A Páscoa de Jesus Cristo hoje

  • Francisco Régis
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Celebramos a grande festa da nossa Igreja: a Páscoa de Jesus Cristo. Como acontece com as grandes festas religiosas cristãs, também a Páscoa de Jesus Cristo foi comercializada em coelhos e chocolates.

É assim que muitos adolescentes, que chegam em nossas comunidades para a catequese, entendem a Páscoa: a festa do chocolate e do coelho. Conversando com tradutoras de libras, perguntei como traduziam Páscoa e fizeram sinais que indicam um coelho. Na celebração das vésperas da Conversão de São Paulo, Bento XVI dizia que o mundo não só se torna indiferente a Deus, mas começa a tratar a fé cristã com certa aversão e, por isso, se faz necessária uma decisiva atitude evangelizadora também nos países que cresceram ouvindo o Evangelho.

Será que o “homo tecnologicus” perdeu sua atração pelo transcendente?

Vários estudos no campo da Filosofia, Sociologia e Psicologia dizem que não. Ao contrário, tais estudos apontam para a busca do transcendente e para buscadores de Deus. A atenção para com a natureza, por exemplo, é indício dessa aventura de buscar Deus. Num dado momento, surgirá a interrogação da origem de tudo; também no caminho da evolução natural existe um começo, existe uma origem. Karl Rahner, eminente teólogo alemão, dizia que o coração do homem é uma espécie de imã, que naturalmente se sente atraído para Deus, mesmo que disso não se dê conta.

Mas, como abrir portas e ter respostas para que os buscadores de Deus possam encontrá-lo? É o desafio de uma autêntica “pastoral de fronteira”. Assim como as mulheres do Evangelho, ao anunciar a Ressurreição são julgadas delirantes, o mesmo se repete com nossos anúncios. Pedro se deixou vencer pela dúvida e foi ao túmulo porque aquelas mulheres, com seu desvario, colocaram Pedro no caminho, em direção do túmulo vazio. Mesmo que o mundo considere as verdades da fé, especialmente a Ressurreição, um desvario, esta continua sendo nossa grande proclamação para o mundo inteiro: Jesus ressuscitou; o túmulo está vazio! Aleluia! A morte foi vencida pela vida.

No ministério pastoral da Igreja  existe quem anuncia, mas não evangeliza, e, existe quem anuncia e evangeliza ouvindo perguntas que nem sempre têm respostas. Anunciam, mostram o caminho da Ressurreição e esperam que como Pedro, façam o caminho e entrem no túmulo vazio para fazer experiência do Mistério divino. O “homo tecnologicus” sente necessidade da experiência, de passar pelo túmulo vazio; mas para isso precisam ser colocados no Caminho. Eis o desafio para nossas pastorais: não ter respostas prontas para tudo, mas ter o endereço e mostrar o caminho para fazer experiência da Ressurreição.

Pastoral, aliás, tem a ver com pastorear e pastorear é indicar caminhos onde a vida possa ser alimentada de modo pleno e abundante.

Francisco Régis.