Experiência missionária no Chade – África

  • Elisabeth Miguel Espinhara
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Muita gente não sabe aonde fica o Chade. Mas não é difícil localizá-lo. É só olhar no coração da África e lá está ele, bem próximo ao deserto Saara. De fato, a temperatura que pode chegar até aos 50ºC foi o meu primeiro desafio.

Contudo não me assustou, pois quando cheguei aqui há oito anos atrás um outro calor me esquentou o coração: esta terra me deu a impressão de ser um “paraíso missionário”. Porque? Um povo tão diferente! Tantos desafios missionários... Eu sempre tinha sonhado fazer uma experiência forte de missão. E assim foi!

O povo massa, uma das 230 etnias do Chade, é muito espontâneo e muito simpático. A acolhida das crianças é um encanto. Foi fácil amá-las e se deixar amar por elas.  Estas crianças e os jovens foram a minha prioridade missionária. Quantas emoções vivemos juntos. Rapidamente me apaixonei por este trabalho. Os vi crescer, e eu cresci com eles. Foi aqui que compreendi que o amor é concreto. Só as palavras não bastam para mostrar que a gente ama uma pessoa, um povo.

Um dia estava fazendo curativos em um adolescente, ele tem feridas na perna à mais de doze anos. E um detalhe, eu não sou enfermeira, mas a missão tira o melhor de nós mesmas e nos ajuda a desenvolver talentos importantes. De fato, aqui cresci em humanidade. Bom, enquanto fazia o meu trabalho, um outro jovem falava comigo sobre Nelson Mandela, dizendo que estava muito triste com a sua morte. Eu lhe disse que ele jamais iria morrer, seus gestos e palavras iriam fica no coração da humanidade para sempre. O jovem me fixando nos olhos disse: “irmã você também nunca morrerá. Os teus gestos e as tuas palavras vão ficar em nossos corações para sempre”! Será assim também para mim.

Uma vez ao escutar um jovem dizer que não tinha pior desgraça no mundo que ter nascido africano, entendi o objetivo da minha presença aqui: Eu tinha que mostrar para eles que Deus os ama e caminha com eles.

Não tive muitas oportunidades de falar de Deus. Porém a nossa presença falava de Deus para eles. Certo dia, acompanhei uma senhora doente ao posto de saúde. Depois do ocorrido ela veio me agradecer com estas palavras: “Eu disse ao meu marido, que uma branca me colocou no seu carro enquanto eu gritava de dor. Ela me levou ao médico, pagou a conta. E disse ao médico que se precisasse de outros remédios voltaria para pagar. Porque esta branca fez tudo isso por mim? Nem temos a mesma cor! Só pode ser coisa de Deus.”

Acho que posso resumir a minha pequena experiência em uma única palavra: “descoberta”. Seja tanto para mim, quanto para eles, foi um tempo forte de descoberta do novo, da novidade. Tudo era novo para mim, e eu era uma novidade para eles. Juntos nós compreendemos que Deus nos ama como um Pai amoroso de seus filhos.

Agradeço muito a Deus por esse tempo vivido junto ao povo massa.

Foi com eles que compreendi com profundidade a beleza deste Deus que nos ama e caminha conosco. De um Pai que ama seus filhos, e que não nos deixará jamais caminharmos sozinhos.

Elisabeth Miguel Espinhara.

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