Experiência Missionária no Chade (África)

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Faz quase dois anos que ando por aqui, na savana. Todo dia aprendo alguma coisa. Tudo é tão diferente. Trabalho com um outro xaveriano, o padre Simon Pierre Oum Oum, ele é camaronês. Ficamos somente dois e trabalhamos em duas grandes paróquias.

Temos comunidades com até 45 km de distância no período sem chuvas que se tornam maiores quando as chuvas vêm. Ainda estou estudando a língua em meio os trabalhos pastorais. A língua é difícil por causa da falta de professores capazes de explicar a gramática à um estrangeiro, mas sou paciente, não desisto, creio que um dia ela entre.

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Nossa maior responsabilidade é o catecumenato. Nosso bispo não autoriza o batismo de bebes, pois nossa diocese é jovem com poucos anos de vida, a missão ainda está no começo. Acolhemos adolescentes, jovens e adultos na catequese. A catequese dura mais de três anos, ela é centralizada na Palavra de Deus.

Como ainda temos um alto índice de analfabetos, a catequese é narrativa. O catequista conta os textos do Evangelho e cada catecúmeno deve ser capaz de repetir o texto e ensinar os outros do grupo, logo depois o catequista ensina o sentido do texto, sua aplicação prática, etc.

O começo do ano de catequese é marcado com um rito específico para cada etapa, celebrado depois de três dias de retiro.

No primeiro ano temos o rito do “ci yoona” (beber água), os Musseys (nosso povo daqui) acolhem um estrangeiro, uma visita com um pouco de água. É o gesto mais simples e importante da acolhida (com o calorão daqui a gente compreende logo).

Assim acolhemos os novatos com um pouco de água, desejando as boas-vindas na comunidade cristã. No segundo ano temos o rito do “kal huu deera” (entrada na Família) é a partir deste ano que eles são reconhecidos propriamente como catecúmenos.

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Cada um recebe uma cruz, sinal do cristão. No terceiro ano temos o rito do “tin huuna” (colocar o coração... profissão de fé) neste dia o padre faz um sinal da cruz na boca e na orelha dos catecúmenos dizendo Effata, logo após eles professam o Credo e o Pai Nosso.

Os que são aceitos pelas comunidades de base, depois de terminarem o terceiro ano, farão 3 retiros durante os meses que precedem a Páscoa. Depois do terceiro retiro eles fazem o rito do “ngappa” (escolha), eles são apresentados à comunidade cristã, eles fazem as renuncias e as promessas do batismo, e como sinal concreto eles provam uma pitada de sal, sendo convidados a se tornarem sal da terra e luz do mundo. E na Vigília de Pascoa eles serão batizados.

A cada ano os catecúmenos são mais numerosos, entretanto sentimos que somente algumas pessoas fazem um encontro verdadeiro com o Cristo. Nosso trabalho é apresentar Jesus a esses nossos irmãos e não somente os batizar. A alegria que um padre sente vendo uma idosa sendo batizada é indescritível. E eu garanto a vocês que apesar da missão no Chade ser reconhecida como uma das mais rudes dos xaverianos (isso mesmo pelo nosso Superior Geral), Deus consegue encher nossos corações de tal maneira que encontramos a alegria nas coisas mais simples da vida.

E o pouco que temos parece muito, parece demais. As vezes vendo meu povo dançar na missa eu fico emocionado. Eu sei que mesmo se alguns não sabem, aquela alegria vem de Deus e lá eu tenho certeza que Deus está tocando o coração de cada um deles, e eu danço também para agradecer à Deus, pois ele não esquece nenhum dos seus filhos sobre esta terra.

Pe Adriano Lima (missionário xaveriano).