Pentecostes, 50 dias após a Páscoa

Entre o Domingo da Ressurreição do Senhor e o Domingo de Pentecostes, cinquenta dias se passam. Mas, há aqui um pormenor que deve ter nossa atenção: na comunidade cristã todos esses dias são celebrados com exultação e alegria, de tal modo a parecerem um único dia de festa. Durante esse período, canta-se “Aleluia” e todos os domingos são considerados domingos da Páscoa.  Acontecimento antigo, a Páscoa remonta a festa da colheita. A partir do Êxodo, tornou-se a festa memorial do evento salvífico da aliança firmada no Sinai.

No tempo de Jesus, a festa realizada 50 dias depois da Páscoa, apesar de celebrada ainda como a Festa da Colheita, em alguns círculos religiosos já havia o sentido de comemoração da Teofania (manifestação de Deus) no Sinai. O Rito Pascal, tanto no Antigo como no Novo Testamento, possui uma intima ligação com a Páscoa Histórica, da qual é memorial eficaz. Deste modo, ao olharmos para nossa história da salvação, podemos considerar quatro páscoas:

  1. A páscoa do Senhor, ou seja, a passagem salvífica do Senhor na noite em que se deu a saída o povo hebreu do Egito: o sangue do cordeiro nos umbrais das portas (como revela a Escritura Sagrada) sinaliza para o Senhor que ali se celebra a Páscoa com a refeição do Cordeiro Pascal.
  2. A Páscoa dos Judeus, que é a celebração do “memorial”, realizada de acordo com o rito da ceia pascal registrada no Livro do Êxodo: “Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa de Javé. Vocês o celebrarão como um rito permanente, de geração em geração”. (Ex 12, 14) 3. A Páscoa de Cristo, sua imolação sobre a cruz, a passagem deste mundo para o Pai por meio da paixão e da ressurreição, conforme descrito no Evangelho de João: “Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai. Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. (Jo 13, 1)
  3. A Pascoa da Igreja celebrada como sacramento in mystério, mas, também, semanal e cotidianamente no Rito Eucarístico. 3.

No sétimo Domingo da Páscoa, celebra-se a Ascensão do Senhor. Os dias seguintes à Ascensão até o sábado anterior a Pentecostes, inclusive, constitui a preparação para a vinda do Espírito Santo, a Festa Cristã de Pentecostes que é marcada pela efusão do Espírito Santo e pela vocação da nova comunidade do Crucificado Ressuscitado. Na celebração da páscoa, estamos celebrando também o Rito Eucarístico.

Jesus, ao realizar a ceia deu a seus discípulos a ordem de celebrá-la em sua memória. Naquele dia, Ele deixou para nós o seu sacrifício pascal, estabelecendo conosco uma nova aliança materializada no pão e no vinho partilhados. Desde então, a Igreja repete a ceia perpetuando a Páscoa como Sacramento de Cristo, dando continuidade à caminhada do Ressuscitado. O banquete Pascal oferecido por Cristo está continuamente presente na Igreja. A comunidade, no momento em que celebra aquilo que o próprio Senhor realizou, o faz em sua memória, cumprindo a ordem dada.

 Cristo tomou o pão e o cálice, deu graças, partiu o pão e o deu a seus discípulos dizendo: “Tomai, comei, bebei; este é o meu corpo; este é o cálice do meu sangue. Fazei isto em minha memória”. Assim, durante a Missa, a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em vários momentos que correspondem a essas palavras e gestos de Cristo. Jesus, celebrando a festa da Páscoa, faz a memória da passagem da escravidão para a liberdade. Ele dá a esse momento uma dimensão pascal, marcando sua passagem para o mundo do Pai. Assim, o rito realizado por Cristo (pão E vinho = corpo de Cristo e sangue da verdadeira aliança em relação à aliança do Sinai) é memorial, ou seja: é a presença da verdadeira Páscoa, que se realiza na passagem redentora de Cristo, e é anuncio da redenção que se realizará quando todos os homens tiverem celebrado a Páscoa de Cristo.

Fonte: Igreja Povo de Deus em Movimento (maio de 2013)