Assembléia da diocese de Alto Solimões

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Algo bonito aconteceu em Tabatinga, de 11 a 15 de novembro, no Centro de Pastoral Frei Ciro. Mas esse local e essa data são muito mais amplos, pois a preparação da Assembléia Diocesana de Pastoral envolveu muito mais gente, muito mais trabalho e muito mais dinamismo.

Vários meses de pesquisa, preparação, oração, eleição dos delegados: 10 por Paróquia. Tudo isso ajudou para que os que vieram, 130 pessoas, estivessem tão animados!

Na noite da abertura, o clima já era bom, mas o número ainda era pequeno.  Enquanto era feita a abertura do evento, uma algazarra vital se punha em marcha do lado de fora do salão. Era o movimento de pessoas, carregando suas maletas e mochilas. Chegavam à casa do grande encontro após horas e até mesmo dias de viagem. E outros chegantes ainda estavam nos barcos que transitavam no Solimões, no Javari e em outros afluentes. Foram chegando noite a dentro, sem horários comandados por relógios, mas pelo ritmo das águas e da própria vida, valores inerentes a essa realidade do mundo das águas e das florestas.

Tenho a impressão que essa motivação pré e inicial já definiu o valor do encontro. As orações eram criativas, nativas e conectadas com as realidades circundantes. Tiveram o apoio da Equipe Itinerante para impulsionar metodologias ecoteológicas, de animação, de reflexão, de celebração. Foi bonito o envolvimento das lideranças das comunidades para incrementar um ambiente celebrativo bem inculturado e conectado com a vida do lugar.

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Já na animação da primeira manhã se cantava a plenos pulmões: Eu quero ver, eu quero ver acontecer... Um sonho bom, sonho de muitos, acontecer!!! E foi intuindo a inspiração do momento que Frei Paulo Xavier, exímio animador e coordenador, indagou com veemência sobre a coerência entre o cantado e o vivido. Foi unânime o grito de confirmação do que era evidente: sonhos estão se realizando! Eles não chegam como mágica. São fruto de uma longa história que aqui se vive ao longo dos rios da vida!

Os passos seguintes se constituíram na visualização de um extraordinário filme existencial. Imagine que na tela foram-se projetando flashes do cotidiano de cada comunidade, paróquia e pastorais. Flashes, sim, pois bem maior é a realidade, recheada de conquistas e de desafios. E essa Diocese consta de  08 paróquias, situadas em 07 municípios . São animadas por muitos leigos(as), 20 sacerdotes entre diocesanos e Capuchinhos. São 11 as Congregações Religiosas: Irmãs de Santa Catarina de Alexandria, Irmãs de Santana, Cordimarianas, Capuchinhas, Franciscanas do Coração de Maria, Ursulinas de São Carlos, Comunidade Intercongregacional (Missionárias da Imaculada – Pime e Sagrada Familia de Bordeaux), Instituto de Leigos(as) Consagrados(as) Aliança da Misericordia,  Freis Capuchinhos, Maristas (Irmãos e Leiga), contando ainda com o apoio da comunidade panamazônica dos Jesuitas, de Leticia. As Irmãs de Nossa Senhora - Conegas de Nossa Senhora, que bem logo  fundarão também sua missão aqui.

Mas essa linguagem numérica e institucional, de caráter urbano, nesse contexto, corre o risco de ser redutiva. E urge aqui a valorização de um verdadeiro tesouro da humanidade que é o modus vivendi das muitas comunidades indígenas presentes e persistentes nesse vasto contexto. As comunidades eclesiais mencionaram a presença de várias etnias, seja na cidade, seja no interior. Ali estão os Kokama, Tikuna, Kanamari, Matis, Marubo, Mayoruna (Matsés), Kaixana, Kambeba, Kulina, Korubo, Witota. Há grande êxodo desses povos, que deixam seus habitats naturais para vir sobrevier nas cidades e povoados. E valeria aqui uma análise mais completa e uma ação mais decidida em favor da causa dos povos originários. Eles que vivem acuados pelas doenças que chegaram às aldeias, pela falta de atenção no campo da educação in loco ou são atraídos pelos enganosos fascínios das cidades onde tudo é monetarizado.

