Conselho Indigenista Missionário lança Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil

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O Conselho Indigenista Missionário lançou nesta quinta-feira, (17), o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, dados de 2013. A cerimônia aconteceu às 9h30 na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, e contou com presença de entidades civis e organismos da Igreja que trabalham com a causa indígena.

O material é produzido anualmente desde 1986 e reúne dados coletados em todo o Brasil por militantes que trabalham junto ao Cimi na proteção e efetivação dos direitos indígenas.

Para Dom Erwin Kräutler, bispo da prelazia do Xingu e presidente do Cimi, o relatório representa o desejo de muitos missionários e missionárias de denunciar as agressões às culturas nativas. O bispo lembra que essas violências são desrespeitos aos direitos humanos e trazem como pano de fundo a paralisação das demarcações de terras indígenas ocorridas nos últimos anos.

Como resultado da omissão do poder público, Dom Erwin recorda a urgência do compromisso profético de denunciar e fazer com que o desrespeito às culturas ultrapassem o conhecimento do povo e cheguem com maior força aos governos estaduais e federal. “Enquanto existir aversão e violência com os povos indígenas, nós não podemos nos calar. Se nos calarmos, falarão as pedras das ruas. Existe um genocídio e pouco denunciamos”, adverte.

Ao citar a Constituição de 1988, Dom Erwin recorda que a mesma está sendo desrespeitada “por que as atenções do governo estão voltadas aos setores da economia e da política ligados aos latifúndios, ao agronegócio, às empreiteiras”.

Veja relatório na íntegra

Coordenado pela antropóloga Lúcia Helena Rangel, doutora na área de Ciências Sociais, o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil é dividido em quatro capítulos e abarca temáticas como morosidade na regularização das terras indígenas, danos diversos ao patrimônio e as violências cometidas “contra a pessoa”, as violências causadas por omissão do poder público, desassistência nas áreas de saúde e educação, mortalidade infantil e suicídio.

Para Lúcia Rangel, o relatório do Cimi tem estimulado o mapeamento das regiões onde a violência com os indígenas acontece, sendo possível assim denunciar com maior intensidade as violações de dignidades. Quanto à produção do mesmo, a antropóloga afirma que a cartilha é um fruto coletivo.  “Não temos nenhum método próprio para construir o relatório. Ele é resultado de muitas mãos que trabalham nas realidades. Isso faz com que ele revele essas violações ainda mais fielmente”.

Além de Dom Erwin Kräutler e Lúcia Helena Rangel, compuseram a mesa o presidente da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, Cleber Buzatto, secretário executivo do Cimi, o membro da equipe responsável pelo relatório, Roberto Antonio Liebgott, e em representatividade dos indígenas do Brasil, Ivanildo Tenharim.

  • Por Guilherme Cavalli.