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Vocação

Vocação do catequista: educador da fé no seguimento de Jesus


No último domingo do mês de agosto a Igreja nos convida a rezar pela vocação e missão do catequista. A vocação do catequista é um chamado de Deus que se realiza no interior da comunidade cristã e da sociedade. A missão do catequista pode ser comparada com a missão de um pedagogo, um educador da fé que introduz os catecúmenos na descoberta e no seguimento de Jesus e da sua Igreja. Essa missão é fundamentada em uma dinâmica divina que é visível a partir de uma espiritualidade de doação, confiança, entrega e certeza de que o Espírito Santo é o grande protagonista.

Segundo o Diretório Geral para a Catequese (DGC), “a finalidade definitiva da catequese é a de fazer que alguém se ponha não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: somente ele pode levar ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade. A comunhão com Cristo é o centro da vida cristã e, por conseguinte, o centro da ação catequética”.

Em outras palavras, a vocação do catequista está no caminho inicial da vida cristã desdobrando-se também em uma formação contínua e permanente. “A catequese amadurece a conversão inicial e ajuda os cristãos a dar um significado pleno à sua existência, educando para uma mentalidade de fé conforme ao Evangelho, até chegar gradualmente a sentir, pensar e agir como Cristo” (DGC).

Para o papa Francisco a missão do catequista é uma das mais belas aventuras educativas pois ela é orientada por dois movimentos fundamentais: a união íntima e profunda com a pessoa de Jesus, e também o encontro com o outro. A vocação do catequista nasce de um encontro ou de uma experiência profunda com Cristo, e ele é impulsionado pelo Espírito Santo a partilhar com os outros a beleza desse encontro. Tudo que o catequista recebe como dom, ele partilha como serviço e doação. Quando falta esse duplo movimento, dar e receber, a catequese deixa de ser o lugar onde se descobre a beleza vida cristã e se torna apenas um lugar de transmissão de ideias, conteúdos conhecimentos muitas vezes vazios e superficiais.  

Por essa razão, o DGC insiste que o catequista deve ser formado para se tornar testemunha da fé e guardião da memória de Deus. A formação ajuda o catequista a reconsiderar a sua própria ação catequética como uma oportunidade de crescimento humano e cristão. Com base numa maturidade humana inicial, o catequista é chamado a crescer constantemente num equilíbrio afetivo, sentido crítico, unidade e liberdade interior, vivendo relações que sustentem e enriqueçam a fé. A verdadeira formação alimenta, sobretudo, a espiritualidade do próprio catequista, de modo que a sua ação nasça verdadeiramente do testemunho da sua própria vida.

No dia 11 de maio de 2021 o papa Francisco publicou o Motu próprio “Antiquum ministeriumcom o qual instituiu o ministério do catequista. Para o papa Francisco, “fidelidade ao passado e responsabilidade pelo presente são as condições indispensáveis para que a Igreja possa desempenhar a sua missão no mundo”. Considerando os desafios que caracterizam a evangelização no mundo contemporâneo, é importante reconhecer a presença de leigos e leigas que, pela vocação recebida no batismo, sentem-se chamados a colaborar no serviço da catequese.

Na mesma perspectiva, o papa Francisco insiste sobre a necessidade de um diálogo autêntico com as gerações mais jovens e a elaboração de metodologias criativas que tornem o anúncio do Evangelho coerente e mais próximo com a transformação missionária da Igreja nos dias de hoje. Não esquecendo a relevância da missão dos catequistas desde as origens da Igreja, o papa manifesta com evidência e reconhecimento a missão eficaz dos catequistas que asseguraram a fé nas grandes etapas da história do cristianismo.

O documento sublinha também que “muitos catequistas competentes e perseverantes realizam uma missão insubstituível na transmissão e no aprofundamento da fé, enquanto uma longa série de beatos, santos e mártires catequistas marcaram a missão da Igreja, constituindo uma fonte fecunda para toda a história da espiritualidade cristã”. Para que os catequistas continuem exercendo um papel relevante em nossas comunidades, o Papa Francisco reforça a importância da valorização dos leigos que colaboram no serviço da catequese indo ao encontro “dos muitos que esperam conhecer a beleza, a bondade e a verdade da fé cristã”.

Não podemos esquecer os grandes desafios que os catequistas enfrentam para desempenharem essa missão tão importante para a Igreja. Vivemos em uma realidade que muitas vezes é contrária àquilo que anunciamos em nossa missão de levar e testemunhar a mensagem de Jesus Cristo. Contra todos esses desafios, devemos reafirmar que a experiência do encontro com Jesus Cristo é a força motivadora desse fascinante caminho de discipulado que torna nossa Igreja sempre mais viva e reveladora do amor de Deus para todos os povos.

Que neste domingo em que recordamos a missão dos catequistas, possamos elevar a Deus nossas preces e nossa singela gratidão por tantos homens e mulheres, educadores da fé, que tornam Jesus Cristo mais conhecido e amado. Na vocação de cada um deles, contemplamos a imagem de uma Igreja, Mãe e Educadora, que cuida maternalmente de cada um dos filhos que gerou. A todos vocês nossa profunda gratidão!

Marcelo Ávila, sx


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