IMG 63721Após as apresentações individualizadas de cada setor da Igreja local, paulatinamente foi-se refletindo sobre a importância da pastoral de conjunto, da organização das equipes gerais e locais de coordenação, o aprofundamento bíblico, a prioridade da formação das pessoas para além do costumeiro cuidado com as construções. Priorizar o humano ao material.

Na partilha das pastorais ou projetos mais globalizantes, foram apresentados: Serviço de Animação Vocacional, Pastoral da Sobriedade, Cáritas, Rede Um Grito pela vida para o enfrentamento ao tráfico de pessoas, Pastoral Carcerária e de Mobilidade Humana, CIMI, REPAM, Projeto Panamazônico Marista, Jesuíta e das Irmãs de Nossa Senhora -Cônegas de Santo Agostinho, Equipe Itinerante.

Isso sem falar das várias outras organizações pastorais que foram sendo mencionadas ao longo das reuniões e mesmo das celebrações. Queremos que o rosto de Jesus apareça a partir de nossas atividades evangelizadoras, insistiu o assessor, que teve o assentimento grupal.

Muito presente em todos os aspectos de avaliação, questionamento e proposições foi a questão da evasão de muitos católicos para as Igrejas Evangélicas e também a necessária maturidade ecumênica para a vivência comunitária da fé no nosso mesmo Deus.

De modo bem sistemático, o Pe Valério Sartor, SJ, elaborou uma síntese dos relatórios a partir do modelo metodológico FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. A síntese ficou muito rica. E foi muito bonito também a interação da assembléia ao confirmar as informações sistematizadas, mas também para aprofundar ou questionar alguns aspectos que não estavam bem elucidados como, por exemplo: organização da Juventude, Políticas Públicas, incidência social através das parcerias. Boa participação popular, através dessas salutares reações. Muito bonito constatar a competente participação dos(as) leigos(as) e com boa presença de jovens!

A partir de tão farto material, passou-se a fazer uma iluminação teológico-pastoral em conexão com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2015-2019) que almeja uma Igreja intrinsecamente discípula, missionária, profética e misericordiosa. Um trabalho bem aprofundado e também motivador devido ao modo competente e descontraído de apresentar do Pe. Zenildo Lima, secretário executivo da CNBB Regional Norte 1, que assessorou a assembléia.

E em todo momento, ali estava D. Adolfo, qual bom pastor, escutando, animando, orientando e ajudando a intuir os renovadores passos da missão do Reino nesse lindo contexto da tríplice fronteira.

Uma delicadeza de profundo significado humano e que valorizou sobremaneira a sensibilidade intercultural tão marcante nesse lugar do Planeta foi o espaço concedido às pessoas de origem tikuna para se expressarem em sua língua e nos seus ritos, seja nos momentos de mística, seja na tradução de temas centrais da assembléia.

E, após ver as lindas realidades apresentadas na assembléia, quais são suas projeções? São, sobretudo, o fortalecimento de nossa Profissão de Fé e o compromisso com a causa do Reino da vida! Foram muitos os indicadores colhidos para incrementar o Plano de Pastoral. Um processo aberto de participação e de animação desses e de novos discípulos(as)-missionários(as) que o Espírito de Deus poderá nos presentear. E isso será pedido também à Boa Mãe, N. S. da Assunção, e a todos os Santos Padroeiros que foram tão carinhosamente celebrados no encontro.

A equipe que planejou e organizou a assembléia: Isalene Tiene, Verónica Rubí, Frei Paulo Xavier, Pe. Washington Villadiego, Ir. Patrizia Licandro e D. Adolfo Zon Pereira, só pode ter ficado feliz com as sementes plantadas e os frutos já trazidos para compartilhar. Esse foi também o sentimento geral da grande assembléia que procurará ser sempre mais: uma Igreja Amazônica em saída: toda para todos! Testemunhando a fé que atua pelo amor (Gl 5,6).

Ir. João Gutemberg, marista.

Na foto de cima: Dom Adolfo como bom pastor caminha junto com o povo.