Campanha da Fraternidade: mais de 60 anos de fé transformada em solidariedade

Criada na Quaresma de 1962, em Nísia Floresta (RN), por iniciativa de dom Eugênio de Araújo Sales, a Campanha da Fraternidade (CF) tornou-se, ao longo de mais de seis décadas, uma das mais importantes ações evangelizadoras e sociais da Igreja Católica no Brasil. Desde 1964, realizada em âmbito nacional pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a campanha mobiliza comunidades de todo o país para unir oração, reflexão e gestos concretos de solidariedade, especialmente em favor das populações mais vulneráveis.
A cada ano, a CF propõe um tema ligado a situações em que a fraternidade se encontra ameaçada, estimulando a conversão pessoal e a transformação social. Além da dimensão formativa, a campanha promove a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada em todas as dioceses. Do total arrecadado, 60% permanecem nas arquidioceses para financiar projetos locais por meio dos Fundos Arquidiocesanos de Solidariedade, enquanto 40% formam o Fundo Nacional de Solidariedade, que apoia iniciativas sociais em todo o país. Assim, fé e ação social caminham juntas na prática pastoral da Igreja.
Para 2026, os bispos escolheram o tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), retomando um dos grandes desafios sociais do Brasil do direito à moradia digna. A escolha responde à realidade de milhões de brasileiros que vivem sem habitação adequada ou em situação de rua. A campanha pretende sensibilizar a sociedade, as comunidades e o poder público para a necessidade de políticas públicas eficazes e ações solidárias que enfrentem o déficit habitacional, reconhecendo que a moradia é condição básica para o acesso à segurança, saúde, educação e dignidade.
A questão da moradia já havia sido abordada pela CF em 1993, quando se denunciou a desigualdade urbana e o contraste entre áreas planejadas e regiões marcadas por favelas, ocupações e infraestrutura precária. Na ocasião, foram apontados problemas como especulação imobiliária, falta de saneamento e exclusão das populações pobres do acesso à cidade, além de se defender políticas de habitação popular e regularização fundiária.
Ao retomar o tema em 2026, a Campanha da Fraternidade reafirma seu compromisso histórico de transformar a espiritualidade quaresmal em ações concretas em favor da justiça social, convidando os cristãos e toda a sociedade a construir caminhos para que a fraternidade se torne realidade na vida do povo brasileiro.
Fonte: CNBB








