Vida Religiosa, vem para fora

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Escrevo estas reflexões ainda sob o impacto da convivência com 2100 mulheres e homens no Congresso da Vida Religiosa Consagrada em Aparecida nos dias 7 a 10 de abril de 2015.

O impacto não veio do número dos participantes, mas dos desafios que a história faz às mulheres que ainda escolheram como modo de ser cristã a Vida religiosa consagrada.

Dias de kairós

Kairós: visita de Deus: Ele vem ao nosso encontro na história, bate à nossa porta e, se o deixarmos entrar em nossa vida o tempo de cronológico se torna kairológico, tempo de graça.

Teço meu pensamento com linha de duas cores:
  • A cor de papa Francisco que assim nos convida a viver este ano dedicado à Vida Religiosa Consagrada: Fazer memória com gratidão - Viver o presente com paixão - Abraçar o futuro com esperança.
  • A cor do Lema da CLAR (Conferencia dos Religiosas/os na América Latina) inspirado no ícone de Betânia: Vem para fora (João 11,39-44).

 Fazer memória com gratidão: Fazer memória é re-cor-dar, dar de novo o coração. Sentir que somos parte de uma longa corrente de testemunhas desde os albores dos padres e madres do deserto, do monaquismo, da vida consagrada apostólica, das nossas e dos nossos fundadores. Efigênia, Escolástica, Teresa, Catarina, Margarida, Celestina, anéis conhecidos desta longa corrente de testemunhas, mas também de tantos anéis anônimos de mulheres que no seguimento de Jesus fizeram a diferença na história tornando-a mais humana assumindo seus sofrimentos, suas lágrimas, suas dores, seus sangue com generosidade, dedicação, criatividade.

 Viver o presente com paixão: Vivemos num tempo de desconcerto, tempo de mudança de época, pensamento líquido e outras definições que nos assustam e inquietam.  O cotidiano se apresenta desafiador: obras que precisam ser fechadas, a causa do envelhecimento, da diminuição de vocações, das desistências e porquê não acomodação. Isso nos inquieta e pode abafar a chama da paixão. Mas filhas desta longa corrente de testemunhas, percebemos que a mesma paixão que os impulsionou é presente e viva, na busca, no anseio sempre vivo de seguir a Jesus na radicalidade e simplicidade, na resposta à humanidade e à natureza que clama para que nossa presença seja uma presença humanizadora. Testemunhamos esta paixão nas comunidades inseridas nas periferias sociais e culturais, entre os povos indígenas, na presença Inter congregacional no Haiti e em outras experiências anônimas espalhadas no Brasil, na América Latina, na África... Presenças silenciosas, anônimas, mas criativas que fazem a diferença.

 Abraçar o futuro com esperança: mudança de época em que parece que a Vida Religiosa Consagrada tem pouca relevância. Temos a sensação de estar viajando num túnel, na escuridão. Mas somos filhas da luz, buscadoras do sol. Sol que é Deus, testemunhado na historia por Jesus de Nazaré. Então como sentinelas estejamos alerta para perceber as pequenas luzes já presente no túnel, vislumbrar as estrelas que brilham na noite. Sentinelas que se perguntam quando acabará a noite? Somente a Divina Ruah, energia vital de Deus tem a resposta.

Nos mulheres consagradas somos convocadas a assumir a atitude de Marta, da comunidade que ela representa: tirar a pedra, desatar os pés e as mãos das ataduras que nos prendem a um passado que deve ser re-cor-dado, mas ao mesmo tempo ser superado para voltar a ser vida que enxerga, escuta, caminha, toca e torna presente o anúncio de uma vida ressuscitada.

Ter a coragem de resignificar os votos: pobreza em justiça e partilha; castidade em amar com ternura e misericórdia; obediência em escuta intensa ao Espírito que nos fala nos gritos e apelos da historia, da humanidade.

Viver este tempo como tempo de poda para que novos brotos possam florir e frutificar. Abrir-se ao mundo sentindo-se parte dele e, olhar a modernidade com olhos de empatia e esperança. Continuar o caminho de tecer redes em favor da vida.

Sentir que é tempo de profecia na pequenez, no não poder, no serviço, na criatividade que somente a esperança no Espírito pode dar à luz a novidade.

Vida Religiosa Consagrada vem para fora como sentinela que espera a aurora, que anuncia que o Reino é presente.

Ir. Tea Frigerio, mmx.