Acordo entre Santa Sé e Palestina ajuda cristãos do Oriente Médio

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Cidade do Vaticano (RV) - “O acordo global” entre a Santa Sé e o “Estado da Palestina”, cujo alcance foi anunciado o 13 de maio, completa um itinerário iniciado em 1994, quando foram oficializadas as relações do Vaticano com a OLP (Organização para a Libertação da Palestina, ndr).

O acordo, que será ratificado num futuro próximo – explicou o subsecretário das Relações com os Estados, Mons. Antoine Camilleri, que guiou a delegação vaticana –, “tem a finalidade de favorecer a vida e a atividade da Igreja Católica e o seu reconhecimento a nível jurídico, inclusive por um seu eficaz serviço à sociedade”.

Ao mesmo tempo, ele expressa o auspício por uma solução da questão palestina e do conflito entre israelenses e palestinos no âmbito da "Two-State Solution” (Solução dois Estados).

O prelado recordou que, apesar do clamor suscitado pelo uso do termo “Estado da Palestina”, para a Santa Sé o mesmo não é uma novidade.

“Em 29 de novembro de 2012 – declarou – foi adotada pela Assembleia Geral da Onu a resolução que reconhece a Palestina como Estado observador não membro das Nações Unidas, e no mesmo dia a Santa Sé, que tem também o status de observador junto à Onu, publicou uma declaração.”

Já no Anuário Pontifício do ano passado, no elenco do corpo diplomático, o título “representação da OLP” foi substituído por “representante do Estado da Palestina”.

A primeira reação do governo israelense foi negativa. Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores afirmou que o acordo “não ajuda no processo de paz” e “distancia a liderança palestina do retorno às relações bilaterais”.

A agência missionária AsiaNews pediu um comentário ao professor Bernard Sabella, católico, representante do Fatah para Jerusalém e secretário executivo do serviço aos refugiados palestinos do Conselho das Igrejas do Oriente Médio.

Para nós, palestinos, é um momento de alegria, que esperamos se reflita e tenha implicações em nível político e religioso de toda a região do Oriente Médio.

Apreciamos muito o papel do Vaticano numa ótica de paz e de reconciliação, e seu trabalho incessante para manter os cristãos, e não somente os palestinos, na região, no signo de uma relação aberta e amistosa com os outros atores presentes. O passo dado pelo Vaticano é uma mensagem simples e clara, não uma questão diplomática.

O alcance do acordo entre Vaticano e Estado palestino é o desdobramento natural da posição que o Vaticano sempre teve sobre a necessidade de reconhecer o Estado palestino de um lado, e, do outro, do direito dos palestinos a ter um Estado. Como o Vaticano sempre disse, não pode haver paz se Israel e Palestina não alcançarem um acordo que garanta um Estado aos palestinos.

O Vaticano também observou com atenção o desenvolvimento das relações na região e na Europa, com a Suécia que recentemente reconheceu o Estado palestino e a França que está seriamente considerando a oportunidade do reconhecimento propriamente dito, que vá além do voto que houve de uma moção não vinculadora.

O reconhecimento da Palestina é também uma mensagem a Israel, mensagem que expressa a impossibilidade de poder haver um futuro de paz e reconciliação sem a solução dos dois Estados.

A mensagem que nos dá, dois dias antes da canonização das irmãs palestinas, é que os cristãos são parte integrante da sociedade como essas duas religiosas. Elas, que serviram não somente à comunidade local, mas a toda a sociedade em circunstâncias difíceis. Um exemplo que deve ser seguido não somente pelos palestinos, cristãos e não cristãos, mas por todos os árabes cristãos.

Essas duas santas nos dizem que nós, cristãos, somos parte da sociedade, este modelo de santidade é um convite a praticar a fé no seio da sociedade.

Além disso, o reconhecimento do Estado palestino e a canonização das duas irmãs é também uma mensagem não somente para os cristãos da região, mas também para os árabes e para os muçulmanos. Quer expressar que a Igreja é por todos, pela aplicação dos direitos de todos e a favor da justiça, a fim de que todos possam viver em paz e harmonia.

A presença de uma delegação palestina na celebração, formada por cristãos, bem como pelo presidente palestino Abu Mazen e muçulmanos, é um sinal da aceitação de que o Oriente Médio precisa de todos seus cidadãos para construir um futuro distante de conflitos, violências, guerras e perseguições. Um mundo aberto a todos, uma mensagem muito forte, nós amamos todos no Oriente Médio e celebramos as duas santas palestinas, cujo amor pelo povo deve ser guia futuro para todos. (RL)


(from Vatican Radio)