Para uma Espiritualidade a partir da ecologia

  • Rafael Lopez Villasenor
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Nos últimos tempos assistimos as notícias de guerras e de conflitos mundiais, de desmatamento e de poluição, de opressões e de agressões, de morte e de desespero, de egoísmo e de individualismo, de exclusão e de marginalização.

Realidade que nos leva a construir uma teologia e uma espiritualidade de libertação e a propor novos caminhos de mudança a partir do Deus da Vida. O maior desafio da nossa época é criarmos uma aliança global em favor da vida, da biodiversidade, pensando o mundo como nossa casa comum e suscitando novos valores éticos.

Pensar a espiritualidade a partir da ecologia passa pela reflexão da importância da Amazônia, sobre seu valor para o planeta terra, considerada patrimônio da humanidade, não pode ser reduzido apenas ao aspecto econômico. Corresponde a 5% da superfície da terra. Contém 20% da reserva mundial de água doce não congela. Amazônia, também abriga 34% da reserva florestal mundial, cerca de 30% de todas as espécies da flora e fauna do mundo. Porém a humanidade está agredindo a vida da terra e da Amazônia. O uso de suas riquezas naturais não pode trazer o desequilibro ambiental. Amazônia tem uma importância para a humanidade inteira.

O livro do Gênesis após cada ato da criação repete: “Deus viu que era bom” e o conjunto de toda a criação é apresentado como “muito bom”, uma criação perfeita. Deus deixa ao homem e a mulher a missão de zelar e cuidar da criação. O homem e a mulher, os quais ao serem criados a “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26) têm a missão de completar e aperfeiçoar a obra perfeita da criação. Eles são sujeitos e protagonistas da história com a tarefa de cuidar, preservar e zelar pela sua casa como um paraíso. A humanidade é o ponto alto de toda a obra criadora de Deus (Gn 1,26-31), logo somos chamados a cuidamos da criação, ou pereceremos. Respeitar a obra criadora de Deus é respeitar o próprio Deus. Assim a criação é o maior ato de amor de Deus. Terra e humanidade aparecem como uma unidade.  

Deus manda ao homem de “dominar a terra” (Gn 1,26), no sentido de completar a criação, de cuidar, de zelar, de participar, não de destruir ou oprimir a natureza. Assim, a humanidade deve aperfeiçoar e cuidar o planeta terra, porque as reservas naturais são finitas, acabam, ou cuidamos do planeta, ou pereceremos, matando a natureza nos auto-destruímos. Cuidar é aperfeiçoar a criação, o que significa viver de maneira responsável e sustentável. O consumo humano está em conflito com a natureza e com a criação. Cuidar da terra, da água do ecossistema significa reduzir o consumo, reciclar, reaproveitar e reutilizar o que já usamos, é resolver os problemas da poluição da água, do esgoto, do lixo, do ar entre outros. Trata-se de salvar o planeta terra e a humanidade de um desastre global, de superar o capitalismo e pensar novas formas de produzir.

Enxergar a natureza apenas a partir do poder econômico é contrário ao projeto criativo de Deus.

Também, as populações e os projetos sustentáveis, quase sempre são considerados estorvo para o capitalismo neoliberal que destruí e mata a biodiversidade do planeta. Devemos pensar o projeto de Deus através do chamado desenvolvimento sustentável sem devastação ambiental, no respeito natureza e aos direitos das populações locais tradicionais como os grupos indígenas, os negros, os camponeses entre outros.

O território é o espaço da vida, é a casa, é a morada da humanidade. Tudo é criação de Deus e faz parte da realidade sagrada. A defesa da biodiversidade e a promoção de seu desenvolvimento sustentável e não predatório virá em benefício de todos os habitantes de todo mundo. Não podemos assistir impassíveis à destruição desse patrimônio natural e cultural, do qual tanto depende o futuro bem-estar da humanidade.

Terra e humanidade é uma unidade. O sofrimento da terra é o sofrimento da humanidade. A crise da criação é a crise da humanidade. Somos convidados a mudar nossas práticas de viver e ter novas maneiras de viver com a criação. Os efeitos do sistema capitalista destrutivo são sentidos através das mudanças climáticas, através do aquecimento global, o mudamos nossos hábitos ou todos morreremos. Sempre os mais fracos acabam sendo as maiores vitimas das mudanças climáticas: os pobres, as crianças, as mulheres, etc. É necessária uma nova política para a atuação rápida e urgente frente às mudanças climáticas.

A preocupação com ecologia nos deve levar a uma conversão de hábitos. Hoje mais que nunca, somos chamados a cuidar e zelar da criação de Deus e abandonar o modelo neoliberal que acaba destruído a terra, a vida e a humanidade. Somos desafiados a criar uma nova ética e espiritualidade para um outro mundo possível.

Pensar ao Deus da Vida na construção de um “outro mundo possível” é sempre um sonho, uma utopia, um caminho em acabamento.

Trata-se de pensar a história e a humanidade no sentido e na direção de desconstrução do sistema vigente. É a construção de outras possibilidades, através dos poucos espaços que o sistema nos deixa, isto é, das falhas, ou das pequenas rachaduras encontrados ao longo da história. É a sabedoria, a capacidade de relação e recriação da humanidade, através da libertação de todo tipo de opressão. É caminhar na contra mão da história.

Rafael Lopez Villasenor.