A missão como libertação integral

Seguindo o projeto de Igreja do Vaticano II, de acordo com as assembleias do Medellín e Puebla, os xaverianos foram se inserindo na realidade eclesial e social do Brasil. Todavia, anteriormente em 02 de julho de 1962, foi erguida a Região Xaveriana do Brasil, passando de delegação para Região, dando maior autonomia nas decisões, na caminhada e na inserção sociocultural e eclesial.
O novo Superior Regional Pe. Giuseppe Morandi (1967) sucessor do Pe. Bassotti, favoreceu a participação de todos. Uma das primeiras inquietações foi ajudar à Igreja local se torne mais missionária, tanto internamente como além-fronteiras. Em 1972, nasceu o Conselho Missionário Nacional (COMINA), os xaverianos participaram na formação e na organização dos organismos missionários.
Para cooperar com a dimensão missionária na igreja local tanto ad intra como ad extra, junto com as congregações missionárias como Consolata, Combonianos, Verbo Divino, PIME (Pontifício Instituto das Missões ao Exterior) e Missionárias da Imaculada, em 20 de novembro de 1978, foram criadas no Brasil as POM - Pontifícias Obras Missionárias. Os xaverianos optaram pela participação e cooperação nos organismos e eventos missionários da igreja do Brasil. Inclusive o Pe. Giancarlo Coruzzi foi diretor das POM entre os anos de 1982 a 1989. Posteriormente, participaram diretamente dos organismos missionários os padres Stefano Raschietti e Sávio Corinaldesi.
A formação xaveriana começou a dar frutos, após 20 anos de caminhada no Brasil. Em 30 de junho de 1973, foi ordenado o primeiro xaveriano brasileiro o Pe. Gerson Galvino. Em 1976, a congregação aceitou a direção do seminário diocesano de Campo Murão (PR) para as vocações adultas, tanto para a diocese como para os xaverianos.
A formação ganhou um novo rosto mais missionário. No final dos anos setentas aconteceu a diminuição as vocações dos seminários menores, mas houve o crescimento das vocações de jovens. Por exemplo em 1978, eram 231 seminaristas xaverianos, sendo 174 jovens acima de 16 anos. Nos anos oitentas a formação dos futuros missionários procurou integral mais o aspecto intelectual, pastoral e a inserção popular, testemunhando os valores evangélicos. A opção foi formar pequenas comunidades inseridas nos ambientes populares nas periferias das grandes cidades.
As comunidades da filosofia e teologia foram transferidas da casa da Vista Alegre em Curitiba (PR) para pequenos grupos inseridos nas periferias da grande Curitiba e Campinas (SP), assim como o noviciado foi para a periferia da grande Belo Horizonte (MG). Houve redução progressiva das entradas nos seminários menores, deixando de existir o seminário menor de Jaguapitã (PR). A caminhada e as escolhas não foram entendidas e nem aceitas por muitos xaverianos.
Houve a opção pela libertação integral da pessoa humana, de acordo com a igreja do Brasil. Diante do crescimento de algumas igrejas locais, foram entregues algumas paróquias no interior para assumir novas fronteiras missionárias. As periferias das grandes cidades foram um novo campo missionário, acompanhando o nascimento de comunidades, a organização dos Movimentos e Pastorais Sociais, as CEBs, a Educação Popular, os sem teto nas cidades de Londrina ((PR), Curitiba (PR), São Paulo (SP, Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG).
Os xaverianos assumiram o rosto da Igreja em saída com perspectiva ecumênica e missionária, na opção preferencial pelos pobres. Esse foi o marco da caminhada xaveriana no Brasil, à luz dos Concilio Vaticano II e dos documentos latino-americanos de Medellín e Puebla.


Rafael Lopez Villasenor







