Os inimigos da santidade

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Pelagianismo e gnosticismo, "inimigos sutis" da santidade

No segundo capítulo da Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate Papa Francisco lembra entre outras coisas aquilo que define “duas falsidades da santidade que poderiam nos levar para trilhar um caminho errado: o gnosticismo e o pelagianismo”.

Mais uma vez o Papa Francisco fala destas duas heresias que nasceram nos primeiros séculos cristãos e que continuam a ser de alarmante atualidade. Na realidade o que interessa não é o desenvolvimento histórico e sim as influências que ainda afetam a Igreja e que têm uma matriz nas duas heresias. A Santidade é graça e vem de Deus e é um fruto, um dom na vida da Igreja. Como dizia a Constituição dogmática ‘Lumen Gentium’, a santidade ‘constantemente se manifesta nos frutos da graça que o Espírito produz nos fieis’ (LG 39). Ou seja; a santidade não é conquista depois de um esforço, não é como diria G. Valente uma montanha que vamos subir sozinhos. Neste sentido planejamentos pastorais e estratégias eclesiais não produzem santidade por que o iniciador e realizador da santidade é Jesus Cristo. Existem santos por que Cristo está vivo entre nós e continua a agir nas pessoas, acariciando e mudando as vidas das pessoas. E neste sentido de santidade, as heresias do pelagianismo e do gnosticismo atrapalham a vida e a fé dos fieis na Igreja.gaudete

Pelagianismo: Jesus somente como um ‘bom exemplo’. Santo  Agostinho dizia que o erro dos seguidores do pelagianismo era que eles identificavam a graça de Cristo somente com o exemplo de vida dEle, e não com o dom da presença dEle. Pelágio, monge do V século, dizia que a natureza do ser humano não tinha sido ferida pelo pecado de Adão: todos os homens, portanto, simplesmente com força da própria boa vontade, podiam escolher o bem e evitar o pecado. Cristo era simplesmente na visão de Pelagio um bom exemplo que devia se contrapor ao mau exemplo de Adão e Eva, um mestre de vida moral e ética, e nada mais. A Exortação Apostólica ‘Gaudete et Exultate’ em continuidade com o magistério da Igreja reafirma que ninguém pode ser santo e viver a santidade seguindo os passos de Cristo sem a intervenção da graça de Cristo. Papa Francisco cita o segundo Sínodo de Orange que em 529 disse que “até o desejo de pureza nasce em nós pela intervenção do Espírito Santo”. E cita também o Catecismo da Igreja Católica para lembrar que a doutrina da absoluta necessidade da graça deveria ser ‘uma das grandes convicções definitivamente interiorizadas pela Igreja’ haja vista o fato de que esta convicção ‘faz parte do coração do Evangelho’ (55).

Gnosticismo: viver um cristianismo desencarnado. De acordo com a heresia do gnosticismo, a salvação consistia num processo de autodivinização, um caminho de conhecimento no qual o sujeito devia tomar consciência do divino que já possui dentro de si. A fé cristã sublinha que a salvação e a felicidade dos seres humanos são um dom gratuito de Deus, dom que vem de Deus. E a graça de Deus entra na vida das pessoas, dos santos, gera santidade: neste sentido as histórias dos santos já canonizados e de todos nós chamados a viver a santidade são histórias ricas de fatos, sinais, acontecimentos nos quais podemos tocar a presença da graça e da Providencia de Deus agindo na vida das pessoas. A mentalidade do gnosticismo que engana, continua o Papa, escolhe, entretanto, sempre o caminho dos raciocínios abstratos e formais quais ‘domesticando algo que é mistério’ (40).

Como Igreja nós acreditamos que “Deus supera – nos infinitamente, é sempre uma surpresa e não somos nós que determinamos a circunstância histórica em que o encontramos já que não dependem de nós o tempo, nem o lugar, nem a modalidade do encontro. Quem quer tudo claro e seguro, pretende dominar a transcendência de Deus”. (41). O perigo do gnosticismo é entrar numa visão da vida em que tudo no fundo é simples ideia, raciocínios, conhecimentos. Se tudo, como dizem os seguidores de gnosticismo, for simplesmente uma mensagem, uma ideia, mesmo a ideia de Cristo ou a ideia da graça, prescindindo da realização concreta e eficaz, então a missão da Igreja vira só um marketing, uma propaganda, uma tática para divulgar simplesmente ideias.

O Papa Francisco, como escreve G. Valente, está rezando para que seja o Senhor Deus da vida a libertar a Igreja das novas formas de gnosticismo e de pelagianisimo que podem destruir o caminho de muitos ‘rumo à santidade’ (62). O intuito da ‘Gaudete et Exultate’ é de convidar a todos para buscar cada dia mais o rosto dos santos presentes no meio da história do povo de Deus reconhecendo  a santidade das pessoas como sinal real e eficaz da presença e da misericórdia de Cristo.

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