Testemunho de dom Geraldo sobre a presença Xaveriana no Brasil

A seguir transcrevemos o testemunho sobre os Missionários Xaverianos, de dom Geraldo Fernandes, primeiro bispo e arcebispo de Londrina (1957-1982). Ele ajudou e apoiou sempre os xaverianos a se inserirem no Brasil.
Um dia bateu à porta da minha casa em Curitiba um padre xaveriano que viera ao Brasil para ver as possibilidades de fundar um seminário para formar missionários para as missões dos países não cristãos.
Após estudar as possibilidades no Rio Grande do Sul, de maneira especial em Caixias do Sul, passava pela cidade de Curitiba. Ao falar a Mons. Vítola, o padre estava para voltar a Parma sem nada resolver, Mons. Vítola disse que não voltasse sem falar comigo. Ele falou. Os dois juntos falamos com o arcebispo e alguns meses depois chegaram os primeiros missionários xaverianos acompanhados do Pe. Gambero, Vigário Geral da Congregação. Em Curitiba o Pe. Gambero, com espirito muito eclesial, após vários gestos despediu-se do arcebispo, deixando os missionários ao cuidado dele, a serviço da Igreja, pedindo unicamente que, na medida do possível não ficassem isolados.
Eu fui transferido para São Paulo e não muito depois para Londrina, onde por surpresa vim encontrar os xaverianos, tomando conta de seis paróquias de minha nobre diocese. Não havia entre eles uma certeza sobre o seu futuro no Brasil. Com a chegada do Pe. Barsotti, como primeiro Superior Regional e com quem conversamos muito, deu-se unidade aos padres e irmãos dispersos pelo Sul e Norte do Paraná, fundou-se o primeiro seminário das missões, naquele tempo no lugar mais estratégico, com abundância de vocações improvisando-se formadores, fundou-se uma Prelazia no Pará (uma espécie de missão para justificar a presença dos xaverianos no Brasil) e foi crescendo o número dos missionários e das paróquias por eles dirigidas.
O questionamento, se a Congregação fundada com o carisma da missão para os não-cristãos, agitou as mentes durante muitos anos, mas enfim chegou-se, se não me engano, à conclusão de que o Brasil precisa de missionários para conservar sua fé que, no presente e muito ainda no futuro próximo, poderá ser um celeiro de vocações missionárias para os não-cristãos no mundo inteiro, dando assim aos missionários xaverianos um maior espirito de catolicidade.
No Brasil os xaverianos se entrosaram na Pastoral de conjunto, são ótimos auxiliadores dos bispos nas dioceses carentes de clero, sendo um testemunho no Brasil de sua vocação missionária. A Igreja do Brasil tem como todas e mais do que outra, uma vocação missionária, espera que os xaverianos sejam pioneiros neste campo.
No presente e no futuro, os xaverianos, sem descuidar esta pátria que os acolheu, deverão viver sempre com os olhos abertos para além-oceano, pensando naqueles que ainda não receberam o primeiro anúncio do Evangelho. E se é licito opinar, os xaverianos do Brasil deverão estar voltados para a África da qual Brasil é herdeiro e devedor.
Não posso esquecer que ajudei também as missionárias xaverianas a dar os primeiros passos no Brasil, desde o momento que as fui receber no porto de Santos. Elas devem completar a ação missionária dos xaverianos. Merecem o apoio dos xaverianos no recrutamento e formação vocacional e poderão no futuro, acompanhar os missionários brasileiros que sairão além-fronteiras.
Texto estraido do Jornal Kosmos Ano 5, n. 44. Julho de 1978, p. 3.
Inaguração do Seminario de Jaguapitã (PR) em 1960.








