Missão e Ecologia na Amazônia!

  • Rosangela dos Santos
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A Amazônia é nossa grande Mãe Água e Mãe Terra, permeada de grandes florestas e cidades. Nela,  encontramos uma imensidão de rios e igarapés e uma biodiversidade de fauna e flora. Também nela está presente uma diversidade de povos e culturas.

Estamos no maior bioma do Brasil e diante de uma obra prima de Deus.

O estado do Pará tem o solo rico em ferro, manganês, bauxita, ouro e outros minérios. O Amazonas é o principal rio do Estado e também a grande via hidroviária regional. Entre seus principais afluentes estão o Tapajós, Xingu, e o Tocantins, fazendo limite com o Atlântico. Muitos fatores o tornam um potencial para a logística empresarial.

Ao encontro desta obra prima, nos últimos 40 anos, deu-se espaço aos grandes projetos. Foram implantados enormes empreendimentos minerais, industriais, energéticos e, atualmente, o agronegócio. Para compreender o tamanho desses empreendimentos, citamos apenas alguns, tais como os projetos para a produção de alumínio como a mina de bauxita no Rio Trombetas, Albras, Alunorte e Alcoa (MA); o projeto Carajás, que contém uma mina de ferro, a estrada de ferro Carajás/São Luís e o Porto de Itaqui; o projeto Cobre no Sossego;  projeto Caulim; as hidrelétricas de Belo Monte no  Xingu e Jirau no rio Madeira; o  projeto TERFRON (Terminais Portuários Fronteira Norte) e a implementação do Arco Norte para o escoamento de grãos e produtos.

Esses projetos para o desenvolvimento foram pensados fora da Amazônia. Foram criados visando à  exportação. Usam tecnologia intensiva de capital e são controlados pelas multinacionais.  No local onde são implantadas, restam suas Pegadas Ecológicas. Poluem os rios e desmatam florestas. Tiram as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas de suas terras. Deslocam populações inteiras de seu habitat natural. Forçam a migração e causam problemas socioambientais irreversíveis.

Os valores do grande capital são contrários aos valores da Ecologia integral. Não consideram ambiente, população, tecnologias e organização social como variáveis interligadas, que devem ser consideras em seu conjunto para sanar os problemas socioambientais.

buen viviNa participação nos diferentes espaços de diálogo para a implementação de políticas públicas, é necessário fazer ouvir nossa voz.

Não podemos nos calar e ficar indiferentes. Somos chamados a nos colocar a caminho para a construção de um desenvolvimento sustentável, humano e integral. Acreditamos que seja possível redefinir o progresso, porque “um desenvolvimento tecnológico e econômico, que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso” (LS 194).

Para dar passos para a ecologia integral na Amazônia, acreditamos na mudança socioambiental a partir da cultura dos povos originários desta Terra, ribeirinhas, quilombolas, indígenas, posseiros, seringueiros, populações urbanas, porque eles têm uma relação de cuidado e preservação da Amazônia e sempre viveram em harmonia com o todo criado.

Nestes anos de missão neste chão, aprendi a amar este povo, colocando-me ao lado deles para escutar as suas histórias de lutas, alegrias e vitórias. A maior força desse povo é a resistência, a capacidade de recomeçar sempre.

Os atores sociais, cada vez mais empoderados, conhecem seus direitos e deveres, e não cansam de lutar por justiça e paz, por dignidade e Vida.

Ser testemunha nesse contexto é partilhar a alegria do Evangelho com a própria vida, comprometendo-se a anunciar a Boa Nova e denunciar todas formas de violação dos Direitos para que o anúncio da esperança do Reino possa acontecer. Os sinais de esperança acontecem na atuação da Rede um Grito pela Vida, Caritas, Juventudes, Pastorais e movimentos Sociais, REPAM, que, em suas atuações buscam soluções eficazes para a defesa da nossa Amazônia, no respeito e valorização dos povos e de suas culturas.

Ir. Rosangela dos Santos.