A missão não tem fronteiras: uma leitura do livro de Jonas

  • Rafael Lopez Villasenor
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O livro de Jonas tem como tema central a mssão além fronterias e nos convida a romper com a visão nacionalista e excludente própria do judaismo. Deus é para todos. O livro de Jonas traz como tema central a preocupação com os estrangeiros e gentios.

Na Bíblia somente a Jonas é dada a missão de levar a mensagem de arrependimento e misericórdia para ser pregada diretamente a uma cidade estrangeira e gentia, que vai além das fornteiras de Israel. Sua relutância em ir pregar até Nínive, estava baseada num desejo de ver seu declínio culminar numa completa perda de poder. Também ele temia que Deus pudesse mostrar misericórdia, deste modo oferecendo aos Assírios a oportunidade de atacar Israel.

O livro de Jonas é uma parábola, que critica a mentalidade daqueles que queriam Deus só para os Judeus.

O texto relata a conversão dos habitantes da cidade de Nínive (Jo 3,1-10). É o anúncio da misericórdia divina para com os estrangeiros. Na narrativa, Jonas representa o grupo nacionalista e exclusivista, que é contrário a misericórdia de Deus para com os não judeus. Ele apresenta uma relutância da missão que recebeu de Deus para além das fronteiras de Israel. O patriotismo e nacionalismo de sua missão induzem Jonas a decidir deixar Israel e “fugir de diante da face do Senhor” (Jo 1,3). Recusa a missão universal de ir e anunciar a conversão para os habitantes de Nínive 

A viagem de fuga para Társis fornece a evidência que a presença e a influência de Deus não são restritas a Israel (Jo 1,4-9). Deus manda uma tempestade para golpear o navio e causar circunstâncias que reconduzem Jonas ao seu chamado missionário universal (Jo 1,4). Ele para fugir da realidade e do perigo dorme um sono profundo, desse jeito, tenta ficar inconsciente e alienado diante da realidade (Jo 1,6). Os marinheiros o jogam no mar (Jo 1,10-16). Ele não morre no mar, apenas é engolido por um grande peixe enviado por Deus, que após três dias e três noites o jogou em terra firme (Jo 2,1-9). A experiência levou a Jonas a uma aparente conversão e aceitar a missão.

MUNDOJonas deve ir até Nínive para entregar a mensagem de libertação à capital do Império Assírio, símbolo da opressão e da violência. Ele com sua visão fechada para com os estrangeiros, sua pregação só apresenta ameaças e reluta em anunciar a mensagem de Deus (Jo 3,4).

Para seu espanto, os habitantes de Ninive, desde a pessoa mais humilde até o rei, se arrependeram e mostraram isso através do jejum cerimonial, vestindo-se de panos de saco e assentando-se sobre a cinza durante quarenta dias (Jo 3,5).

Até mesmo os animais são obrigados a participar dessa conduta humilde. Alias, era costume incluir os animais nos rituais de penitência (Jo 3,7-8). Jejum e arrependimento não são garantia de perdão para os Assírios (Jo 3,9). A conversão dos habitantes de Nínive faz Deus voltar atrás e não destruir a cidade (Jo 3,10).

Jonas ficou muito furioso, desgostoso e irado com Deus (Jo 4,1). O coração de Jonas não está mudado, e ele reage com muita ira e confusão. Não se converteu para a universalidade (Jo 4,2-3).

Por que Deus teria misericórdia de pessoas que abusaram da nação de Israel?

Nínive se converteu, mas Jonas que representa os grupos nacionalistas, não se converteu e não aceitou um Deus de ternura e de misericórdia com os estrangeiros!

O perdão e o amor são universais, até para os piores inimigos do povo de Deus. Deus não tem fronteiras!

Como cristãos somos chamados a não recusar nossa tarefa de discípulos missionários e assumir a missão universal.

O livro de Jonas deve ajudar-nos a refletir sobre os preconceitos que nos impedem de ir ao encontro do outro e redescobrir a presença de um Deus de ternura e de misericórdia.

Pe. Rafael Lopez Villasenor.