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Os Missionários Xaverianos não dispõem de nenhuma receita a não ser o nosso trabalho evangelizador e as doações dos amigos benfeitores. O nosso Fundador, São Guido Maria Conforti, quis que confiássemos na Providência de Deus que nunca deixa desamparados seus filhos. Invocamos sobre você e sua família, por intercessão de São Guido Maria Conforti, as bênçãos de Deus.
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Missão não é só falar de Jesus ou promover o ingresso de outros na Igreja. A Igreja é a comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus Cristo. Sua missão é continuar a missão de Jesus neste mundo. Neste sentido, ela é “por natureza missionária”: nasce da missão de Jesus e nasce para continuar essa missão. A missão não é uma opção nem é tarefa de algumas pessoas, mas é aquilo que caracteriza e faz a Igreja e é tarefa de todos os cristãos.

A missão da Igreja é a mesma de Jesus: anunciar com palavras e ações a Boa Notícia do reinado de Deus que diz respeito à realização do senhorio ou da vontade de Deus neste mundo. E os sinais de sua realização são aqueles que aparecem na pregação e na prática de Jesus e que estão narrados nos evangelhos: a fraternidade, o perdão, o amor ao inimigo, a humildade, a simplicidade, o serviço e, sobretudo, a compaixão e a misericórdia com os pobres, marginalizados e sofredores. Quando isso acontece é sinal que o reinado de Deus está se tornando realidade e o pecado, que é rejeição e oposição a isso, vai sendo destruído. Esse foi o grande Evangelho de Jesus e esse é o único Evangelho que a Igreja tem para o mundo. Por essa razão, normalmente falamos da missão da Igreja em termos de evangelização. Sua missão é evangelizar. E como bem recorda o papa Francisco no número 176 de sua Exortação Alegria do Evangelho, “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo”.

É importante insistir aqui em duas coisas:

Em primeiro lugar, precisamos levar a sério que a evangelização é missão de todos nós. Ser cristão é ser incorporado a Jesus Cristo (corpo de Cristo) na força e no poder do Espírito (templo do Espírito) e, assim, participar da vida divina (povo de Deus). O batismo nos insere nesse dinamismo: somos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. E esse dinamismo deve se manifestar em nossa vida concreta: “quem diz que está com Deus deve comportar-se como Jesus se comportou” (1 Jo 1,6). Essa é nossa missão. Isso nos faz cristãos.

Em segundo lugar, é importante lembrar que essa missão acontece no dia a dia de nossa vida: em casa, com a vizinhança, no trabalho, na Igreja, na política; no respeito e na acolhida a todas as pessoas e na luta contra toda forma de preconceito e discriminação; no exercício do perdão que vence o rancor, o ódio e a vingança; na honestidade nas pequenas e grandes coisas; no zelo pela coisa público (não jogar lixo na rua, respeitar o trânsito, não desperdiçar água, não se apropriar dos bens e dos recursos públicos etc.); no cuidado com as pessoas que sofrem (doentes, idosos, enlutados, desesperados etc.); da defesa dos direitos dos pobres e marginalizados (sem terra, sem teto, desempregados, encarcerados, mulheres, negros, homossexuais, pessoas com deficiência etc.); na denuncia contra toda forma de injustiça, preconceito e corrupção; na solidariedade e no apoio às lutas populares; enfim, no esforço de ir se tornado, com e como Jesus, na força do Espírito, uma pessoa boa que passa nesse mundo fazendo o bem (At 10, 38) e, assim, ir ajudando a construir um mundo mais justo e fraterno, sinal vivo e eficaz do reinado de Deus entre nós.

Essa é a herança que recebemos de Jesus. Essa é a riqueza que temos para oferecer. Essa é nossa missão. Aquilo que normalmente chamamos “missão” (catequese, círculo bíblico, liturgia, Santas Missões Populares, festa de padroeiro etc.) são meios para propor, recordar, motivar e animar o exercício de nossa verdadeira missão: anunciar com gestos e palavras o amor, a misericórdia e a justiça de Deus neste mundo que tem nos pobres e marginalizados seu critério e sua medida (Lc 10, 25-37; Mt 25, 31-46).

Por Francisco de Aquino Júnior

Fonte: Dom Total


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