
No dia 11 de abril de 2026, realizou-se, na cidade de Piracicaba, um significativo encontro de animação missionária na casa da Dona Yara, reunindo os Leigos Missionários Xaverianos de Hortolândia juntamente com o grupo local de Piracicaba, na presença do Pe. Jean Dieudonné Ndaboroheye, sx. Este momento de comunhão e formação foi profundamente iluminado pelo tema do Dia Mundial das Missões de 2026 “Um em Cristo, unidos na missão”, que será celebrado no penúltimo domingo em 18 de outubro. Inspirado também pelo lema escolhido pelo Santo Padre para o seu pontificado In Illo uno unum, o encontro favoreceu uma reflexão teológica e espiritual sobre a identidade missionária da Igreja.
O primeiro momento do encontro foi marcado pela oração, escuta da Palavra e partilha fraterna, criando um ambiente propício para uma releitura da identidade missionária à luz da experiência de fé vivida nas comunidades. Ressaltou-se que a missão não constitui uma dimensão secundária ou opcional da vida cristã, mas pertence à própria natureza da Igreja (cf. Ad Gentes, 2). Nesse sentido, ser cristão é, essencialmente, ser missionário. A reflexão destacou que a unidade em Cristo se concretiza nas realidades cotidianas: na família, no ambiente de trabalho, nas relações sociais e na vida comunitária. É nesse contexto que a espiritualidade missionária se encarna, tornando-se sinal visível do Evangelho. De forma inculturada, evocou-se a expressão popular brasileira — “você mora no meu coração” — reinterpretada à luz da fé como abertura ao outro, reconhecido como irmão e irmã, imagem e semelhança de Deus. Assim, o coração do discípulo missionário especialmente os leigos xaverianos se dilata para acolher as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias da humanidade (cf. Gaudium et Spes, 1).
O ponto culminante do encontro foi a celebração da Eucaristia, presidida pelo Pe. Jean Dieudonné, em sintonia com o Segundo Domingo da Misericórdia Divina. A liturgia evidenciou a centralidade do mistério pascal como fonte da vida e da missão da Igreja. Em sua homilia, o celebrante enfatizou de modo particular a identidade missionária dos leigos, destacando que sua vocação não se limita a uma colaboração acessória, mas implica um verdadeiro protagonismo na ação evangelizadora. À luz do Evangelho (cf. Jo 20,19-31), recordou-se que o Ressuscitado concede aos discípulos dons fundamentais para a missão: a paz e o envio. A saudação pascal — “A paz esteja convosco” — não é apenas consolação, mas condição para a missão; e o mandato — “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” — revela que toda a Igreja participa da mesma dinâmica trinitária de envio. Este horizonte missionário encontra expressão privilegiada na missão ad gentes, que permanece atual e urgente. Nesse contexto, destacou-se também o significado do ano de 2026, marcado pelo 110º aniversário da fundação da Pontifícia União Missionária, considerada por São Paulo VI como “a alma das outras Pontifícias Sociedades Missionárias”. Tal recordação reforça a consciência da responsabilidade missionária de todo o povo de Deus e convida a renovar o ardor evangelizador, em sintonia com o carisma xaveriano inspirado por São Guido Maria Conforti, que exorta a anunciar o Evangelho àqueles que ainda não conhecem Cristo.
A partir das reflexões partilhadas, delinearam-se algumas perspectivas para os Leigos Missionários Xaverianos: A misericórdia como princípio eclesial: a experiência da misericórdia divina gera comunidades vivas, acolhedoras e solidárias, nas quais o amor de Cristo se torna visível e concreto. A esperança como fundamento do testemunho (cf. 1Pd 1,3-9): o leigo missionário é chamado a viver uma fé encarnada no cotidiano, testemunhando com a própria vida a esperança que nasce da ressurreição, mesmo sem ver. Da experiência à missão: uma Igreja em saída: a vivência da misericórdia conduz necessariamente ao compromisso missionário. À luz do carisma xaveriano, ressoa com força o apelo paulino: “A caridade de Cristo nos impele” (2Cor 5,14), impulsionando os leigos xaverianos a serem sujeitos ativos da evangelização.
O encontro foi concluído em clima de fraternidade e alegria pascal. A missão é compreendida como herança viva dos Missionários Xaverianos, que se prolonga nas comunidades por meio do testemunho e do compromisso dos leigos xaverianos. Assim, o encontro de animação missionária em Piracicaba reafirma, com renovado vigor, que a missão nasce da comunhão com Cristo, se alimenta da misericórdia e se realiza no envio. A unidade não é apenas um ideal teológico, mas a condição concreta para uma missão fecunda, universal e transformadora. Permanece, portanto, atual e urgente o chamado que orienta a vida missionária da Igreja: “Um em Cristo, unidos na missão!”
Pe. Jean Dieudonné Ndaboroheye, sx.









