Skip to main content
Faça uma doação

Faça uma doação

Os Missionários Xaverianos não dispõem de nenhuma receita a não ser o nosso trabalho evangelizador e as doações dos amigos benfeitores. O nosso Fundador, São Guido Maria Conforti, quis que confiássemos na Providência de Deus que nunca deixa desamparados seus filhos. Invocamos sobre você e sua família, por intercessão de São Guido Maria Conforti, as bênçãos de Deus.
Atenciosamente,

Redação da Família Xaveriana


Deposite uma colaboração espontânea:

Soc. Educadora S. Francisco Xavier
CNPJ: 76.619.428/0001-89
Banco Itau: agência 0255, conta corrente:27299-9
Caixa Econômica ag. 0374, conta corrente: 2665–3

Ano celebrativo

Memórias do Pe. Occhio: chegada dos xaverianos em Abaetetuba


Dia 1º de março de 1961, os padres xaverianos Mário Lanciotti, Tarcísio Facchinello, Augusto Cardin e Leão Occhio chegam no Pará para começar a nova missão na região de Abaeté do Tocantins, até então pertencente à Arquidiocese de Belém. Pe. Occhio, falecido em Londrina – PR em 13 de setembro de 2018, narra suas memórias.

LanciottiQuem nos instalou na Prelazia de Abaeté foi o arcebispo de Belém, dom Adalberto Gaudêncio Ramos, em março de 1961. No dia da tomada de posse, meio brincando nos disse:  "Agora a Prelazia está na mão de vocês, se alguém daqui for para o inferno, culpados serão vocês!" E nos deu também conselhos práticos: "Sei que os missionários chegam com muito fervor. Adaptem-se ao povo, mas não queiram ser totalmente paraenses! Aqui o clima, a alimentação, os costumes, são diferentes, e vocês europeus podem se estragar logo a saúde, que devem preservar para servir este povo!" O povo de fato, nos acolheu em festa. Mas logo a noite, em casa não havia nem cama, nem mesa, nem cadeira! Compramos quatro redes para deitar. Passamos a primeira noite, enrolados numa rede e no meio do zumbido atordoante de pernilongos!

Fiquei cinco anos, três em Abaetetuba (PA) e dois em Tome-Açú (PA). Naquele tempo, na Amazônia, ainda não existia nem motosserra nem trator, não havia grandes projetos do governo ou de empresas, tudo era manual, e mesmo assim, já preocupava o desmate da Amazônia. O mato era tudo vasculhado, longas jangadas de toras desciam do Tocantins e de Abaeté ilegalmente exportadas. Não havia estradas, menos ainda asfalto. Eletricidade era produzida por gerador local, só existia nos centros maiores e por algumas horas a noite. Em Abaetetuba a energia era das 18 às 21 horas, e só para iluminação. Proibido ligar qualquer aparelho, como geladeira, TV, etc. Se o povo abusasse, aí o gerador não aguentava.

A preocupação imediata foi como continuar a assistência religiosa que vinha sendo dada nas paróquias e comunidades. Éramos em quatro padres xaverianos que morávamos juntos em Abaetetuba, atendendo as seis paróquias da Prelazia: Abaetetuba, Barcarena, Mojú, Bujarú, Acará e Tomé-Açú. Nossa pastoral era simples assistência religiosa, através da “desobriga”. Isto é, visita anual em cada comunidade, na ocasião da festa dos padroeiros! A “desobriga” era feita ao longo de canais e igarapés, indo de uma comunidade para a outra, e demorava semanas e até meses.xav 1ojpg

A chegada do padre era anunciada com foguetes. Aí o padre celebrava, batizava, confessava, fazia primeiras comunhões, casamentos, dava algumas orientações... e depois, com a cabeça atordoada pelos alto-falantes que não deixavam dormir durante a noite (dormíamos na rede, naquelas palafitas de sapé), o padre partia para outra comunidade. E daí tchau! Até ao próximo ano! O Pe. Mário ficou em Abaeté, enquanto os outros faziam desobrigas nas outras paróquias. Para ir de Abaetetuba a qualquer outra paróquia da Prelazia, era preciso viajar de barco ao menos duas noites, uma noite para ir até Belém e outra para descer de Belém no outro rio, rumo a paróquia.

O Padre quando chegava, era “o dono” da festa, das celebrações, de tudo. Numa visita falei: "Hoje são vocês que vão rezar, não o padre! Ficaram alvoroçados e se esquivaram, não queriam fazer". Aí percebi que a coisa não era tão simples. Pois tiveram que juntar a rezadora, as cantadoras, o batuque, o coral... afinal, “a ladainha” saiu. Aí entendi que, mesmo isolados no mato, sem assistência religiosa, conservam a fé!

Outra preocupação foi a construção da casa para a chegada do bispo prelado, (Casa atual das Irmãs Xaverianas em Abaeté), pois era prevista a nomeação e a vinda de um bispo xaveriano e também era necessário preparar nas paróquias moradia para residência do Padre. O bispo dom Giovanni Gazza, quando chegou, incentivou o trabalho, trouxe recursos, favoreceu a convivência, foi coordenando encontros, alimentava a espiritualidade, intervindo só por emergências. Devagar ia organizando a Prelazia.

Depois de três anos em Abaeté, fui para Tomé-Acú, cuidando também do Acará. Em Tomé-Açú metade do povo era de japoneses. Eu fiquei impressionado com eles. A organização da cooperativa, o cuidado com a casa, o amor pela cultura, a disciplina na educação, o respeito e a colaboração, a delicadeza nas relações pessoais, sua religiosidade.

Tentei entender esta nova realidade, aprendi algumas saudações em japonês, o sinal da cruz, algumas palavras. Os japoneses católicos que se confessavam, usavam um exame de consciência escrito em português e japonês, mostravam com o dedo os pecados, escritos em “romají”, eu os lia em português, e aí dava penitência e absolvição!

Deixei o Pará em 1966, voltei para o Sul do Brasil a pedido do Superior, “gostei do açaí, mas não me deixaram ficar”! Me emociono quando penso que batizei e preparei para a eucaristia irmãs xaverianas daí que já andaram mundo afora!

Pe. Leone Occhio, sx. (Janeiro de 2011)

occhio familia 1933

Foto  da família Occhio. Leão é o pequeno sentado à esquerda junto ao irmão gêmeo


Artigos relacionados

Ano celebrativo
Apresentamos o testemunho missionário do Pe. Natálio Fornasier, concedido em entrevista ao Pe. Gabr…
Ano celebrativo
Ao celebrarmos os 70 anos de caminhada dos Missionários Xaverianos em terras do Brasil, lembramos a…
Ano celebrativo
No final dos anos oitenta, aquele padre que andava de moto, acolhia os jovens, socorria os pobres e…
Ano celebrativo
Chegamos de muitas maneiras diversas, em diferentes momentos e de lugares distantes em romaria para…