Dom Ângelo, segundo bispo de Abaetetuba

Ângelo Frosi, nasceu dia 31 de janeiro de 1924, em San Bassano (Cremona/Itália), filho de Alfredo e de Ester Ventura. O pai era sacristão paroquial. Tinha apenas uma irmã chamada Maria. Era uma família muito católica.
Com dez anos ingressou no seminário diocesano de Cremona, mas sentindo a vocação missionária entrou no Noviciado Xaveriano, em San Pietro em Vincoli em 1940, fez a consagração missionária em 08 de setembro de 1941. De 1941 a 1947, cursou em Parma os estudos de filosofia e teologia. Durante a etapa da teologia foi enviado para os Estados Unidos para completou os estudos em Boston. Em 5 de junho de 1948, foi ordenado sacerdote.
Pe. Ângelo trabalhou nos EUA durante vinte anos, até fevereiro de 1968, foi responsável pelas vocações, impressa xaveriana e economia, foi vice-reitor e reitor nas casas de formação; também ocupou o cargo de Superior Regional dos Estados Unidos.
Em 21 de Novembro de 1967, o Pe. Ângelo Frosi, foi nomeado Administrador da Prelazia de Abaeté do Tocantins, Brasil. Tomou posse em 25 de fevereiro de 1968. Logo em 02 de fevereiro de 1970, o Papa Paulo VI, o nomeou prelado da Prelazia e bispo de Magneto, sendo sagrado em 01 de maio de 1970. Em 04 de agosto de 1981, Papa João Paulo II elevou a Prelazia para diocese, sendo instalada em 15 de julho de 1982, nomeado primeiro bispo diocesano. De 1971 a 1979 foi Presidente do Regional Norte II da CNBB; de 1979 a 1983, foi responsável pela Linha Missionária; nos últimos anos foi encarregado da Pastoral Vocacional do regional Norte II.
Dom Ângelo, dá continuidade ao trabalho de Dom Giovanni Gazza com grande empenho. No decorrer dos anos as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) com seu apoio e com grande motivação se multiplicaram. Através do investimento na formação o laicato tem sua autonomia e valorização, e assumia seu papel com consciência, dando vigor à Igreja. O que marcava a sua metodologia missionária, era a de propor e acolher.
A proposta era fazer acontecer o Reino de Deus, através da catequese, das CEBs e da formação das lideranças. Quem viveu esse momento, relata o esplendor frutificar da Igreja: “...Dom Ângelo lutava por um mundo melhor, onde houvesse mais justiça, sonhava e acreditava que cada um é capaz de fazer algo para que esse sonho se realize... foi realmente o que o nome significa: um Anjo”. (Maria Inês Lobato Ribeiro, 2001).
Com o olhar na realidade do povo e motivado pelas orientações da Conferência Episcopal de Medelin (1968) de trabalhar ao lado dos pobres e oprimidos, D. Ângelo defende, denunciando a situação de trabalho de semiescravidão em que os trabalhadores eram submetidos em Abaetetuba (PA), juntamente com os padres Sávio, Primo e Dante foram acusados de comunistas subversivos em Abaetetuba: “... e como os asseclas do comunismo vermelho que dominam a igreja de Abaetetuba não foram a montanha, a montanha foi até eles e agora não há o que recuar... fora com os traidores. Fora com os lobos que estavam encobertos com pele de cordeiros.” (Jornal O Rimpador.1967)
A essência de seu Ministério, era a de doar-se plenamente pelos irmãos, por seu pastoreio. A misericórdia era seu sentimento maior e que o fazia a ter um apostolado sem se perturbar com a má política, nem com as perseguições sofridas declarada nos jornalecos da época, mediava tudo com grande resignação e perseverança. Em terrenos da diocese Dom Ângelo, com ajuda de amigos italianos, constrói mais de cem casas e distribui às famílias necessitadas. Como também a Escola Cristo Redentor.
Morreu no Hospital Santa Elena, em São Paulo (Brasil), em 28 de junho de 1995, como consequência de um ataque cardíaco sofrido em 18 de maio, durante a assembleia anual da CNBB em Itaici. Tinha 71 anos.


Maria Geci Freitas Margalho








