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Teologia

Ide e anunciai: a Ascensão do senhor, o envio missionário que continua


Hoje, trazemos a temática do envio missionário, relacionando com a Solenidade da Ascenção do Senhor. Nesta oportunidade conto com a participação de Ir. Maria Rejiane da Mata Dias, Filha da Caridade.

Na Solenidade da Ascensão do Senhor somos convidados a olhar para um momento decisivo da fé cristã: o envio missionário dos discípulos. A liturgia recorda que Jesus ressuscitado, antes de subir ao céu, confia aos seus seguidores uma missão clara e exigente: anunciar o Evangelho a todos os povos. A Ascensão não marca uma despedida definitiva, mas o início de uma nova etapa na história da Igreja.

 O Evangelho é o trecho final do Evangelho segundo Mateus (Mt 28,16-20). Nele, os onze discípulos vão até a Galileia, ao monte indicado por Jesus. A Galileia é um lugar carregado de significado. Foi ali que Jesus iniciou sua vida pública, chamou os primeiros discípulos e anunciou o Reino de Deus. Voltar à Galileia depois da ressurreição é, ao mesmo tempo, retomar as origens e abrir-se para o futuro.

O texto bíblico apresenta um detalhe importante: ao verem Jesus, os discípulos o adoram, mas alguns ainda duvidam. Esse dado revela a humanidade dos primeiros seguidores de Cristo. Eles não são perfeitos, mas homens marcados pelo medo, pela incerteza e pela fragilidade. Mesmo assim, Jesus confia a eles uma grande missão. Isso mostra que a missão da Igreja não depende da perfeição humana, mas da confiança em Deus.

Jesus então se aproxima e diz: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”. Essa afirmação prepara o envio missionário. Não é uma iniciativa pessoal dos discípulos, mas uma missão que nasce da autoridade do próprio Cristo ressuscitado. Em seguida, Ele ordena: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações”. Com essas palavras, Jesus amplia o horizonte da missão. O anúncio do Evangelho não se limita mais a um povo ou a uma região específica, mas é destinado a toda a humanidade.

O envio missionário apresentado por Mateus pode ser compreendido a partir de três ações principais: ir, fazer discípulos e ensinar. O verbo “ir” indica movimento, saída, disposição para deixar para trás a acomodação. A Igreja é chamada a ser missionária, a não ficar fechada em si mesma. “Fazer discípulos” significa acompanhar pessoas, ajudá-las a conhecer Jesus e a seguir seus ensinamentos. Não se trata apenas de transmitir informações, mas de formar cristãos comprometidos com a fé. Já o “ensinar a observar tudo o que vos mandei” aponta para uma fé vivida na prática, no dia a dia.

Outro ponto central do texto é o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Essa referência revela a dimensão comunitária da missão. Que é batizado passa a fazer parte da Igreja e é chamado a viverem comunhão com Deus e com os irmãos. A missão, portanto, não é tarefa de poucos, mas responsabilidade de todo o povo de Deus.  

A Solenidade da Ascenção do Senhor ajuda a compreender melhor esse envio. Ao subir ao céu, Jesus não abandona os discípulos nem se afasta do mundo. Pelo contrário, ele inaugura uma nova forma de presença. A Ascensão mostra que Cristo glorificado está junto do Pai, mas continua próximo da humanidade. Isso fica claro na promessa final do Evangelho: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”. Essa frase é fonte de esperança e coragem para a missão da Igreja.

Para os cristãos, a Ascensão não significa ausência, mas compromisso. Jesus confia aos discípulos a continuidade de sua obra. Cabe a eles, agora fortalecidos pela fé na ressurreição e pela promessa do Espírito Santo, anunciar o Evangelho com palavras e atitudes. A missão não é apenas falar de Jesus, mas testemunhar seu amor por meio de gestos concretos de solidariedade, justiça e misericórdia.

A missão da Igreja continua sendo atual, ela acontece nas famílias, nas comunidades, nas escolas, nos locais de trabalho e nos meios de comunicação e nas redes sociais. Anunciar o Evangelho hoje exige linguagem simples, diálogo, escuta e respeito. Mais do que discursos, as pessoas esperam coerência de vida e testemunho sincero de fé.

Dom Paulo Andreolli, SX - Bispo auxiliar de Belém


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