A situação dos refugiados e as novas formas de escravidão

  • Marcelo Ávila
  • Artigos
0
0
0
s2smodern
0
0
0
s2smodern
powered by social2s

Estamos vivenciando um momento crítico no cenário mundial que ameaça fortemente todos os esforços em prol da construção da paz no mundo. Podemos dizer que nunca estivemos tão perto de uma guerra nuclear que pode trazer consequências irreversíveis para a humanidade.

Além da ameaça de uma guerra nuclear, a situação dos refugiados no mundo tem revelado uma nova forma de escravidão que muitas vezes é ignorada e esquecida.

Recentemente acompanhamos uma triste reportagem que mostrou a venda de refugiados africanos na Líbia. Um comércio desumano que em pleno século 21 evidencia até que ponto o homem pode chegar na relação com o seu próprio semelhante. O caso da Líbia é apenas a ponta de um “iceberg”, um exemplo entre tantos outros que nos questiona fortemente em relação ao maior de todos os mandamentos: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Para fugir de todos esses problemas, os refugiados se aventuram na rota da morte tentando fazer a travessia do mar mediterrâneo para chegarem na Europa. Normalmente essas viagens são feitas em embarcações precárias e superlotadas, sem as mínimas condições de segurança e dignidade. Sem dúvida, o drama vivido pelos refugiados deveria nos questionar fortemente, sobretudo em nossa capacidade de acolher o estrangeiro que é nosso irmão, nosso semelhante.

04 24 irin migrants libyaAlém das novas formas de escravidão às quais os refugiados africanos estão sendo submetidos, existe um outro grande problema que muitas vezes passa despercebido: a acolhida dos refugiados quando os mesmos conseguem chegar no destino final. De um lado nós temos os países que abertamente recusam a acolhida, fechando suas fronteiras e criando políticas xenofóbicas. De outro lado nós temos os países que acolhem, mas pensando simplesmente em seus interesses próprios ligados à economia e ao desenvolvimento do país.

Acolher os imigrantes se torna sinônimo de mão de obra barata e porque não dizer escrava.

É inadmissível aceitar que os refugiados estão sendo vendidos como escravos em um comércio desumano, onde muitos são mantidos em prisões sem um tratamento digno para uma pessoa humana. É muito doloroso saber que crianças morrem de sede tentando atravessar o deserto fugindo dos terroristas e que muitas famílias se dividem nas embarcações precárias sabendo que o caminho para Europa pode ser o caminho para a morte. Isso sem falar das meninas que são arrancadas de suas famílias para se tornarem escravas sexuais e que muitas morrem vítimas da violência extrema à qual elas são submetidas.

Meu interesse não é ser pessimista, pelo contrário, quero simplesmente tocar em uma ferida aberta para que as pessoas comecem a olhar mais para os problemas do mundo buscando sempre caminhos de luzes e de vida. Como missionário na África posso dizer que muitas pessoas de boa vontade e muitos países estão fortemente engajados na construção da paz, porém, existe sempre uma força contrária que precisa ser combatida e denunciada.

Infelizmente, enquanto olharmos para os outros como rivais nunca poderemos construir um mundo de paz e de fraternidade, pelo contrário, estaremos sempre construído muros ao invés de construirmos pontes para favorecer a beleza do encontro com o outro que não deixa de ser encontro com o Cristo.

A construção de um mundo melhor ainda está muito longe, porém, ela é possível onde cada um é chamado a contribuir, dar um pouco de si mesmo para que essa construção se realize.

Vivemos uma situação muito dramática nas missões onde trabalhamos, porém, o desejo de servir o próximo anunciando a beleza do Evangelho é bem mais forte que todas as ameaças e dificuldade que estamos expostos. Diante das realidades mais difíceis e desafiadoras, o missionário deve ter um olhar transformador! Sempre cheio de paz, de esperança, de vida e de amor sonhando com a possibilidade de fazer do mundo uma só família.

14 Massimo SestiniA situação atual da Líbia é caracterizada por um anarquismo político que é fruto da intervenção militar dos Estados Unidos que culminou com a morte do presidente Muammar Kadafi em 2011. Até o presente momento, o governo atual encontra muitas dificuldades para consolidar um governo estável. Como resultado, a Líbia se tornou o caminho mais fácil para os refugiados africanos entrarem na Europa, sobretudo pela vulnerabilidade das fronteiras.

Normalmente, os principais motivos da imigração são: ameaças de guerras, terrorismo, miséria, perseguições políticas e religiosas e a falta de oportunidade para os jovens.