Presença xaveriana na pastoral indigenista com os Kayapó
Um breve histórico da atuação dos xaverianos na pastoral indigenista ajudará perceber melhor as mudanças que ocorreram na presença da nossa Congregação na Amazônia. O caminho da Igreja da América Latina, marcado pelas suas conferências episcopais, se torna um elemento importante para compor o pano de fundo no qual os xaverianos atuaram.
Os xaverianos detectando nos povos indígenas, nos camponeses e nos moradores das baixadas de Belém (PA) as feições do rosto desfigurado de Cristo, concretizaram a opção pelos pobres, que Puebla tinha almejado, engajando-se diretamente nesses setores da sociedade. Na prática dos missionários xaverianos aconteceu junto ao povo Kayapó do Alto Xingu.
No começo da década de 1970, os xaverianos assumindo a responsabilidade da paróquia de São Felix do Xingu (PA) e com a presença de uma comunidade em Altamira (PA), retomaram os contatos com os índios presentes na Prelazia do Xingu. Foi o tempo das desobrigas ao longo dos rios da Prelazia, (Xingu, Iriri, Curuá, Fresco e Riozinho). Essas viagens foram marcadas pelas visitas prolongadas nas aldeias indígenas especialmente as do povo Kayapó do Alto Xingu no Pará.
Num segundo momento, uma comunidade de xaverianos, em nome da Igreja do Xingu, transferiu-se num primeiro momento nas aldeias de Kikretum e A’ukre e mais tarde em Moikarakô inserindo-se na vida daquelas comunidades indígenas. A inserção correspondia ao anseio da Igreja Latino Americana de marcar presença junto aos setores mais sofridos da sociedade.
Uma terceira etapa iniciou quando os xaverianos familiarizando-se com a cosmovisão desse povo indígena prepararam o chão para o possível diálogo com o mundo sagrado dos Kayapó. A inserção dos xaverianos na vida das comunidades indígenas de Kikretum, A’ukre e Moikarakô marcou o caminho para uma inculturação do evangelho na cultura deles. Uma inserção que pretende ter como modelo a experiência de Jesus de Nazaré que passou, no “silêncio” e no anonimato da vida cotidiana daquela aldeia da Galiléia, a maior parte de sua vida.
Finalmente, podemos identificar a quarta etapa da atuação dos xaverianos junto ao povo Kayapò com a formação da comunidade xaveriana na cidade de Redenção (PA). Em Redenção, os xaverianos da pastoral indigenista procuram acompanhar o povo Kayapó num dos momentos mais delicados da vida deles: o encontro com a sociedade envolvente. Os missionários são chamados a acompanhar esse processo e fazer com que o povo Kayapó viva esse experiência do encontro como sujeito fortalecendo sua cidadania e sua capacidade de se auto gerenciar.
As etapas não seguem necessariamente uma ordem cronológica na atuação missionária dos xaverianos junto ao povo Kayapó, mas evidenciam momentos que caracterizaram a ação pastoral junto ao povo Kayapó e que constituem novos paradigmas da Teologia da Missão inaugurada pelo Concílio Vaticano II e contextualizada na America Latina nas Conferências episcopais desse Continente.
Pe. Walter Taini, sx











