Filipinas: O Impacto das Mudanças Sociais na Vida das Famílias

  • Everaldo dos Santos
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Olá amigos, vocês hão de concordar que a família em si vem passando por uma forte crise. O sínodo sobre a Família vem em hora certa e nos incentiva a olharmos para a realidade como ela é, e não como a imaginamos que seja.

A sociedade filipina tem passado e continua passando por uma fase muito intensa de modernização, industrialização, urbanização e, estas mudanças, trazem consequências enormes para as famílias, desestruturando-as e modificando toda a forma de relacionamento que existia quando se vivia em vilarejos menores, ambiente este que favorecia uma aproximação muito grande entre os seus membros, cada qual com seu papel e expectativa social e cultural bem definidos.

Eis algumas observações:

A mulher, esposa e mãe é vista como produtiva na fábrica ou comércio e não em casa. A inclusão das mulheres no mercado de trabalho faz com as mulheres obtenham melhores níveis de escolaridade, melhor qualificação profissional, mas também exige que elas tenham menos filhos – se tiverem algum – e mais ausência da família.

Já que mais mulheres estão empregadas fora de casa, a estrutura das famílias tradicionais muda totalmente. Os maridos e filhos devem cooperar mais nos afazeres domésticos que antes seria espaço primordialmente das mulheres, situação esta que proporciona uma igualdade maior dos gêneros e suas funções, mas revoluciona os papeis e expectativas impostos pela própria cultura e sociedade. No processo, alguns entram em crise de identidade.

A autoridade do homem como marido e pai entra em declínio. Por causa do trabalho, os homens ficam muito tempo ausentes de suas famílias ao mesmo tempo que as mulheres conquistam mais independência financeira e consequentemente não precisam mais serem submissas aos seus pais e/ou maridos. Cresce também os casos em que o marido desempregado cuida da casa e dos filhos enquanto que a esposa trabalha para ganhar “o pão de cada dia.” Casos assim, em um contexto machista, deixam a autoridade do homem como chefe de família completamente comprometida, assim como a sua própria auto-estima.

Antigamente as famílias tinham seu próprio negócio e a família exercia um papel autoritativo sobre seus membros, os quais juntavam forças em prol de seu bem comum. Hoje, cada pessoa tem seu emprego totalmente desconexo um do outro de forma que a família perde a capacidade de controle que antes existia. Cada um ganha seu salário e gasta no que quer sem necessariamente fazê-lo respeitando critérios e prioridades que levem em consideração o bem de todos ou a vontade do pai, mãe (ou alguém em posição de autoridade).

Os laços de família aos poucos vão se enfraquecendo na medida em que os indivíduos se adaptam ao anonimato dos grandes centros urbanos. Situação esta que favorece a permissividade e que acaba por influenciar bastante o comportamento das gerações modernas

Enquanto que num passado não muito distante os laços mais fortes de afinidade entre as pessoas eram os ligados a consanguinidade (pais, filhos, irmãos e parentes), hoje isso começa a se diluir. A amizade entre colegas de trabalho, de escola ou outro ambiente frequentado pode ser muito mais significativo para uma pessoa do que a relação de sangue na família.

Vive-se num momento em que muitas conquistas importantes foram adquiridas no que diz respeito ao direito, igualdade de gêneros, partilha de responsabilidades e dignidade das mulheres que na verdade sempre tiveram, têm e terão o papel chave nas famílias, principalmente na educação dos filhos. Mas infelizmente a sociedade contemporânea induz muitas delas a pensar que encontrarão mais dignidade cuidando dos filhos alheios do que os seus próprios.

Então, partilho isso não para reclamar, criticar ou julgar;   É apenas uma tentativa de ver o que se passa ao nosso redor e entender a nossa realidade. Acredito que quanto mais viermos a entender a crise pela qual passa a família, saberemos também como trabalhar com os jovens vocacionados que acolhemos em nossas casas. A desestruturação da família como instituição certamente tende a provocar uma grande fragmentação na estrutura pessoal de cada um. E isso afeta muito o nível de compromisso a longo prazo e a fidelidade às escolhas que sobretudo os jovens são chamados a fazer e viver. Um grande e fraterno abraço a todos!

Pe. Everaldo dos Santos , SX.

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