missionária e Vocacional, bem como no primeiro anúncio. É uma vivência que se dá em um caminho de partilha e de discernimento em vista da realização de projetos comuns, de um serviço concreto e eficaz dentro da Igreja.
Agosto é o Mês Vocacional, mês que nos convida a rezar por todas as vocações: a sacerdotal, a diaconal, a matrimonial, a religiosa, a laical e a de catequista. Entendo a vocação como um desafio e uma resposta de amor. Papa Francisco nos lembrou que “o chamado do Senhor não é evidente, como tantas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária”. Por isso, é preciso se “preparar à uma escuta profunda da sua Palavra, prestar atenção aos seus detalhes diários e aprender a ler os sinais dos tempos com os olhos da fé”. “Permanecer no amor de Deus”, eis a vocação que carregamos enquanto cristãos.
Encerro esse testemunho pedindo que Nossa Senhora Aparecida e São Guido Maria Conforti renovem em cada um de nós o ardor missionário. Amém, axé, awerê, aleluia!
(Rosana Borbalan, lmx)








