Experiência Missionária em Oiapoque, fronteira com Guiana Francesa

  • Ruth Tavares
  • Artigos
0
0
0
s2smodern
0
0
0
s2smodern
powered by social2s

A Missão nas Fronteiras em Oiapoque (Amapá) é um projeto do Regional Norte II. Iniciativa do COMIRE como resposta aos apelos da Igreja em Aparecida (uma Igreja em saída) e agora com o Papa Francisco. E também como gesto concreto da CF de 2014, sobre Tráfico Humano.

A missão iniciou em maio de 2015. Estamos em Oiapoque: Ir. Terezinha Vilhena Teixeira – Instituto das Missionárias do Coração Eucarístico de Jesus, vinda de Belém, Ir. Maria Zenilda Cruz Ferreira – Congregação das Ir. Missionária da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, vinda do Ceará, e eu Ruth Oliveira Tavares – missionária leiga, da Paróquia São Francisco Xavier, de Belém. Esta missão vem sendo acompanhada por Pe. Nello  do Pime e Ir. Rebeca Notridame que moram em Belém.

No primeiro momento, fomos ás ruas e bairros mais distantes para conhecermos a realidade da cidade, visitando as famílias, escutando suas histórias e sentindo a problemática de suas vidas. Descobrimos uma realidade sofrida e desafiadora em Oiapoque.  As mais gritantes são as drogas, violência à mulher, prostituição infantil, tráfico de crianças, migrantes desenfreada e violência aos indígenas.

Conhecendo toda essa situação, iniciamos um trabalho de prevenção contras as drogas nas escolas da cidade e em algumas Aldeias e também um trabalho nas escolas sobre tráfico humano.

 img 1 small580Oiapoque, por ser cidade de Fronteira, tem todos os desafios, e mazelas.

Choque de culturas: índios de várias etnias, quilombolas, franceses, guianenses, e pessoas vindos de vários estados do Brasil. Descobrimos uma realidade muito gritante em relação à violência sexual à criança e a mulher, casos de prostituição infantil e adultos, um forte avanço das drogas, que hoje atinge até as Aldeias Indígenas, muitas mortes provenientes dessa realidade.

Muita pobreza, pessoas que vem de outros estados em busca de trabalho, ainda pensando em entrar nos garimpos ou Guiana Francesa, que chegando aqui não conseguem e ficam na rua ou em barracos de lona, com isso caem nas mãos de traficantes e aliciadores com muita facilidade, às vezes até vendendo ou trocando seus filhos menores para a prostituição.

É realmente uma realidade dolorida e sofrida, aqui no Oiapoque, muitas das vezes nos sentimos com as mãos atadas, diante de tanta necessidade e violência sem saber o que fazer ou a quem recorrer, pois não se sabe em quem acreditar e confiar. Os órgãos públicos responsáveis nem sempre resolve, e não se tem confiança, como Conselho Tutelar, Cram, Policia.

Nosso trabalho é voltado para a prevenção, orientação e cuidado com as pessoas vitimadas dessas mazelas, nos fazendo presentes em suas vidas, mas tudo com muita discrição e cautela, mas sempre mostrando o rosto misericordioso de Deus.

Mas, não desisto, diante de tanta dificuldade, pois se Deus me chamou e enviou para esta cidade é aqui que Ele me quer, sinto-me feliz por poder estar colaborando com esses irmãos tão sofridos, que precisam de atenção e carinho, mesmo quando não temos nada o que fazer, estamos lá com palavras de conforto e encorajamento. Está á a Alegria do Evangelho, estar a serviço dos menos favorecidos.

Um certo dia fui procurada por uma família de uma das comunidades da cidade, que me pediu ajuda para encontrar os familiares do Sr. Rodolfo Ventimiglia, que veio de Belém para Caiena, para trabalhar nos garimpos, a mais de 20 anos, e por não ser legalizado, foi expulso do garimpo e veio parar em Oiapoque a muitos anos atrás, e perdeu todo os seus documentos, o que impossibilitou de retornar a Belém.

Este senhor ficou perambulando na cidade, envolvendo com drogas, álcool, até ser encontrado pelo Sr. Nonato e Sra. Augusta, que o acolheram, no final do ano passado. Quando descobriram que ele era de Belém e sem documentação me pediram ajuda, na Missão nas Fronteiras, imediatamente entrei em contato com alguns amigos de Belém, mas não tive êxito, então mandei uma mensagem no Grupo da Paroquia São Francisco Xavier, em Belém, que localizaram a família Ventimiglia.

Entramos em contato, com a irmã do Sr. Rodolfo. Logo em seguida, com a colaboração da Missão nas Fronteiras de Oiapoque, o Sr. Elizeu Ventimiglia, pai do Rodolfo, veio até Oiapoque para rever este filho que já o tinham como morto, segundo informações obtidas alguns anos atrás. E no dia e, 30 de abril de 2017, pela  graça de Deus, pai e filho se reencontraram retornam a Belém, após 30 anos sem se verem. 

Mais um caso resolvido pela Missão nas Fronteiras, e com a ajuda dos meus amados irmãos da Paroquia São Francisco.

Ruth Tavares (Missionária Leiga).