Pe. Vicente Mitidieri, missionário incansável

Pe. Vicente Mittidieri nasceu na Itália em 12 de maio de1932. Trabalho no Brasil em Abaetetuba - PA (1964-1969), logo voltou para a Itália (1969-1983), retornou para o Brasil Sul em 1983, ocupando diversas funções, inclusive Superior Regional (91-94). Por questões de saúde em 1997, regressou a Itália. Faleceu aos 73 anos em 11 de fevereiro de 2005, em Parma (Itália).
No mês de janeiro de 1964, Padre Vicente foi destinado ao Brasil Norte, a serviço da nova Diocese de Abaetetuba, confiada aos xaverianos. Sentiu-se logo em casa, confiante e entusiasta, apesar das primeiras dificuldades físicas e psíquicas de adaptação. Em pouco tampo mereceu a confiança do Bispo, dom Giovanni Gazza, que o nomeou pároco da catedral e professor no seminário menor de Abaetetuba (1964-1969). A esse respeito o Pe. Vicente escrevia ao superior geral (27/02/64): “Bom, estou aqui, não interessa como, desde há um mês. Os primeiros dias foram de tontura e os segundos de espinhas, cientificamente chamadas eczemas; espero passem em breve para entregar-me completamente à tarefa confiada pelo bispo. Aqui estou em casa; água, animais e moleques em abundância. Devagar tudo vai se acomodando... Não posso me queixar pela tarefa que me foi confiada: É mesmo “nossa”; de fato trata-se de implantar a Igreja espiritualmente onde acabou de nascer, e materialmente onde não há nem uma cruz no amplo cenário do interior do município de Abaeté”.
Pelo que diz respeito à atividade pastoral daqueles cinco anos, padre Vicente, conversando com padre Agostino Clementini, em de setembro 2000, assim falava: “Fiquei em Abaetetuba, no estado do Pará, antes, durante e depois do Concílio Vaticano II. Foi um trabalho de renovação em campo eclesial, sobretudo na catequese e na pastoral. Além do bispo dom Giovanni Gazza, éramos somente dois missionários num labirinto de rios. Divertia-me muito a navegar com um barquinho a motor naqueles rios imensos. Algumas vezes acabei sendo marinheiro!
O analfabetismo era notável; o enfrentamos construindo 16 escolas primárias para 2.000 alunos e o Colégio São Francisco Xavier. Isso custou-me o corte do cavanhaque em praça pública, para obter do povo – essa era a condição – as últimas dezenas de milhões que ainda faltavam para completar a obra. Foram construídos também: um grande Centro de Pastoral para a preparação dos leigos ao exercício dos diferentes ministérios: Batismo, Culto dominical na ausência do sacerdote, Eucaristia, enterros; um pequeno hospital com sala para cirurgias, bem equipada; uma escola de artesanato para ajudar os jovens da estrada; um centro social onde as mães aprendem a costurar, bordar etc.; igrejas e capelas semeadas ao longo dos rios e na mata amazônica. A cidade de Abaetetuba demonstrou-me sua simpatia fazendo-me seu cidadão de honra”.
Por sua vez, o padre Valeriano Ruaro que, como vice-pároco era o maior colaborador do pe. Vicente, confirma sua atividade diversificada e, sobretudo, compartilha o espírito que o animava: “Tive a sorte de conhecer o padre Vicente, de conviver com ele e trabalhar juntos no Brasil Norte. Ele era o pároco da catedral e eu seu ajudante, especialmente na visita às capelas do interior. Era um vulcão de ideias, com a capacidade de realizá-las. Lembro, por exemplo, quanto custou a construção do Colégio “São Francisco Xavier” e como conseguira fazê-lo reconhecer pelo estado [...].
Era um homem de inteligência viva; falava muito bem o português [...]. Certamente não descuidou da verdadeira e própria evangelização: juntos criamos as semanas catequéticas [...]. Cantava bem e tocava bem também o teclado. Com a ajuda das Irmãs franciscanas, criou também um pequeno coral que cantava especialmente nas missas solenes celebradas pelo bispo. Conseguiu criar um numeroso grupo de jovens que ajudavam na celebração das liturgias, mas especialmente na acolhida do povo que vinha à igreja. Deixava-me trabalhar. Nunca o vi ciumento quando alguém pedia a mim de administrar o batismo ou celebrar o casamento; ele era bem feliz disso e às vezes tirava as fotos. Depois do post-concílio ele foi entre os primeiros a criar o Conselho Paroquial”.
Pe. Siro Brunello, sx
Colégio São Francisco Xavier










