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Dom Cláudio, missionário das grandes causas


A Igreja do Brasil, e de maneira muito especial, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), se despede, com saudades, do Cardeal Cláudio Hummes, homem de Deus e da Igreja, testemunho de ousadia e de profecia.

Missionário das grandes causas, fez jus à sua vocação de Franciscano por meio da sua opção preferencial pelos pobres e pela Amazônia. Bispo na diocese de Santo André, se destacou pela defesa dos trabalhadores apoiando os sindicatos e participando das greves como responsável da Pastoral Operária Nacional.

“Não se esqueça dos pobres”, disse a Jorge Bergoglio, o Papa. É sabido por todos que o nome Francisco escolhido por Jorge Bergoglio, foi uma sugestão de Dom Cláudio Hummes, o que revela sua influência positiva no Vaticano onde foi membro de várias Congregações e Prefeito da Congregação para o Clero.

O próprio Papa Francisco o chama de “grande amigo” e fala da influência e presença no dia do Conclave em 2013. “Ao meu lado, nas eleições, estava o arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, um grande amigo. Quando a situação ficava um pouco perigosa, ele me consolava. Quando os votos chegaram aos dois terços, começaram a aplaudir, porque o papa tinha sido eleito. E ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. E aquela palavra entrou na minha cabeça: os pobres. Pensei em Francisco de Assis”, contou Francisco, à época, em entrevista ao jornal Italiano La Stampa. Foi assim que o nome Francisco se tornou o programa do pontificado do cardeal argentino.

Defensor dos Povos Indígenas. Durante o Sínodo para a Amazônia, do qual foi Relator geral, em outubro de 2019, em uma Coletiva de Imprensa, Dom Cláudio mostrou seu posicionamento em favor da demarcação das terras indígenas. “Nós sabemos que, para os indígenas, isso é fundamental. Também as reservas geograficamente delimitadas são importantíssimas para a preservação da Amazônia”.

bispo amaz

“Pacto das Catacumbas pela Casa Comum”. Durante o Sínodo para a Amazônia em Roma, Dom Cláudio, presidiu a celebração que reeditou o Pacto das Catacumbas, na catacumba de Santa Domitila. Organizado por Dom Hélder Câmara, realizado às vésperas da conclusão do Concílio Vaticano II, em 1965, o documento foi assinado por cerca de 40 bispos latino-americanos à época. No dia 20 de outubro de 2019, o novo documento recebeu o nome “Pacto das Catacumbas pela Casa Comum”. Ato organizado por dom Erwin Kräutler e padre José Oscar Beozzo, reafirmou a opção pelos pobres assumida pelos prelados da América Latina.

Que sua luz brilhe sempre”. Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia (CEA) da CNBB de 2010 a 2022, ajudou a criar a Rede Eclesial Pan-Amazônica e foi seu primeiro presidente de 2014 a 2021. Presidiu, também a recém-criada Conferência Eclesial para a Amazônia (CEAMA).

Despedir-se de Dom Cláudio Hummes é uma oportunidade para fazer memória e agradecer a trajetória de vida de um Franciscano que fez opção preferencial pelos pobres, pelos que estão à margem da sociedade.

Os que tiveram a oportunidade de trabalhar com Dom Cláudio na Secretaria da REPAM-Brasil o descrevem como um “ser humano sereno, em qualquer situação estava sorrindo”; “Era tão íntegro, amável, que era difícil dizer não a ele”; “Ele dizia, nos últimos tempos, que precisava entregar suas funções, pois ele já não tinha mais forças para viajar. É um testemunho de que precisamos saber a hora de começar e a hora de parar”; “Ele é um testemunho importante para a Igreja”; “Um homem que sempre esteve junto ao povo nas suas lutas mais duras”, “onde estava Dom Cláudio, havia serenidade”; “Sua opção pelos pobres era tão clara que ele cochichou uma sugestão de programa pontifício a Jorge Bergoglio recém-eleito, à época: ‘não se esqueça dos pobres'”; “Quando o visitava, dizia que oferecia esta fase da sua vida pela Amazônia”; “Que sua luz brilhe sempre”.

O seu legado de sabedoria e profecia sempre brilharão como luz para a missão da Igreja, em especial para as comunidades da Pan-Amazônia, Região que ele amou e serviu com generosidade e dedicação.

Por Rosa M. Martins / REPAM-Brasil


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