
No dia 1º de novembro, a Igreja Católica celebra a Solenidade de Todos os Santos. É o dia em que recordamos que a santidade não pertence apenas àqueles oficialmente reconhecidos pela Igreja, mas também a tantas pessoas que viveram o Evangelho no silêncio do cotidiano. Todos os que morreram e estão junto de Deus no paraíso são santos. Todos somos santos e pecadores!
Ao longo do ano, cada dia é dedicado à memória de um santo. Há santos para todas as devoções, gostos e necessidades. Mas a festividade de Todos os Santos é mais que uma simples comemoração, pois é uma grande festa da fé. Celebramos os santos conhecidos e os esquecidos, os canonizados e os anônimos.
Os santos foram e são gente comum, de carne e osso, que viveram e vivem o amor de maneira extraordinária, que dedicam a vida a servir a Deus presente no próximo, como aquela pessoa que, mesmo cansada, ainda tem tempo para escutar, para ajudar, para consolar, para se compadecer do sofrimento alheio, praticando a fé de maneira concreta com gestos simples de amor e com o coração aberto.
Ser santo não é ser perfeito, mas deixar-se conduzir pela graça de Deus. É viver plenamente a própria humanidade, porque quanto mais humanos somos, mais próximos estamos de Deus; e quanto mais desumanos, mais distantes Dele e da santidade. Ninguém se faz santo por esforço próprio, pois é Deus o oleiro que molda nossa vida com paciência e ternura. A santidade não nasce do orgulho espiritual, mas da confiança humilde em Deus que age em nós.
O verdadeiro modelo de santidade é Jesus de Nazaré. Ele preferiu os pobres, enfrentou os poderosos. Sua santidade se expressa na oração, na defesa da vida e na compaixão sem fronteiras. Jesus não julgava, acolhia. Jamais condenou quem errou, mas foi firme com os que usavam a religião para dominar. Jesus não buscou agradar a todos; escolheu ser fiel ao Pai e ao Reino, mesmo que isso custasse a cruz.
A santidade que Jesus propõe nasce do amor, não da lei. É fruto da compaixão e da misericórdia, não do moralismo. É reconhecer o rosto de Deus em cada pessoa e transformar o mundo a partir do bem. Celebrar Todos os Santos é celebrar a força da graça que age no coração humano. É recordar que a santidade é possível para todos, pois basta amar, servir e confiar. Santo é quem ama como Jesus, sem preconceitos, com compaixão e fome de justiça.
Todos nós cristãos somos chamados à santidade, embora sejamos pecadores. A santidade não é heroísmo, nem ideal moralista, é graça que transforma o coração de quem ousa amar gratuitamente.
Rafael Lopez Villasenor







