Quaresma, tempo de conversão

  • Fernando García Rodríguez
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 MENSAGEM DO SUPERIOR GERAL - Queridos irmãos, temos iniciado o caminho quaresmal. Um rito simples, uma mensagem bíblica acompanhou o sinal das cinzas que recebemos em nossas cabeças “convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

O essencial está na Palavra de Deus como luz e força de mudança em nossa vida.

A Quaresma é uma preparação para vivermos o evento central da nossa vida: a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Todo ano a Igreja como mãe nos convida a percorrermos este caminho. Que possamos acolher esta Quaresma com alegria e confiança!

As coisas que se repetem podem se tornar uma rotina e por causa disso poderiam perder aquela força que as caracteriza. E se não ficarmos atentos, isso pode acontecer também durante o tempo da quaresma e até no tempo pascal.

Papa Francisco, como todos os anos, ofereceu-nos uma mensagem do Evangelho de Mateus: “A maldade se espalhará tanto que o amor de muitos esfriará” (24,12). Gostaria de sublinhar algumas palavras da reflexão do Papa Francisco para caminharmos juntos com a Igreja inteira nesta quaresma tempo de graça. Deixemo-nos guiar pelas palavras dele. “Diante de eventos dolorosos, alguns profetas falsos enganarão a muitos a tal ponto de ameaçar esfriar nos corações a caridade que é o centro do Evangelho”.

Os profetas falsos

O Papa Francisco se pergunta: “o que fazem os profetas falsos?”. Eles têm duas atitudes:

  • “Eles são como os mágicos que ‘encantam as serpentes’; ou seja, exploram as emoções humanas para escravizar os irmãos e conduzi-los aonde eles quiserem”. O papa lembra o fascínio do prazer efêmero e a ilusão do dinheiro.
  • “Outros profetas falsos são aqueles charlatões que oferecem soluções simples e imediatas”. E o papa lembra entre outros daqueles que estão presos dentro de uma vida totalmente virtual”. Desde sempre o demônio que é ‘mentiroso e é pai da mentira’ (João 8,44), apresenta o mal como se fosse o bem o falsidade como se fosse a verdade: tudo isso para confundir o coração do homem”. Cada um de nós, portanto, é chamado a viver o discernimento no seu próprio coração e a examinar se está sendo afetado pelas mentiras dos profetas falsos.

Um coração frio

O papa Francisco continua e nos convida a nos perguntarmos: “como é que a caridade definha em nossa vida?” Quais são os sintomas que nos sinalizam que em nós o amor poderia desaparecer?”. O papa afirma:

  • “Aquilo que mata a caridade é principalmente o apego ao dinheiro” com todas as consequências que derivam disso.
  • “A natureza, também, torna – se testemunha silenciosa deste esfriamento da caridade”.
  • “O amor desaparece, também, dentro das nossas comunidades. Os sintomas mais evidentes desta falta de amor são: a acídia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação do isolamento e de fazer guerras, a mentalidade mundana que nos incentiva a ocuparmos – nos somente daquilo que é aparência diminuindo assim o ardor missionário”.

O que fazer?

“A igreja nos oferece neste tempo quaresmal o doce remédio da oração, das doações e do jejum”.

“Dedicando mais tempo à oração, podemos fazer com que o nosso coração descubra as mentiras escondidas com as quais estamos enganando a nós mesmos: o convite é sempre buscarmos a consolação que vem de Deus”.

“O exercício da esmola nos liberta do apego ao dinheiro e nos ajuda a reconhecer o outro como nosso irmão: aquilo que possuo, nunca deve ser somente meu. Gostaria muito que a esmola se transformasse para todos nós num verdadeiro estilo de vida e que também nos nossos encontros do dia a dia diante as necessidades dos irmãos que nos pedem ajuda pudéssemos pensar que este pedido é um apelo da Divina Providência”.

“O jejum, finalmente, diminui a nossa agressividade, desarmando-nos e constitui uma valiosa oportunidade de crescimento em nossa vida”.

O fogo da Páscoa

Continua papa Francisco: “Convido principalmente os membros da Igreja a percorrer com dedicação o caminho quaresmal praticando a esmola, o jejum e a oração. Se a caridade parece definhar em muitos corações com certeza nunca vai esfriar no coração de Deus! Deus nos proporciona sempre novas oportunidades a fim de que possamos recomeçar a amar”.

Boa Quaresma!

  • Pe. Fernando García Rodríguez, sx

Superior Geral dos Xaverianos.