Padre Sávio conta como é sua vida no "Quarto Andar"

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(fonte POM)  Padre Sávio Corinaldesi, missionário Xaveriano, trabalhou por 46 anos no Brasil, 13 dos quais, na Equipe das Pontifícias Obras Missionárias em Brasília (DF). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Assim nos escreve:

“Na vida missionária é possível ser útil mesmo estando doente, idoso ou fisicamente limitado”. É bem provável que algumas pessoas perguntem por mim. Afinal, sai da Terra da Santa Cruz sem despedir-me de tantos amigos e amigas que ganhei ao longo dos 46 anos que tive a graça de viver nesse país.

Moro na cidade de Parma, norte da Itália, no “Quarto Andar”, uma espécie de hospital de longa permanência, na Casa Mãe dos missionários Xaverianos. O local foi reestruturado para acolher missionários idosos e doentes que precisam de especial atenção. O Centro que os Xaverianos familiarmente apelidaram de "Quarto Andar” dispõe de 25 vagas, para missionários Xaverianos vindos dos vários países nos quais a congregação tem missões.

No "Quarto Andar" os missionários vivem uma intensa vida comunitária que leva em conta as limitações de cada um, mas não permite que ninguém se sinta esquecido ou deixado de lado.

É uma vida que inclui momentos de oração em comum (Laudes, Eucaristia, Rosário), reuniões diárias sobre vários temas, fisioterapia e terapia ocupacional sob a orientação de técnicos leigos. Ainda sobra bastante tempo para atividades pessoais.

A direção do “Quarto Andar” é confiada a uma equipe de Xaverianos que doam alguns anos de sua vida para ajudar os doentes e os idosos. São estes confrades que planejam as atividades e ajudam a realizá-las. A execução das tarefas da casa – enfermagem, alimentação, limpeza, serviços gerais - é confiada a funcionários contratados.

Um grupo de voluntários e voluntárias também colabora, dando algumas horas do seu tempo no que for preciso para tornar mais agradável o dia-a-dia dos residentes. Entre os voluntários há estudantes de teologia e outros missionários que vivem nos andares inferiores do edifício. Sempre que suas atividades lhes permite eles vão dar uma mão: empurrar a cadeira de rodas de um doente, dar de comer a outro ou simplesmente conversar e desejar um bom dia...

Sem esquecer a equipe que trabalha no subsolo da Casa Mãe que, três vezes ao dia, envia um carrinho de comida quente e saborosa que é servida a todos os residentes no “Quarto andar” sob a supervisão da equipe médica da casa.

Para o atendimento médico especializado (consultas, exames, etc.) a direção recorre aos serviços de saúde pública da cidade. O trabalho de medicação, acompanhamento diário e supervisão fica por conta da equipe médica da casa.

Minha saúde? O mal de Parkinson está avançando, lenta e irregularmente. Dizem que meu aspecto está muito melhor, comparado com o começo do ano. O tremor e a rigidez vão oscilando ao longo do dia. O maior problema é a dificuldade de comandar as pernas e ser por elas obedecido. Há momentos em que quase esqueço o mal e me movimento como se estivesse livre dele. E há horas em que, para me locomover, preciso utilizar a bengala ou a cadeira de rodas.

corinaldesi2Quanto ao resto, sou ainda autossuficiente embora encontre cada vez mais dificuldade para usar o computador (digitar, mover o mouse, arquivar, salvar, ler na tela ou simplesmente aceitar um convite para uma conversa no Skype...). Mas ainda não entreguei os pontos...

Estou tentando aprender a viver esta nova fase da minha vida, toda ela cheia de limitações impostas pela doença e a velhice.

Com uma certeza: na vida missionária é possível ser útil mesmo estando doente, idoso ou fisicamente limitado.

Lembro o que Jesus dizia a São Pedro: "Quando você era jovem, você costumava vestir-se e ir para onde queria; mas quando fores velho, estenderás as mãos, e os outros vão vesti-lo e levá-lo onde você não quer" (Jo 21,18).

Dou graças a Deus por receber tantas atenções e tanto carinho. Oxalá, todo o mundo tivesse as mesmas regalias.

pe. Sávio Corinaldesi.