O papel da religião e da educação na construção de uma cultura de paz

  • Marcelo Ávila
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(desde Camarões) - Analisando o cenário político-social do Brasil e de alguns países em outros continentes, não é difícil de perceber o crescimento desordenado da violência e de mortes violentas, sobretudo entre os jovens.

Podemos falar de uma sociedade desordenada que busca a todo preço soluções rápidas para os problemas complexos que revelam a vulnerabilidade das políticas públicas de segurança que estão sendo implantadas nos diferentes tipos de governos.

A solução imediata para um problema complexo não representa necessariamente seu fim ou sua destruição total. A solução imediata age exteriormente enquanto que interiormente o problema persiste e se fortalece. Estamos falando dos diferentes paliativos que estão sendo aplicados com a justificativa de frear as diferentes formas de violência que estamos expostos: guerras, terrorismo, intervenções militares, latrocínio, roubos e assaltos, violência sexual e muitos outros exemplos que podemos citar.

Sem dúvida, o estado deve garantir o direito inviolável à vida e à segurança dos cidadãos e garantir a aplicação da lei em vista do descumprimento da mesma.

A justiça deve ser feita e os cidadãos devem responder pelos seus atos, sobretudo quando os mesmos ferem a harmonia das relações humanas e o bem comum. Infelizmente, mesmo se queremos cortar o mal pela raiz, estamos esquecendo de plantar uma nova consciência que poderá ser a esperança de um amanhã melhor e com menos violência.

Quando olhamos o sistema penitenciário que temos atualmente, não é difícil de perceber que o mesmo não favorece a reabilitação e a reinserção social dos prisioneiros. Pelo contrário, escutamos dizer com frequência que os presídios se tornaram verdadeiras escolas para o crime e que muitos policiais, ao invés de trabalharem para garantir a segurança, são os que promovem a violência.

marcelo3O complexo penitenciário de Bangu tornou-se residência para muitos políticos que deveriam criar leis para favorecerem a segurança da nação. O foro privilegiado blinda os senhores da droga, da exploração sexual, do crime organizado e do trabalho escravo. O direito de ir e vir tornou-se direito de ir e de talvez não voltar mais. O menininho descalço e sem camisa, que bate uma bolinha no alto do morro da favela é apontado como bandido… e assim caminha a humanidade.

Sem dúvida, estamos vivendo uma inversão de valores que é resultado de um processo que vem se fortalecendo ao longo dos anos.

É por isso que o problema é complexo e, mesmo exigindo respostas rápidas, a formação de uma consciência não se alcança de um dia para outro, mas ela é um processo de maturação que exige tempo, investimento e pessoas comprometidas e engajadas. Para ajudar a construir uma nova consciência, a religião e a educação são fundamentais.

Fruto dessa inversão de valores, a religião deixou de ser uma referência na formação da consciência das pessoas. Hoje nos deparamos com processos judiciais que tentam a todo preço retirar os símbolos religiosos das escolas e dos lugares públicos. Discute-se judicialmente a retirada das cruzes das salas de aula e permite-se a entrada de teorias e ideologias manipuladoras, carregadas de discursos vazios e que tentam veicular a ideia de uma falsa liberdade.

Estamos esquecendo que a religião, não somente a religião católica, veicula justamente os valores que estão em extinção nos dias de hoje: amor, fraternidade, justiça, respeito, perdão, solidariedade, paz, união etc. A religião não aliena nem escraviza as pessoas. Pelo contrário, ela é geradora de vida e a mensagem do Evangelho nos liberta das trevas da ignorância e do caminho que promove toda forma de violência.

Alguns países da Europa, sobretudo os que se consideram laicos e onde a religião perdeu completamente a sua influência, estão pagando um preço muito caro e muitos desses países já começaram a reconsiderar posições e leis que foram tomadas para neutralizar a influência da religião na formação da consciência das pessoas. Não queremos devolver à religião o poder político que ele a tinha no passado, porém, consideramos que a sua mensagem tem o poder de construir o bem e a paz.

Gosto muito de uma frase que circula nas redes sociais que diz: “São os pais que educam, os professores abrem a janela do conhecimento”.

Podemos concluir que é nesta janela que está o segredo para a construção de uma cultura de paz e mesmo de uma nação forte e promotora de justiça, igualdade e solidariedade. Infelizmente, quando nos deparamos com a desigualdade salarial e as condições precárias que muitos professores são submetidos, sobretudo os professores da educação infantil, percebemos o quando estamos longe de sermos essa nação forte ou mesmo um país de todos.

A história nos mostra que os países que investiram na educação e que reconheceram a importância dos valores da religião são verdadeiramente países fortes.

marcelo4 educacaoUm país pode construir sua autonomia e sua força investindo apenas em educação, porém é a religião que tem a força e o poder de aproximar as pessoas, de levar amor e esperança aonde não existe e de plantar no coração de todos a possibilidade de construir a tão sonhada civilização do amor.

Portanto, precisamos de uma intervenção educacional urgente! Uma intervenção que comece valorizando os professores, que dê a eles melhores e dignos salários, condições adequadas de trabalho e, sobretudo, o respeito e a dignidade que tem faltado tanto, aliás são eles que tem nas mãos o poder e a missão de abrir as janelas do conhecimento.

Para completar a intervenção, a religião e sua mensagem de vida darão a harmonia final nos ensinando que o caminho para a paz passa pelo amor ao próximo que é meu irmão, meu semelhante.