Qual é o caminho para a Família Xaveriana?

Obrigado por nos interpelar, por dar voz também às nossas expectativas sobre o caminho a ser percorrido para o futuro próximo da Família Carismática!
O lema do próximo Capítulo Geral (CG), "Amar nossa vocação xaveriana", é certamente a constante comum para nós, os leigos xaverianos, que na peculiaridade de vida pessoal, do trabalho feito em sociedade, da origem geográfica, do tipo de serviço prestado à Igreja local, das experiências missionárias ad intra e ad extra vividas, somos uma comunidade de discípulos que escolheram viver nossa vida quotidiana, em qualquer lugar e em qualquer contexto, "em chave missionária" na Espiritualidade Xaveriana.
Sentimo-nos chamados a ser participantes da vocação missionária própria de toda a Família: "ver Deus, buscar Deus, amar Deus em tudo" (LT 10) e em todos; o homem, imagem de Deus a ser descoberta e revelada, nos impulsiona a dar "nossa pobre contribuição para o cumprimento da predição de Cristo, esperando a formação de uma única família cristã, abraçando a humanidade" (LT 1).
Antes de mais nada, queremos enfatizar nosso afinco com o tema da partida, fundamento de nossa vocação, a ser vivida em termos geográficos, ad gentes e ad extra, mas também em termos culturais e psicológicos, para ser uma Igreja em saída, acolhedora, sempre aberta, quebrando todo tipo de barreiras, para encontrar o “Outro” nos outros que alcançamos ou encontramos em nosso caminho diário.
Nossa aspiração é viver cada vez mais o Espírito de Família, o que para nós significa "ser família" - Irmãos que escutam a Palavra e a põem em prática, se formam juntos, fazem discernimento, partilham escolhas, traçam caminhos a serem percorridos juntos, apoiando-se mutuamente; "ser família" - viver relações fraternas com todos, com os não-cristãos e com os destinatários privilegiados do Reino: os pobres, os fracos, os marginalizados, as vítimas da opressão e da injustiça. Por toda parte na terra convivem diferentes povos e etnias, a missão Ad Gentes nos chama a dar testemunho na vida comunitária da "convivência das diferenças", nos exorta a sermos promotores de experiências de encontro entre os povos, a sermos construtores de justiça e paz: derrubar os muros da indiferença e do preconceito, fomentar o enriquecimento social e cultural mútuo, criar relações de amizade, conhecer-nos e reconhecer-nos como mulheres e homens, membros da única família humana.
Numa época em que a missão vem cada vez mais até nós de muitas maneiras e no ordinário de nossas vidas, continuamos a nos questionar sobre o anúncio. Qual missão na era da migração, do diálogo inter-religioso e intercultural? Que forma de presença entre nossos irmãos e irmãs muçulmanos? Que modelo de missão? Como enfrentar o deserto contemporâneo e como fazer dos desafios da humanidade seiva vital para um futuro próspero?
Estas questões têm orientado os cursos de formação dos últimos anos, com a intenção de nos levar de volta ao coração de nossa vocação, para repensar nosso ser Missionários e também nossa relação com toda a Família Carismática. Um forte convite nos vem da Direção Geral: somos chamados a um papel de maior partilha do Carisma, a refletir juntos sobre os fundamentos comuns aos leigos xaverianos de todas as partes do mundo. O caminho percorrido pelos leigos Xaverianos internacionais é um belo exemplo de como trabalhar juntos é rico e estimulante. As situações que vemos na Itália (falta de vocações, idade dos padres avançando, descristianização) estão em diferentes graus presentes em outros países e exigem que nos abramos como uma família a uma maior colaboração entre nós e com os outros.
Em nossa opinião, está se tornando cada vez mais importante viver a nossa vocação a partir da Família Carismática e o contexto em que vivemos nos propõem novos caminhos a serem percorridos juntos, precisamos imaginar estradas novas que nascem de um projeto em comum.
Esperamos que toda a Família Carismática tome consciência de que é necessária uma maior corresponsabilidade. É hora de atualizar alguns pontos dos documentos dos Capítulos Gerais anteriores, que ainda são desconsiderados em muitas realidades locais.
Contamos com o nascimento de comunidades-famílias xaverianas, abertas também a outros leigos e/ou religiosos de outras congregações, uma presença em contato com o povo, um lugar de escuta, acolhida, anúncio, encontros, uma comunidade peregrina em lugares de sofrimento e abandono, que seja "um sinal do Reino, uma profecia de humanidade realizada, um anúncio e testemunho do Deus único e trino, que convida cada homem à comunhão com Ele e com todos os outros homens (cf. C 8, 14; DP 22). Para nós Xaverianos, missão não é uma ação individual, mas comunitária" (Pe. Matiussi sx).
Temos ainda o grande desafio da juventude, desafio de toda a Igreja: como ser missionários para compreender as aspirações profundas dos jovens? Como se comunicar? No centro, mais uma vez, está o relacionamento, a proximidade, poder experimentar aquele Amor gratuito e misericordioso que não julga, mas acolhe, escuta e deixa espaço para a novidade do Espírito que sopra no coração de cada um.
Os desafios de uma "Vida Nova" nos esperam, e só podemos afrontá-los estando no mesmo barco, remando juntos e na direção que só Ele poderá nos indicar, continuando a "amar nossa vocação xaveriana".
Leigos Xaverianos da Itália








