Será que são autênticos os serviços religiosos online?

A sociedade está conectada em rede, criando novos paradigmas nas relações sociais, econômicas, políticas e religiosas. O novo contexto digital trouxe rigorosas mudanças também, no modo de conceber a Evangelização, de maneira especial em tempos de pandemia. Para evitar aglomerações os serviços religiosos foram suspensos nos espaços físicos e passaram a serem transmitidos virtualmente, criando a Igreja digital.
Lembramos que toda ação religiosa, é uma relação simbólica mediada pela pessoa e pela instituição. Essa mediação ganha um novo aspecto ao ser incorporada pelos meios de comunicação de massa. Isso, evidentemente, traz consequências diretas para a Igreja, no que diz respeito às relações entre mundo moderno e a atividade religiosa.
Os espaços geográficos e institucionais sempre tiveram grande importância na Igreja Católica, mas a chegada pandemia do covid-19, aumentou a introdução das novas tecnologias para poder chegar a mensagem cristã até as pessoas. Com o uso do ciberespaço, algumas palavras como “perto” e “longe”, “dentro” e “fora”, perderam o sentido que carregavam antigamente referentes à geografia, e ganharam outra dimensão. O uso da Web abriu novas possibilidades para as pessoas religiosas, em tempos de pandemia. Criou uma nova maneira de comunicação com o transcendental e divino.
Esta nova realidade veio para ficar, a pandemia passará, mas o uso dos médios digitais nos serviços religiosos continuará. A religião está sendo reformulada e reconstruída coletivamente pela participação digital. Inclusive, o ciberespaço religioso está sendo (re)construído pelas instituições religiosas. De tal modo, se (re)criam ambientes fluidos entre o privado e o público, entre a instituição e a pessoa, entre a autoridade e a autonomia individual. Surge uma forma de relacionar-se com o universo religioso impulsionada pelo mundo digital estabelecendo uma nova interação com o sagrado.
“Deus se faz digital”, a religiosidade passa a ser vivida de modo online, a pessoa se conecta com o sagrado mediado pelo mundo digital. A religião migra para o espaço virtual, criando, a "ciberreligião", fora do tempo e do espaço geográfico, que atua como Igreja doméstica. Os médios digitais são o melhor modo para potencializar e divulgar o Evangelho. Por esta razão, quase todas as paróquias estão online, disponibilizando os serviços religiosos, com transmissões ao vivo.
Ainda bem que, na atual situação estamos usando como nunca, as novas tecnologias em prol da Evangelização. Porém, não podemos nos deixar de questionar, sobre a autenticidade das experiências religiosas, por exemplo, passamos da participação eucarística para “assistir” missa. Ainda existe o questionamento sobre a experiência comunitária: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20).
Lembramos que, o papa João Paulo II, em 2002, na mensagem no dia mundial das comunicações sociais afirma "...as relações mantidas eletronicamente jamais podem substitui o contato humano direto, necessário para uma evangelização autêntica, porque a evangelização depende sempre do testemunho pessoal daquele que é enviado para evangelizar". Porém em tempos de pandemia não existe outra opção, a não ser “assistir” os serviços religiosos por estes meios. Contudo, ainda fica o questionamento, será possível praticarmos a religião online no sentido de uma experiência profunda?
Rafael Lopez Villasenor, sx.








