Missionárias de Maria - Xaverianas: 60 anos do Brasil

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“É salutar recordar-se dos primeiros cristãos e dos irmãos que, ao longo da história, se mantiveram transbordantes de alegria, cheios de coragem incansável no anúncio e capazes de uma grande resistência ativa” (Papa Francisco, Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, 263).

É salutar fazer memória dos 60 anos de nossa presença no Brasil, para agradecer, para ser fiel às raízes, para dar continuidade ao projeto preparado por Deus para a nossa família missionária.

A fundação da Congregação das Missionárias, um sonho de Dom Guido Maria Conforti, fundador dos Missionários Xaverianos, permaneceu e foi transmitido por Deus ao Pe. Giácomo Spagnolo, que, apesar de não saber nada sobre tal assunto, teve a inspiração de fundar as Missionárias de Maria, concretizando assimo sonho do seu fundador.

Iniciou procurando a mulher que pudesse colaborar na fundação. Procurou a professora Celestina Bóttego, que, inicialmente, recusou fortemente o insistente convite. O padre, por sua vez, derrubou sua resistência enviando-lhe, em ocasião da Páscoa de 1944, um cartão, com a imagem do Crucifixo, acompanhada por uma única palavra “TUDO”.

Naquele dia, em Parma, na Itália, Padre Giácomo escreveu no seu diário “Hoje a Sociedade Missionária ganhou sua Fundadora” (24/05/1944). Estávamos durante a II Guerra Mundial: os trabalhos iniciais demoraram um pouco a engatinhar.

Anna Chieletti Elisa Caspani Gianna Lingiardi e a MadreAos poucos, o Padre Giácomo e a Madre Celestina delinearam a identidade do Carisma da Congregação: dimensão cristocêntrica, dimensão mariana, dimensão da misericórdia, dimensão de família.

“Nós tiramos nossa inspiração de Maria que cooperou à salvação com fé livre e obediência. Nela encontramos, especialmente no mistério da visitação, o modelo de nossa atitude interior para com Deus e os irmãos” (Constituições, 4).

Cada missionária será como Maria: acolhedora e portadora de Jesus.

O pedido de ir ao Brasil veio do Padre Luiz Médici, missionário xaveriano em Jaguapitã, PR. Madre Celestina, aos 20 de maio de 1957, acompanhou as primeiras 4 irmãs para o Brasil. No ano de 1958, foram enviadas mais 12 irmãs, destinadas a Apucarana, Jaguapitã, Londrina e Curitiba no Paraná. Após o devido tempo para a aprendizagem da língua, iniciaram suas atividades em diversos campos. Todas com a finalidade de partilhar com as pessoas seu amor para Jesus e apaixoná-las por Ele: “Como Maria: acolhendo e levando Jesus”.

A Igreja no Brasil, naquela época, estava vivendo momentos favoráveis, em boa parte devido à ação de Dom Hélder Câmara, Bispo auxiliar de Rio de Janeiro e Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Mais irmãs continuaram chegando da Itália.

Umas foram enviadas para outras cidades do Paraná: Toledo, Santa Mariana, Moreira Salles e Centenário do Sul. Outras irmãs foram convidadas no estado de S. Paulo, trabalhando nas áreas mais carentes da periferia paulistana.

Deus abençoou a Congregação, enviando jovens brasileiras, que, a partir de 1960, juntaram-se às irmãs xaverianas, para se doar e se dedicar à missão. Animadas pela mesma paixão missionária foram enviadas aos Estados Unidos, à República Democrática do Congo, ao Burundi, ao Chade, a o México, ao Japão, à Tailândia, concretizando e visibilizando a dimensão universal da missão.

Em 1966, houve mais uma saída de missionárias do Paraná para o Pará. Uma nova fundação, com a primeira casa na Prelazia de Abaetetuba. As irmãs encontraram um amplo campo de ação, marcaram presença em todas as situações do povo. Atualmente as irmãs do Pará trabalham na educação, na saúde, nas pastorais, na formação das CEBs, no Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) em nível local, nacional e internacional, no Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs e no Comitê Inter-religioso do Pará.

bolo 2Filhas “caçulas” da Congregação são as comunidades de União do Norte, MT, e Serrano do Maranhão, MA, que estão a completar 10 anos de vida. Inseridas nas várias pastorais, as missionárias percorrem muitos quilômetros para alcançar as comunidades em localidades distantes.

As missionárias agradecem e pedem a Nossa Senhora, tão amada e venerada no Brasil, que abençoe este povo, com seu carinho materno e o leve aos caminhos da paz, da unidade, da alegria dos filhos de Deus.

Maria, Mãe de misericórdia, junto com as irmãs brasileiras Ir. Inês, Ir. Marlene, Ir. Ana Verlingue, que se juntaram a Ela no céu, assistam as missionárias para que o Brasil seja o “impávido colosso” na fé, na promoção da paz e da justiça, da fraternidade, colaborando para que se faça do mundo a grande família de Deus.

Uma grande gruta de Nossa Senhora, encomendada pelas irmãs, foi construída no quintal da nossa casa em Jaguapitã. Tornou-se sinal de presença, inspiração e proteção, para as irmãs e meta de peregrinação para muitas pessoas, grupos e paróquias.

Orações de pedidos e agradecimentos trazem até hoje muitas pessoas, que as irmãs acolhem, juntando-se com elas na oração e no louvor à Mãe do Céu. Muitas chamam as irmãs de "irmãs da Gruta".

Lúcia Santarelli, mmx.