
A celebração da festa da Santíssima Trindade nos lembra que a missão da Igreja nasce do próprio Deus trinitário. O Concílio Vaticano II afirma que “a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, pois tem sua origem na missão do Filho e na missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai” (AG 2). Esta afirmação revela que a missão não nasce da iniciativa humana, mas do próprio coração da Santíssima Trindade. A missão é expressão do amor de Deus que se comunica, se doa e deseja alcançar toda a humanidade.
O mistério da Trindade Una e Santa constitui o centro do cristianismo. O Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem em perfeita comunhão de amor e partilha. Esse amor trinitário não permanece fechado em si mesmo, mas transborda para a história humana. O Pai Criador, movido por amor infinito, envia o Filho ao mundo para salvar a humanidade. O Filho, consubstancial ao Pai, encarna-se no seio da Virgem Maria e assume plenamente a condição humana, exceto o pecado, realiza sua missão obediente ao Pai, doando sua própria vida. O Espírito Santo é o fortificar da missão que lança a Igreja em missão.
Do amor entre o Pai e o Filho procede “o Espírito Santo que é o protagonista da missão” (RMi 21). É Ele quem anima, impulsiona e conduz a Igreja em sua tarefa evangelizadora. Desde Pentecostes, o Espírito Santo fortalece os discípulos e os envia a anunciar a Boa Nova a todos os povos e culturas.
A estrutura missionária da Igreja é essencialmente trinitária. A Igreja é “Povo de Deus”, “Corpo de Cristo” e “Templo do Espírito Santo” (LG 17). Sua identidade missionária nasce da comunhão com a Trindade e se concretiza no testemunho, no serviço e no anúncio do Evangelho. O impulso missionário não é algo opcional, mas fruto necessário da vida divina comunicada aos discípulos. Também, o Documento de Aparecida recorda que o dinamismo missionário é consequência do encontro com Cristo e da ação do Espírito na vida da Igreja (DAp 347).
A missão, portanto, antecede qualquer ação eclesial e humana. Deus já está presente e atuante entre os povos e culturas antes da chegada dos missionários (AG 9). A Igreja, enviada pela Trindade, participa da obra divina, colaborando para que todos conheçam o amor salvador de Deus. Cada batizado que abraçam a missionariedade tornam-se sinais vivos da presença de Cristo no mundo.
Portanto, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja continua a missão do Filho, conduzindo toda a humanidade ao seio da Trindade, origem e destino de toda a criação. Assim, a missão é participação no movimento eterno de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que desejam reunir todos os povos em comunhão e vida plena.
Rafael Lopez Villasenor, sx







