O chamado Deus para a missão na sociedade

O chamado Deus, vai para além da subjetividade da própria fé. É assim que vejo a minha experiência missionaria. Entendo o plano de Deus como um resgata da criatura humana das más condições espirituais em que vive.
A missão da igreja deixada por Cristo de Evangelizar e instaurar o Reino não consiste apenas no campo espiritual, a proposta passa por um compromisso real de transformação em busca da dignidade do ser humano. Nas Sagradas Escrituras lemos e refletimos sobre o chamado de Deus e a resposta humana, as ponderações e o medo, as desculpas. Todo o processo missionário passa pelo chamado de Deus e a resposta é do livre arbítrio. Como Abraão o pai de uma grande nação (Gn 3, 1-3).
Josué entrou com o povo na terra prometida (Js 4, 1-5), Maria disse sim ao anjo. Porém algumas desculpas do passado e do cotidiano, são repetidas constantemente. Quem sou diante do Faraó? Tantas ofertas no mundo mais atraentes e causa desinteresse ao chamado de Deus.
O meu interesse, meu sim a Deus, foi bem reforçada com o encontro com os Missionários Xaverianos na prefeitura de São Paulo. Na formação bíblica no meio popular, olhando a realidade, descobri um sentimento que vai além do Amor, seria impossível? Sim a empatia é soberana, sentir e se colocar no lugar do outro.
São muitos anos de trabalho missionário, com o pé no chão e sempre com olhar na realidade, na luta pela vida através participação política na periferia em busca de sociedade mais justa e igualitária. À luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, escolhi como expiração e marca prioritária para minha vivencia missionara, o que diz Papa Francisco “não é uma opção sociológica, é uma exigência evangélica” que não pode ficar restrita a uma campanha em uma época ou um tempo que aguce, mas a solidariedade mais como algo permanente e como ação que permita transformações na vida das pessoas.
Como participante das pastorais e apaixonada pelas Comunidades Eclesiais de Base, contribuindo para melhorar a realidade das pessoas e situações que fazem parte do cotidiano, como Ministra Extraordinária da Palavra e coordenadora de minha comunidade, não poderia não ter compaixão, consciente que a missão passa pela cruz, nem tudo são flores e alegrias, mas também sofrimentos, tristezas e decepções.
As necessidades são muitas e quando ajudamos as pessoas é a Jesus que ajudamos (Mt 25, 35-45). A missão Ad Gentes é o centro da espiritualidade xaveriana é algo encantador, natural, porém minha experiência local procura “fazer de um mundo só família” em comunhão com a Igreja e a comunidade local.
Além do trabalho de evangelização, é preciso também cuidar da necessidade humana para uma vida digna saúde, moradia, educação, emprego. Foram anos de lutas nos conselhos, na participação social e política e tivemos alguns resultados importantes.
O primeiro emprego para muitas mulheres e o primeiro emprego para vários jovens da comunidade. Bolsa de estudo para medicina fora do Brasil três médicos formados da comunidade, moradia, atendimento digno na saúde pública. Participação e conquistas nos Conselhos Tutelares da região. Projetos sociais para idosos, crianças, adolescentes de alta qualidade no atendimento. Estas são algumas conquistas de grande importância na comunidade. Mas tudo tem o seu preço, as vezes falta de gratidão, logo me sustenta o que Jesus diz: “Buscai primeiro o reino e sua justiça e tudo, mas vos será acrescentado” (Mt 6,6).
Participo na paroquia Sagrado Coração de Jesus há mais de vinte anos, faço meu trabalho missionário no dia a dia no silencio na simplicidade, sem alardes na discrição do meu temperamento discreto como pequenas sementes do Reino. Minha experiência missionaria passa também pela participação concreta na sociedade civil a fé, a oração, as formações cristãs são fundamentais para o engajamento ativo, que às vezes, não são bem vistas dentro da Igreja. Enfim, nesta caminhada missionária só tenho a agradecer por tantas oportunidades de participação na comunidade, na paroquia, em coordenações diocesanas. Tudo se resume no amor.
Eliza Cristina dos Santos, (missionaria leiga xaveriana)










